Upiara Boschi: a vez de Dilma - Economia - O Sol Diário

Impeachment29/08/2016 | 06h11Atualizada em 29/08/2016 | 06h11

Upiara Boschi: a vez de Dilma

upiara boschi
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Um fato, um contexto e uma sensação diferenciam o julgamento definitivo do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), que deve ter seu capítulo final durante esta semana, e o afastamento da petista do cargo, votado em 12 de maio pelo Senado após aprovação da abertura do processo pela Câmara dos Deputados. Eles darão o tom da votação prevista para ocorrer até quarta-feira, quando serão necessários os votos de 54 senadores para que o interino Michel Temer (PMDB) possa colocar de vez a faixa presidencial no peito.

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O fato é a presença da própria Dilma Rousseff no julgamento. Fora uma ou outra entrevista, tuítes ou vídeos para as redes sociais, a presidente afastada terceirizou sua defesa para o eloquente ex-ministro José Eduardo Cardozo (PT) e as tropas de choque parlamentar e de militância, especialmente a virtual. Hoje, teremos Dilma respondendo aos questionamentos dos senadores – aliados e algozes. Ex-ministros estarão presentes para dar respaldo, talvez até mesmo o ex-presidente Lula. O fato presencial é um corrimão em que se agarram os que pensam que o jogo pode ser virado. Os partidos que apoiam Temer, especialmente o PSDB, ainda não sabem como encarar a petista. Chegaram a pensar em não fazer perguntas, com medo de vitimizá-la. 

Na última hora, os tucanos se inscreveram. Derrotado por ela em 2014, Aécio Neves (PSDB-MG) está escalado como o 11º a perguntar. Os catarinenses Paulo Bauer e Dalírio Beber, também do PSDB, serão o nono e o 47º a falar, se realmente decidirem confrontar a petista. Há quem lembre da altiva e contundente Dilma que, ainda ministra, deixou sem fala o senador José Agripino Maia (DEM-RN) ao ser confrontada sobre as torturas que recebeu durante o regime militar. Há quem lembre da confusa e titubeante Dilma dos discursos improvisados e debates. Qual Dilma vai ao Senado? Este é o fato.

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O contexto é a existência de um governo Temer. Até 12 de maio, isso era uma abstração, uma ideia, uma possibilidade. Desde então, o interino governa de fato, como se não houvesse um processo que pudesse devolver a antiga colega de chapa ao cargo. Promoveu uma guinada de 180 graus no discurso e no perfil de governo – ainda não tanto nas ações, porque o parlamento aguarda a conclusão do impeachment para votar medidas concretas de mudança. Mesmo assim, a consolidação da renegociação das dívidas dos Estado que Dilma vinha emperrando é um sinal de nova postura. Há deputado que era da base do governo afastado dizendo que o peemedebista recebeu mais parlamentares desde maio do que a petista em um mandato. O governo Temer, ainda sem respaldo da população, já é um dado concreto a ser contraposto ao governo Dilma. Pedaladas e crimes de responsabilidade à parte, os senadores vão votar em Dilma ou Temer levando em conta o que eles fizeram, como uma eleição indireta.

A sensação que marca esta reta final de processo de impeachment é a da vida real batendo à porta. Em maio, a base aliada a Dilma parecia tratar a votação do afastamento da presidente como algo que não estava acontecendo. Como se não fosse o ponto culminante de algo que nasceu na própria vitória da petista com um país rachado e sem acenos de reconstrução. Seguiram-se manifestações nas redes e nas ruas, sempre tratadas como mero inconformismo. Veio o processo de impeachment, avaliado como simples vingança do hoje cadáver insepulto Eduardo Cunha (PMDB). Em maio era como se não houvesse caído a ficha de que Dilma deixaria o Planalto ao fim da votação. Nos últimos dias, isso parece claro e se refletiu nos conflitos lamentáveis na tribuna do Senado. Mesmo que parte do PT tenha deixado Dilma à própria sorte, é impossível ignorar que o ciclo de pouco mais de 13 anos do partido no poder chega ao fim. A não ser que Dilma consiga dizer na tribuna do Senado algo que ainda não foi dito.

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