Azimut triplica fábrica em Itajaí - Economia - O Sol Diário
 
 

Economia08/10/2013 | 08h29

Azimut triplica fábrica em Itajaí

Estaleiro italiano amplia oeprações na única filial da América

Azimut triplica fábrica em Itajaí Marcos Porto/Agencia RBS
Foto: Marcos Porto / Agencia RBS

Num galpão de 10 mil m², dentro de um condomínio industrial, embarcações milionárias e cobertas de luxo tomam forma. O estaleiro é da italiana Azimut, que acaba de triplicar as instalações na única filial brasileira da marca, em Itajaí. Ali, entre operários vestidos de branco e com olhos atentos nos detalhes de acabamento, barcos de lazer ganham status de objetos de desejo.

A fábrica, que está em Itajaí há três anos, produz por aqui modelos da linha Azimut Yachts, com 43, 48 e 60 pés. A mudança de local da empresa, que saiu de um galpão menor, na Rua Reinaldo Schmithausen, para uma nova unidade, na região da Murta, coincide com o início da construção de iates de 70 pés — uma novidade da produção da Azimut no Brasil, que já entra no mercado nacional com três unidades vendidas.

A fabricação de barcos cada vez maiores não ocorre por acaso. A empresa saltou de seis embarcações entregues no primeiro ano no Brasil para uma previsão de fechar o ano náutico de 2013 com 28. De 2011 para 2012, aumentou em 75% a quantidade de pés produzidos, com o início da construção de embarcações mais robustas.

A meta da empresa é começar a produzir iates mais próximos de 100 pés já no ano que vem, voltados a uma clientela ainda mais seleta e abonada. Segundo Davide Breviglieri, CEO da marca no Brasil, mercado não falta:

— O brasileiro vai de uma embarcação de 43 pés para uma de 70 em dois a três anos. No restante do mundo, essa mudança leva de cinco a seis para acontecer. Temos um mercado imenso — diz.

Pode haver procura de sobra, mas comprar um Azimut não é para qualquer um. Os barcos saem da fábrica por preços que variam de R$ 2,5 milhões a mais de R$ 10 milhões. É o que se paga para ter embarcações feitas para aliar design confortável a itens de luxo, como o mobiliário italiano e os detalhes talhados à mão.

Se fosse possível comparar com o mercado automobilístico, não seria exagero dizer que um Azimut é produzido com o cuidado e a exclusividade da conterrânea Ferrari.

Importação

Embora já esteja no Brasil há algum tempo, a fábrica ainda não abriu mão de importar da Itália 60% dos itens que coloca nos barcos — com exceção de materiais inox, tapeçaria e equipamentos elétricos. Isso porque, de acordo com Breviglieri, ainda não é possível encontrar os mesmos materiais e a mesma qualidade por aqui. Quem compra um Azimut, diz o CEO, quer encontrar o mesmo padrão entregue ao mercado europeu.

Mas o consumidor brasileiro também exportou seu jeito de apreciar a náutica para o mundo. A Azimut criou churrasqueiras na plataforma de popa nos modelos fabricados por aqui para agradar a freguesia chegada a festas — novidade que hoje faz parte de vários outros iates vendidos pela marca no mundo.

Com tanta importação de matéria-prima, a fábrica brasileira atua mais como montadora do que produtora. Ainda assim, comprar um barco feito por aqui significa pagar um valor 20% menor do que o mesmo barco vindo da Europa. Uma economia que pode equivaler a alguns milhões de reais.

Mais qualificação para crescer

A nova fábrica da Azimut em Itajaí poderia hoje produzir até 40 barcos por ano. Mas a falta de mão de obra qualificada para o trabalho reduz a velocidade de crescimento. Recentemente, a marca iniciou conversas com universidades locais e cursos técnicos para alavancar projetos que capacitem trabalhadores.

— Pouca gente faz o que fazemos aqui. O mercado está mais voltado para a produção naval do que náutica — diz o CEO da Azimut no Brasil, Davide Breviglieri, embora reconheça que a familiaridade dos itajaienses com os processos de produção de um barco ajudaram a atrair a fábrica para Santa Catarina.

Outro impasse parece mais difícil de resolver. A falta de marinas afeta todo o país, e negociações já deixaram de ocorrer em razão disso. Para se ter ideia, há grandes embarcações produzidas na Europa pela Azimut, mas importadas para o Brasil, que só podem ser retiradas da água para manutenção em uma marina, no Rio de Janeiro, ou no Porto de Itajaí.

O executivo vê com bons olhos o projeto de construção de uma estrutura náutico-ambiental em Itajaí.

— A gestão correta do mercado náutico gera impacto econômico e ambiental favorável e produtivo — avalia.

Até 2016, a fábrica de Itajaí pretende fornecer para todo o mercado da América Latina.

Público é selecionado

Para quem compra um Azimut produzido no Brasil, a aquisição pode envolver desde acertar detalhes — quanto maior o barco, mais possibilidades de adaptação — até a chance de acompanhar as etapas de fabricação no estaleiro, em Itajaí.

A empresa não trabalha com vendas diretas, mas tem investido no pós-venda depois de ter enfrentado problemas no início do trabalho com concessionárias. O impasse foi resolvido com um intenso trabalho e escolha cuidadosa dos dealers — empresas encarregadas de fechar os negócios.

Depois de negociada, uma embarcação leva de quatro a seis meses para ficar pronta em Itajaí. Então passa pela fase de qualificação na água, feita na Marina Tedesco, em Balneário Camboriú, em que são testados comportamento, balanceamento e performance.

A maioria dos barcos, depois de entregue, fica no Sul ou Sudeste do país — em especial, clientes de São Paulo que mantêm os iates em Angra dos Reis (RJ). Embora não revele quem são seus clientes — apesar de não haver segredo de que Neymar está entre eles — Breviglieri conta que há, no Brasil, quem mantenha nada menos do que três embarcações de luxo — uma em águas nacionais, uma na Europa e outra nos Estados Unidos.

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