Michel Temer assume presidência em definitivo após impeachment de Dilma Rousseff no Senado - Economia - O Sol Diário

Queda e posse em Brasília31/08/2016 | 23h18Atualizada em 01/09/2016 | 00h14

Michel Temer assume presidência em definitivo após impeachment de Dilma Rousseff no Senado

Senadores deram fim aos 13 anos de governo do PT, Dilma sai com direitos políticos preservados e PMDB assume o governo sob pressão

Michel Temer assume presidência em definitivo após impeachment de Dilma Rousseff no Senado Beto Barata/Presidência da República/Divulgação
Foto: Beto Barata / Presidência da República/Divulgação
upiara boschi
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No último dia do mês de agosto do ano de 2016, coube ao Senado da República dar fim a 13 anos de governos do Partido dos Trabalhadores e ser o palco de nascimento da presidência de Michel Temer, levando o PMDB de volta ao comando do país 26 anos depois de José Sarney deixar o cargo. Essa metamorfose foi consumada em cerca de seis horas entre a manhã e a tarde de ontem, período em que os senadores aprovaram por 61 votos a 20 o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e realizaram, improvisadamente, a posse do 37º presidente da República.

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O 31 de agosto encerrou a longa sangria da agora ex-presidente, iniciada em abril quando a Câmara dos Deputados deu aval à abertura do processo de impeachment. No mês seguinte, o Senado aprovou a abertura do processo e a posse interina de Temer na presidência. O relógio ainda não marcava 14h quando a sessão presidida por Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), votou o afastamento definitivo após cerca de duas horas de discussão sobre o pedido dos antigos governistas de que fosse votado separadamente da cassação o dispositivo que impediria Dilma de exercer funções públicas por oito anos. Em articulação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que deixou atônitos os senadores do PSDB e o Palácio do Planalto, a petista manteve seus direitos políticos – apenas 42 senadores votaram pela punição, eram necessários 54. O revés chegou a ofuscar o momento da vitória dos defensores do impeachment. Líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, da Paraíba, deixou o plenário furioso.

– Ele (Renan) podia ter nos avisado – dizia.

Informações que vinham do Planalto davam conta de que Temer também fora pego de surpresa. Tucanos chegaram a falar em recorrer ao STF contra a decisão do plenário, mas foram suavizando o discurso do longo do dia. Havia um novo governo prestes a assumir e a vitória da batalha do impeachment precisava ser comemorada. Líder do governo Temer no Senado, o tucano Aloysio Nunes Ferreira, de São Paulo, sinalizava essa mudança de discurso no fim da tarde.

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– As pessoas não foram para as ruas pedir pena acessória. As pessoas queriam o impeachment e nós conseguimos essa grande vitória. Temos que comemorar – disse o tucano, que chegou a brincar que gostaria de ver Dilma candidata novamente.

Temer deixou de ser interino no azulado salão habitado pelos senadores. Medida tomada em nome da pressa – o peemedebista pretendia realizar uma reunião ministerial e ainda embarcar em viagem oficial à China ainda ontem. No Senado, o peemedebista jurou cumprir a Constituição e recebeu de Renan Calheiros o livro de posse para assinar. Foi ovacionado em um plenário cheio de parlamentares, ministros e outros políticos – com ausência total de integrantes do PT e do PCdoB. Espécie de ministro informal de Temer desde que deixou a pasta do Planejamento após ser flagrado em gravações em que defendia o afastamento de Dilma como forma de ¿estancar a sangria¿ causada no meio político pela Operação Lava-Jato, Romero Jucá (PMDB-RR) indicava os rumos do novo governo. Aos jornalistas, falava sobre a necessidade de que o descompasso na votação do impeachment – sete peemedebistas votaram a favor dos direitos políticos de Dilma, dois se abstiveram – não ¿contamine o projeto que nós temos para o Brasil¿. Ressaltou que Temer quer aprovar ainda este ano o limite de gastos públicos para União, Estados e municípios, a reforma da previdência e fazer ajustes na legislação trabalhista.

– O governo não pode errar e nem demorar, porque é um governo curto. Não dá tempo de errar e fazer a volta – afirmou.

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Os três senadores de Santa Catarina – Dalírio Beber (PSDB), Dário Berger (PMDB) e Paulo Bauer (PSDB) – deram votos para a cassação e também para a punição à petista, mostrando alinhamento com os novos inquilinos do Planalto. Coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, Dalírio Beber acredita que o realinhamento político trará resultados positivos para o Estado.

– O PMDB de Santa Catarina é muito forte. Também é o PSDB, assim como o PSD do governador Raimundo Colombo, o PP. Todos esses partidos estão na base do governo, então é um aumento considerável de força da bancada para interagir diretamente com os ministros e até mesmo com o presidente – acredita o tucano.

Dalírio pretende solicitar a Temer uma reunião com o Fórum Parlamentar Catarinense para apresentar as prioridades do Estado. Antes disso, antecipa, quer chamar o ministro Moreira Franco (PMDB-RJ), secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, para discutir as concessões previstas para Santa Catarina – obras como a ampliação do Aeroporto Hercílio Luz e rodovias federais são prioridades.

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