Nove meses para a História: da entrega do pedido de impeachment à queda de Dilma - Economia - O Sol Diário

Fim da era PT31/08/2016 | 21h02Atualizada em 31/08/2016 | 21h42

Nove meses para a História: da entrega do pedido de impeachment à queda de Dilma

Aprovação do impeachment é o último ato de uma série com início em dezembro, quando Cunha abriu o processo contra a agora ex-presidente 

Nove meses para a História: da entrega do pedido de impeachment à queda de Dilma Arte ZH / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte ZH / Agência RBS / Agência RBS

Com uma caneta prateada, Michel Miguel Elias Temer Lulia assinou às 16h50min desta quarta-feira o termo de posse como presidente da República e colocou o ponto final nos quase 14 anos do PT no poder. Foi o desfecho de um processo que começou no dia 2 de dezembro de 2015, quando o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aceitou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e fez girar a roda da História. Do primeiro ao último ato, o processo durou o tempo de uma gestação. Sem discurso, sem convidados e sem a presença da primeira-dama, Marcela Temer, a posse durou exatos 10 minutos.

Dilma recebeu a comunicação oficial de que não era mais a presidente da República às 15h5min. Seu destino fora selado pouco depois das 13h, quando o painel do Senado mostrou o placar de 61 votos favoráveis e 20 contrários à perda do mandato por crime de responsabilidade.

Leia mais:
"Golpista é você, que está contra a Constituição", diz Temer na primeira manifestação como presidente
Entre a serenidade e a revolta: como Dilma recebeu a decisão do Senado
"A História será implacável com eles", diz Dilma sobre apoiadores do impeachment

Vestida de vermelho e cercada de mulheres usando a cor do PT, Dilma fez um discurso que dá o tom do tipo de oposição que o seu partido fará ao governo Temer:

– Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Haverá contra eles a mais determinada oposição que um governo golpista pode sofrer.

Uma pedra no meio do caminho

O placar, com sete votos a mais do que o necessário para o afastamento de Dilma, confirmava a previsão feita de manhã pelo chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, braço direito de Temer. O que nem Padilha nem Temer poderiam prever era que essa vitória inquestionável seria turvada por uma manobra do senador Renan Calheiros, presidente do Congresso, em aliança com defensores de Dilma e com o aval do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. O mesmo plenário que aprovou o afastamento de Dilma garantiu a ela o direito de continuar exercendo funções públicas e desencadeou uma onda de protestos de senadores do PSDB e do DEM, que ameaçaram retirar o apoio ao governo Temer, sentindo-se traídos pelo PMDB. Antes da votação, Renan, que votou a favor do impeachment, discursou em defesa do direito de Dilma não ser impedida de exercer cargos públicos nos próximos oito anos. Depois de dar posse a Temer, o presidente do Senado deixou escapar uma expressão popular, captada pelos microfones: "Tamo junto".

Crise nasceu com a reeleição 

Reeleita com 54 milhões de votos em outubro de 2014, uma diferença mínima em relação ao tucano Aécio Neves, Dilma começou a perder força no dia seguinte à eleição. Assumiu o segundo mandato em clima de desconfiança dos próprios aliados, com a economia em franco processo de deterioração. Tentou, sem sucesso, corrigir os erros da política econômica do mandato anterior, nomeando Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Levy era um homem de confiança do mercado, mas desde o início enfrentou o boicote do PT às tentativas de aprovação de um ajuste fiscal. Desautorizado, acabou caindo antes de completar um ano no cargo e a crise se aprofundou com recessão, queda da bolsa, alta do dólar, explosão do desemprego.

À medida que a crise econômica se aprofundava, Dilma perdia apoio político. Em 17 de abril, a Câmara aprovou a admissibilidade do impeachment. No dia 12 de maio, o Senado afastou Dilma, e Temer assumiu como interino.

Nos 112 dias à frente do Palácio do Planalto, Temer propôs um teto para os gastos públicos e acenou com reformas que agora deverão ser transformadas em projetos. Entre elas, a previdenciária e a trabalhista, com campanha publicitária para convencer a população de que são sacrifícios necessários.

Com transmissão pela TV, a primeira reunião ministerial como titular, antes de embarcar para a China, foi usada para dar recados ao país e aos aliados. Disse que a ordem é "colocar o Brasil nos trilhos", gerar empregos e desburocratizar processos. E avisou que não vai tolerar rebeldia na base do governo e que o tempo da suavidade acabou:

– Nós não vamos levar ofensa para casa. 


Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga O Sol Diário no Twitter

  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioMoacir Pereira: "Segundo turno em três municípios" https://t.co/3vqZ04eaxOhá 4 horas Retweet
  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioBahia pressiona e vence o Criciúma por 2 a 0 na Arena Fonte Nova https://t.co/T1l5uG2Xlfhá 16 horas Retweet
  •                                
  •  
     
  •  
     
  •  
O Sol Diário
Busca
clicRBS
Nova busca - outros