Salário médio de Santa Catarina está menor do que em 2012 - Economia - O Sol Diário
 
 

Crise econômica22/08/2016 | 06h15Atualizada em 22/08/2016 | 06h15

Salário médio de Santa Catarina está menor do que em 2012

Desde janeiro do ano passado, rendimento médio sofre quedas consecutivas no Estado, conforme pesquisa do IBGE  

Salário médio de Santa Catarina está menor do que em 2012 Felipe Carneiro/Agencia RBS
Após um ano e meio sem emprego, Vilmar Júnior aceitou trabalhar como motoboy em meio turno para poder se manter Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Há um ano e meio desempregado e com uma filha, Vilmar Júnior aceitou no início de agosto um trabalho de meio período como motoboy. Vai ganhar menos de um salário mínimo, valor 62% inferior ao que recebia antes como motorista de uma distribuidora. E ainda terá de arcar com a gasolina. Mesmo assim, o serviço virou motivo de comemoração.

Ele entrou para uma estatística que cresce no Estado: desemprego, seguido de novo trabalho com salário menor. Há seis trimestres, o rendimento médio real do trabalhador catarinense encolhe sem parar. No começo de 2015, a média mensal era de R$ 2.299. Já no segundo trimestre deste ano, o valor foi para
R$ 2.048. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.

Partindo do valor do salário no início de 2012 – quando começou o levantamento –, o valor atual deveria ser de R$ 3.031,43 se tivesse sido corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período (39,44%), conforme cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Estado (Dieese-SC).

Mas em função das quedas sucessivas, o valor dos vencimentos no Estado hoje é menor, em termos reais, do que há quatro anos, quando o salário era R$ 2.174. Esse achatamento é consequência da inflação e da retração econômica.

– Talvez essa redução não tenha sido ainda maior por conta dos pisos salariais, que seguram um pouco – diz José Álvaro Cardoso, supervisor técnico do Dieese em Santa Catarina.

Desemprego atinge  242 mil catarinenses

Ao mesmo tempo em que os salários caem, o desemprego sobe. Há alguns anos, Santa Catarina vinha caminhando em uma situação de pleno emprego – quando a taxa de desocupados é inferior a 4% –, mas passou a sentir os efeitos da crise em meados de 2015.

No segundo trimestre do ano passado, a taxa de desocupação era de 3,9%. No mesmo período deste ano, passou para 6,7%. São 101 mil pessoas a mais sem trabalho no Estado na comparação com 2015. Ao todo, 242 mil pessoas estão desocupadas em Santa Catarina. Isso é mais que toda a população de São José, que tem 232 mil habitantes, segundo o IBGE.

Ainda assim, é o Estado com menor desemprego no país. No Brasil, a taxa entre abril e junho ficou em 11,3%. Alguns Estados atingiram desocupação bastante alta, como São Paulo (12,2%) e Bahia (15,4%).

De acordo com o economista da Fecomércio SC Luciano Cordova, a vantagem de Santa Catarina em relação a outros Estados é a diversificação da economia. Assim, mesmo quando alguns setores daqui vão mal, outros ainda conseguem se sair bem e manter certo equilíbrio.

Entretanto, o desemprego deve seguir aumentando no Estado e pode atingir 8,5% até 2017, para só então estabilizar:

– Depois de ficar estável, a taxa de desemprego pode voltar a cair, mas isso vai depender bastante das definições políticas. As decisões que precisam ser tomadas não estão sendo tomadas por essa situação de interinidade em que vivemos – justifica Cordova.

O desemprego, somado à queda salarial, resulta na precarização do trabalho. Na prática, pessoas que estão ficando sem emprego aceitam vagas com salários inferiores aos que ganhavam anteriormente, como é o caso de Júnior.

– Mas dizem que logo vai melhorar, né? – questiona o motoboy recém-contratado esperançoso.

Dizer, dizem. Mas não vai ser tão fácil. Para voltarmos aos patamares anteriores de salários e empregos, acredita José Álvaro, do Dieese, devemos levar anos.

– A queda é rápida, mas a recuperação é lenta. Somos agora um transatlântico nos deslocando, não mais um barco – compara.


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