As ficções científicas de nossos tempos: o otimismo e o pessimismo - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Coluna de Cinema06/10/2017 | 16h24Atualizada em 06/10/2017 | 16h24

As ficções científicas de nossos tempos: o otimismo e o pessimismo

A humanidade caminha em passos largos para um declínio moral e primitivo, na ótica do sci-fi.

Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

 

jared leto no filme Blade Runner 2049
Cena de Blade Runner 2049.Foto: sony pictures / Divulgação

Ao observar os números relativos a massacres ocorridos nos EUA em 2017, o de Las Vegas foi o 273º. não é impossível compreender o temor americano com o futuro. Desde filmes como Blade Runner, onde policiais eram incumbidos de matar quem não consideravam humanos, A Ilha, onde os clones eram aproveitados para benefícios puramente médicos, até chegar em filmes como Mad Max – todos esses longas possuem uma aura pessimista intocável. A humanidade caminha em passos largos para um declínio moral e primitivo, na ótica do sci-fi.

No cinema, o futuro é tomado por violência, invasões alienígenas, domínio das máquinas, assassinatos legalizados, solidão e lixo. Só este ano, já recebemos exemplares como The Bad Batch, Planeta dos Macacos: A Guerra e agora Blade Runner 2049, dirigido por Dennis Villeneuve, do igualmente pessimista A Chegada. Nos últimos anos, Ex-Machina raciocinava sobre nossa empatia e o domínio/submissão entre homem/máquina; A Viagem, embora mais otimista, ressoava sobre nossas nuances e a natureza humana; Ela explorava nossa solidão latente, onde só se sentiríamos confortáveis com a voz de uma máquina cuidadosamente feita para nos agradar; Uma Noite de Crime denunciava um mundo em que o caos delimitado foi a saída encontrada para a sobrevivência da raça humana.

Poucos exemplares nos oferecem algum conforto como civilização. Afora séries como Doctor Who e Star Trek, no qual o caminho é quase sempre aprazível, raros são os filmes que privilegiam uma ótica razoável sobre a sociedade. Quando é algo esperançoso, ainda assim, algo externo é sempre imposto na narrativa para não nos deixar confiar 100% naquele mundo fictício. É por isso que filmes como Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível são mais questionados. Eles não oferecem retratos com os quais estamos acostumados. Ou Speed Racer.

Além de Tomorrowland, eu consigo enxergar ao menos cinco filmes que são completamente otimistas quanto ao futuro. O primeiro deles, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, um filme de 1977 do americano Steven Spielberg, onde o encontro com outra raça é feito de maneira calorosa e cheia de esperança. O mesmo para K-Pax, no qual uma única pessoa é nossa principal fonte de conhecimento do futuro e do universo, que é interpretado por um fantástico Kevin Spacey. Questão de Tempo, dos mais recentes, é a ficção açucarada que é impossível não achar deliciosa. Richard Curtis não desbrava mundos distantes, mas realidades palpáveis e ternas. O relacionamento de um pai e filho se torna mais importante do que passear pela história. Fonte da Vida, de Darren Aronofksy, provêm de uma filosofia de adoração pela existência que vai além daqui. E, claro, Contato, com Jodie Foster, evidencia nossa busca mais profunda: uma maneira de não nos sentirmos sozinhos na imensidão deste universo.

No Netflix

Uma ficção interessante nos moldes de Rua Cloverfield, 10 é Ao Cair da Noite, que estreará no dia 24 de outubro no catálogo da Netflix. Na história, uma família vive solitariamente numa casa afastada, quando um casal chega a procura de abrigo. 

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