Diretor do Grupo Azimut fala sobre mercado náutico em Itajaí e região - Economia - O Sol Diário
 
 

Entrevista31/08/2012 | 18h17

Diretor do Grupo Azimut fala sobre mercado náutico em Itajaí e região

Empresa quer ampliar os negócios no Brasil e chegar à marca de 100 unidades entregues por ano

Diretor do Grupo Azimut fala sobre mercado náutico em Itajaí e região Rafaela Martins/Agencia RBS
Francesco acredita que a região tenha potencial para o crescimento Foto: Rafaela Martins / Agencia RBS
O mercado das embarcações de luxo cresce na região, movimentando estaleiros especializados e o mercado de turismo. Diretor de Marketing do Grupo Azimut, Francesco Ansalone, que visitou o estaleiro da marca em Itajaí nesta semana, falou com exclusividade a O Sol Diário sobre o mercado náutico do Litoral Centro-Norte.

Por que Itajaí foi escolhida para as atividades da Azimut no Brasil?

A ideia foi começar em um lugar onde facilmente desenvolve-se a indústria náutica. Nós procuramos por lugares não tão populosos, e onde houvesse algum suporte com que contar. Esta é a principal razão. Estamos muito felizes por estarmos aqui, também porque o acesso é fácil para outras regiões do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Norte e Sul do país.

Há mercado no Brasil para os barcos?

Nós estamos importando muitos barcos da Itália. Há cerca de 20 anos havia um acordo com outra companhia, que costumava produzir os barcos sob licença. Este acordo terminou e, ao mesmo tempo, a companhia reconheceu o grande potencial do mercado brasileiro. O mercado estava crescendo, e o estilo, o gosto italiano era um fator muito importante para os brasileiros. Nós queríamos levar o mercado náutico do Brasil a um próximo nível, trazendo a nossa experiência de 40 anos, contando com a experiência local e, ao mesmo tempo, trazendo o estilo italiano, que é um dos nossos pontos chaves em todas as marcas do portfólio.

É possível vermos em Itajaí as mesmas características da marcas que estão na Itália?

Absolutamente sim. Somos capazes de usar nosso suporte náutico, estilo e inovação aqui no Brasil, mas adaptar, ou estar mais próximo deste cliente, tentar entender quais são suas necessidades, o que podemos adaptar em nosso produtos. A ideia é sermos capazes de usar nosso DNA aqui no Brasil, mas estarmos mais próximos do cliente, realmente entender quais são suas necessidades e adaptar nossos produtos. Chamamos a isto tropicalização: aumentar a potência de ar condicionado, por exemplo. No Brasil as pessoas usam muito a parte de fora dos iates para festas com a família, com os amigos, então podemos melhorar o poder de grill, ou o espaço do lado de fora. O que acontece aqui é totalmente diferente do que acontece na Europa, onde as pessoas gostam de ficar dentro do barco, com menos pessoas. Não estamos fazendo produtos completamente novos, mas projetos mais interessantes para os consumidores brasileiros, que combinem mais com as necessidades locais.

Os iates que são produzidos em Itajaí são exportados para o mundo todo?

Não, são para os consumidores brasileiros. Queremos satisfazer os clientes aqui, fazer nossos produtos perfeitos para os brasileiros. Ano passado entregamos cerca de 25 barcos, no ano que vem, serão mais de 30.

A Azimut vê potencial aqui no Brasil, e em Itajaí?

É um mercado que responde muito bem a nossas iniciativas, estamos tendo bons resultados. Em Santa Catarina há vários proprietários dos nossos produtos.

O consumidor brasileiro costuma comprar barcos mais caros ou mais baratos?

Depende de que tipo de barco encaixa em suas necessidades. Se você tem família, filhos, se quer ir a longos cruzeiros. Nosso cliente quer produtos imediatamente reconhecíveis, quer que as pessoas saibam que o barco é um Azimut, e ao mesmo tempo querem saber que há uma sede da empresa aqui, e se eles precisarem de alguma coisa, podem ser melhor servidos.

Quanto um barco pode custar?

O menor dos barcos produzidos pela Azimut, aproximadamente R$ 700 mil. Os barcos produzidos aqui, em Itajaí, saem por R$ 2,5 milhões. A Azimut tem três ramos de negócios, iates, megaiates, e serviços. Nos menores, você tem possibilidade de customização, mas ela é menor. Não pode mudar muito o layout. Quanto mais cresce, mais você pode fazer. Pode ter sala de mídia, academia, área de karaokê, especial para os asiáticos, e tem modelos que você pode desenhar e fazer como quiser. Obviamente, têm que se observar as especificações técnicas e certificações.

A Azimut já vendeu um barco tão caro e único para o Brasil?

Sim, logo após o Rio Boat Show, foi negociado o primeiro Azimut Grande, que será entregue em 2013. É um aspecto muito importante, porque significa que os consumidores brasileiros querem crescer conosco. Temos orgulho do trabalho que fizemos até agora, estamos investindo seriamente neste país e nestes clientes. O crescimento do mercado náutico na região tem causado a superlotação das marinas, que já não têm espaço disponível.

É um problema recorrente?

É um problema em todo o Brasil, mas também na França, Itália, Estados Unidos, em quase todo lugar. Mas há uma costa tão grande no Brasil, que não acho que precisaremos esperar muito por novas marinas, muito breve.

O fato de Itajaí ter recebido este ano uma etapa da Volvo Ocean Race aumenta o interesse do público no mercado náutico?

Eu acho que o todos estão voltando os olhos para o Brasil, haverá os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo, há tantas coisas acontecendo, é um lugar em que se quer estar. Percebe-se isto nos filmes, como a animação Rio, e Velozes e Furiosos, que se passa aqui. O país está crescendo, ficando mais seguro, há investimentos em infraestrutura. A vinda da Volvo de certa forma ajuda a cultura náutica, que já está desenvolvida.

A Azimut pretende expandir as atividades no Brasil?

Há um plano muito importante de desenvolvimento para nossa fábrica aqui. Vamos começar a produção de dois novos modelos, 48 e 70 pés, que começa no ano que vem. A ideia é que, no futuro, as pessoas possam ir à fábrica e acompanhar a construção do barco.

O que falta para que sejamos mais atraentes para o mercado náutico?

Tempo, eu acho. A indústria de barcos ajuda a desenvolver outros negócios paralelos, como restaurantes, serviços, aluguel de carros, é algo que pode ser muito importante para os aspectos econômicos em todo lugar. Considera-se que cada proprietário gaste aproximadamente 10% do valor do barco em manutenção e para aproveitar, todos os anos. Se alguém compra um barco de R$ 2,5 milhões, deve gastar R$ 250 mil. O mais importante é criar marinas, atrações, e serviços para o cliente, lugares onde se pode encontrar um helicóptero e ir até São Paulo, por exemplo, se tiver alguma urgência de negócios. Aqui é um local fantástico. Miami não tem a paisagem que tem aqui, mas tem movimento sempre porque as pessoas podem sair e voltar, ir a festas, locais VIPs. Isso ajuda muito a economia.  

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