Votação final do impeachment de Dilma Rousseff começa às 11h desta quarta-feira - Economia - O Sol Diário

Senado Federal31/08/2016 | 01h57Atualizada em 31/08/2016 | 01h57

Votação final do impeachment de Dilma Rousseff começa às 11h desta quarta-feira

Quinto dia de julgamento da presidente afastada teve lágrimas de Janaína Paschoal e José Eduardo Cardozo, acusadora e defensor

Votação final do impeachment de Dilma Rousseff começa às 11h desta quarta-feira Edilson Rodrigues/Agência Senado
Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado
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O destino de Dilma Rousseff (PT) chega traçado a esta quarta-feira, quando, a partir das 11h, ocorrerá a votação final do processo. Após uma espécie de catarse provocada pela presença da presidente afastada para defender-se em uma sessão que durou 14 horas na segunda-feira, o julgamento do impeachment voltou ao ritmo normal e aos longos discursos na véspera da votação que deve afastar a petista definitivamente da presidência da República.

Pela manhã, mais uma vez digladiaram-se os advogados de defesa e acusação – repetindo cenas, frases e argumentos usados à exaustão desde 12 de maio, quando o mesmo Senado decidiu por 55 votos a 22 que o processo de impeachment deveria ser aberto e Dilma substituída interinamente na presidência pelo vice Michel Temer (PMDB). Desta vez, com direito a lágrimas de Janaína Paschoal e José Eduardo Cardozo, acusadora e defensor.

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Após esse momento, teve início uma nova sequência de discursos de senadores em que se posicionariam sobre o impeachment, repetindo a coreografia da votação do afastamento em maio. A sessão terminou de madrugada. Nas falas, entrevistas e conversas de bastidor, estava claro que a presença de Dilma respondendo às questões dos senadores não alterara o cenário político, que continuava projetando a condenação por pelo menos 58 votos, quatro a mais do que o necessário.

– A presidente não apresentou nenhum fato novo que permitisse a algum senador mudar de ideia. Ela fez da sessão um grande palanque – afirmava o senador catarinense Paulo Bauer (PSDB).

Espécie de ministro informal do governo provisório, o senador Romeró Jucá (PMDB-RR) só deixava seu gabinete para conversar com jornalistas sobre as perspectivas da gestão definitiva de Michel Temer, que deve receber a faixa presidencial em cerimônia no Congresso Nacional logo após a votação do impeachment, antes de partir para viagem oficial à China. Jucá dizia que o projeto que limita dos gastos públicos deve ser aprovado ainda antes das eleições municipais e que a reforma previdenciária será feita até o final do ano.

– Ainda não temos o modelo. Vai ser mais difícil que isso aqui – afirmava, em referência ao próprio impeachment.

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A segurança já era demonstrada pelos neogovernistas no final da noite de segunda-feira, enquanto Dilma ainda repetia seus argumentos na tribuna. Líder do PSDB, Cássio Cunha Lima, da Paraíba, desdenhava da possibilidade de que a postura da petista, assim como os rumores de últimas articulações do ex-presidente Lula naquele momento, poderiam convencer senadores indecisos.

– Não existem senadores indecisos. Existem senadores que não abriram o voto. 

Aos aliados de Dilma, sobrava esperança e a expectativa de questionamentos ao processo fora do Congresso. José Eduardo Cardozo admitia que o resultado do impeachment no Senado será questionado no Supremo Tribunal Federal, com as alegações de que não foi garantido direito a defesa e de que os decretos que abriram créditos suplementares e a atraso dos pagamentos ao Banco do Brasil em 2015 não configuram o crime de responsabilidade exigido pela Constituição para depor um presidente da República. 

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Junto a esse processo, senadores protocolaram representações no Conselho Nacional do Ministério Público e no Ministério Público Federal contra o procurador de contas Júlio Marcelo de Oliveira e o auditor Antonio Marcelo Costa Dávila, do Tribunal Contas da União – que eles consideram terem agido de má-fé durante os processos que levaram à criminalização das chamadas pedaladas fiscais. Ambos foram convocados como testemunhas pela acusação, mas rebaixados a informantes após reclamação da defesa.

– Em seus depoimentos, eles incorreram em uma sequência de contradições gravíssimas que apontam que em determinada fase do processo atuaram como representante e depois como julgador. Houve deslealdade ao processo e clara e declarada má-fe – dizia Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

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Ao vislumbrar a sequência dos questionamentos ao impeachment em outras esferas, os petistas tentavam crer em uma improvável virada.

– É difícil saber o que se passa na cabeça das pessoas. Tem conversas, tem muita coisa acontecendo – dizia a senadora Regina Souza (PT-PI).

Roberto Requião, do Paraná, um raro peemedebista contra o impeachment, foi ainda mais enfático – e exagerado – em seu.

– Não é possível que só tenhamos no parlamento imbecis que queiram provocar uma guerra civil.

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