SC tenta aplicar modelo de Florianópolis como polo tecnológico em outras 12 cidades do Estado - Economia - O Sol Diário
 
 

Futuro16/03/2015 | 18h05

SC tenta aplicar modelo de Florianópolis como polo tecnológico em outras 12 cidades do Estado

Projeto quer levar para todas outras regiões centros que abriguem empresas e start-ups ligadas ao setor da tecnologia

SC tenta aplicar modelo de Florianópolis como polo tecnológico em outras 12 cidades do Estado Acate/Divulgação
Palestra tratou dos caminhos que impedem ou incetivam a inovação no país como um todo e dentro das empresas Foto: Acate / Divulgação

Florianópolis já é referência como um dos municípios brasileiros que concentram polos de empresas de tecnologia. Agora, a aposta é ver se esse modelo, aprimorado, pode ser aplicado em mais 12 cidades de Santa Catarina com um foco: inovação. Um dos primeiros passos foi dado nesta segunda-feira, quando os representantes de cada um dos centros tecnológicos que estão sendo construídos no Estado começam a receber treinamento do Stanford Research Institute (SRI), instituto de pesquisas da universidade americana de mesmo nome, localizada na Califórnia. É a primeira vez que esse programa está sendo aplicado no Brasil.

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— As alavancas fiscais e monetárias do Brasil estão emperradas. (Uma transformação) não vai acontecer no nível nacional. A mudança tem que começar pelos Estados. E Santa Catarina pode fazer isso — disse Dennis Tsu, diretor executivo do Centro de Liderança da Inovação do SRI, em palestra dada na inauguração da nova sede da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia, na SC-401, na Capital.

Os Centros de Inovação serão instalados nas cidades de Joaçaba, Lages, Jaraguá do Sul, Chapecó, Itajaí, São Bento do Sul, Tubarão, Blumenau, Brusque, Rio do Sul, Criciúma e Joinville, além de um em Florianópolis. A proposta da Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico Sustentável é que cada um deles leve em conta as potencialidades das regiões em que será construído, e busque resolver problemas ou pensar produtos para as indústrias ali instaladas.

Em um mundo cada vez mais interligado, as fronteiras dos países acabam sendo apenas um detalhe na competição global de criar novas demandas e produtos. Não importa se a inovação vem de uma tecnologia recém-descoberta, de um novo processo para um negócio já existente ou de inventar uma “necessidade” inédita para o público, casos do Facebook e do Instagran.

O workshop com representantes de universidades, empresas, governo estadual e prefeituras das cidades que receberão os centros tecnológicos começou nesta segunda-feira e segue até sexta. Vai focar em como desenvolver em cada um dos locais um ambiente que favoreça a criatividade e o empreendedorismo.

:: Perda de talentos

Os imigrantes representam 52,4% dos fundadores das start-ups criadas no Vale do Silício. No Chile, o governo dá US$ 40 mil dólares para ideias de empresas aprovadas no projeto federal “Start-up Chile”, para empreendedores de qualquer lugar do mundo. Depois de apresentar esses números, Tsu perguntou à plateia como o Brasil e Santa Catarina estão competindo para que as cabeças criativas daqui não resolvam tentar a sorte fora do país.

É um problema que o Brasil enfrenta e que Santa Catarina vai se deparar com os novos centros tecnológicos, em construção fora do eixo convencional. O palestrante afirmou que não há uma resposta definitiva para a questão. Mas elenca quatro aspectos culturais do Vale do Silício, onde surgiram Microsoft, Google e Apple, entre outras, que ajudam a reverter o processo.

1) Muitas pessoas do local terem a aspiração de se tornarem empreendedores. 2) O sucesso ser recompensado. 3) Ter consciência que fracassar faz parte do processo. 4) O conhecimento e as pessoas se movem rapidamente, entre empresas, grupos de pesquisa ou universidades.

Foto: Acate / Divulgação

:: Inovação social

Presente na palestra sobre inovação ministrada pelo pesquisador de Stanford, o presidente do Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICom), Anderson Giovani, defende que em Santa Catarina há também uma oportunidade que não foi tratada na palestra.

— Podemos fazer inovação com impacto social, mais inclusiva e isso precisa estar dentro da construção desse ambiente que a gente quer para o nosso Estado. Pensar em soluções que se aliem à melhoria da qualidade de vida para todos. A tecnologia não nos deixa dar a desculpa de que não é possível — disse.

Após ser questionado pelo representante do ICom, na parte final da palestra aberta a perguntas por parte dos presentes, Tsu reconheceu que a área tem potencional para a busca de novas soluções.

— Nem toda inovação precisa ser financeira. A transformação do governo por meio da tecnologia deve ser um tópico quente para os próximos 10, 20 anos. A inovação pode estar em como melhorar o sistema público de saúde do Brasil — disse.

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