"Golpista é você, que está contra a Constituição", diz Temer na primeira manifestação como presidente - Economia - O Sol Diário

Reunião ministerial31/08/2016 | 18h47Atualizada em 31/08/2016 | 20h15

"Golpista é você, que está contra a Constituição", diz Temer na primeira manifestação como presidente

Crítica foi feita a Dilma, seus aliados e ao PT por baterem insistentemente na tecla "golpe" ao se referirem ao impeachment

"Golpista é você, que está contra a Constituição", diz Temer na primeira manifestação como presidente Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS
Carlos Rollsing e Guilherme Mazui

guilherme.mazui@gruporbs.com.br

— Golpista é você, que está contra a Constituição. Não vamos levar ofensa para casa. Precisamos responder — discursou Michel Temer, em dura manifestação, na reunião ministerial realizada minutos após sua posse definitiva.

Depois de confirmado o impeachment, foi o primeiro discurso do presidente, no Palácio do Planalto. Os alvos dos recados são os aliados de Dilma Rousseff e o PT, que batem na tecla do "golpe" insistentemente ao se referir ao impeachment. Ele afirmou que não aceitará mais a tese propalada pelos petistas.

Tendo ao seu lado os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Alexandre de Moraes, da Justiça, Temer adotou um dos tons mais incisivos da sua carreira política. Conhecido como um conciliador, cobrou com veemência os titulares da Esplanada. Exigiu que eles façam a defesa do governo e criticou sem meias palavras os senadores que votaram para evitar, apesar da cassação de mandato, a inabilitação de Dilma Rousseff — algo mais amplo do que a perda de direitos políticos. Temer não citou nomes, mas Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, foi um dos destinatários da carraspana.

A inabilitação é prevista literalmente pelo texto constitucional. Não será tolerada essa espécie de conduta. Quem tolerar, eu confesso que vou trocar uma ideia sobre isso. Se é governo, tem de ser governo. O que não dá é para se manifestar no plenário sem ter uma combinação conosco — afirmou.

Temer mostrou desconforto com o acordo para livrar Dilma da inabilitação, expediente que contou com o apoio de diversos peemedebistas e discurso favorável de Renan.

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Em 18 minutos de fala, o presidente recém-empossado ainda pediu mobilização dos partidos aliados para a aprovação do teto de gastos e das reformas previdenciária e trabalhista.

— Os senhores representam vários partidos políticos. É importante que tenham trabalho intenso nos partidos para aprovarmos as reformas urgentes que o Brasil precisa — asseverou Temer, em nova cobrança ao primeiro escalão.

Ele assegurou que irá pessoalmente ao Congresso, acompanhado por técnicos, para conversar com as bancadas. Quer produzir convencimento sobre as polêmicas reformas que pretende implementar. Neste ponto, alfinetou Dilma, que, entre outros motivos, caiu por incapacidade de se relacionar com o Parlamento:

— O que se dizia no passado, e era desagradável, era que partidos aliados não participavam da formulação das políticas. Isso eu não quero que aconteça. Quero que haja conexão permanente entre Legislativo e Executivo. Isso também fortalece a democracia.

O presidente disse que o objetivo principal é diminuir a marca de quase 12 milhões de desempregados. Pediu projetos de desburocratização do setor público e ajuda para divulgar os compromissos previstos na viagem à China. Ele vai participar da reunião da cúpula do G20, nos dias 4 e 5 de setembro, ocasião em que se reunirá com líderes de outros países.

— Estamos viajando para revelar aos olhos do mundo que temos estabilidade política e segurança jurídica. Não estou viajando a passeio. Ninguém passa 66 horas no avião para ficar 48 horas na China. Serei recebido pelo presidente da China logo no dia 2, se chegar em tempo lá. Depois, pelos primeiros-ministros da Espanha, Japão, Itália e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita — declarou Temer, pedindo ajuda dos ministros para divulgar a agenda em tom positivo.

Ele ainda disse que terá a palavra para se manifestar em quatro reuniões do G-20.

O peemedebista indicou que a confirmação do impeachment coloca o governo em novo patamar de exigência.

— Inauguramos nova fase. Temos horizonte de dois anos e quatro meses (de mandato, até dezembro de 2018). A partir de hoje, a cobrança será muito maior. Vamos colocar o Brasil nos trilhos. Que em dois anos e quatro meses possamos sair daqui com aplauso do povo brasileiro — projetou Temer, sem antes qualificar a tarefa como "difícil".

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