DGI, Coletores de Impostos e Custo Político eram senhas para propina da Odebrecht - Economia - O Sol Diário

Operação Lava-Jato27/09/2016 | 12h44Atualizada em 27/09/2016 | 12h48

DGI, Coletores de Impostos e Custo Político eram senhas para propina da Odebrecht

Polícia Federal analisou centenas de e-mails trocados por executivos da empreiteira e planilhas que mencionam valores enviados a facilitadores

DGI, Coletores de Impostos e Custo Político eram senhas para propina da Odebrecht MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Construtora foi alvo de três etapas da Lava-Jato e documentos apreendidos evidenciam, segundo a PF, pagamento de suborno Foto: MARCOS BEZERRA / FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Após três etapas tendo como alvo a Odebrecht em menos de um ano, a Operação Lava-Jato conseguiu arrecadar tanto documento que forma um quebra-cabeças difícil de elucidar. A tarefa coube, entre outros, ao delegado federal Filipe Pace. Com ajuda de peritos, ele analisou todo o material apreendido com executivos da empreiteira, sobretudo Benedicto Junior (ex-presidente da construtora) e Marcelo Odebrecht (herdeiro do grupo, preso em Curitiba há um ano e três meses, por força da Lava-Jato). Foi com esse tipo de análise que a Polícia Federal convenceu a Justiça a autorizar a prisão do ex-ministro Antônio Palocci, na 35ª fase, denominada Omertà, que ocorreu segunda-feira.

Palocci, por exemplo, era conhecido na Odebrecht pelo apelido-código "Italiano". Na justificativa para sugerir as prisões do ex-ministro e seus assessores, o delegado elaborou um anexo no qual aponta um esquema detalhado de controle da propina, com informes de cada gasto em corrupção patrocinada pela empreiteira.

São reproduzidos ali apelidos de funcionários públicos que receberam dinheiro e também de políticos. A maior parte, a PF admite, ainda não se sabe quem são e só poderão ser conhecidos quando Marcelo Odebrecht e outros diretores da empreiteira firmarem o acordo de colaboração premiada.

Como se sabe que era propina? Os próprios e-mails dão a entender isso, de forma clara. Uma das mensagens de Benedicto Junior para Marcelo Odebrecht, por exemplo, fala que é preciso pagar o "custo político" numa obra desejada pela Odebrecht, mas que acabou partilhada com a construtora OAS.

"Somos ocultos, portanto, dentro do acordo que fizemos (não conseguimos ficar dentro do canteiro) a OAS repassa o valor líquido de nossa participação para pagamento de tac e custos políticos", diz Benedicto.

Em outra mensagem, um executivo envia mensagem para Marcelo Odebrecht e diz:

"Recebemos da OAS um saldo sobre o aditivo que eles fizeram no projeto, preciso comparecer junto aos coletores de impostos com o valor de R$ 200 mil para o Santo". (...) 

Odebrecht pergunta para Benedito, com cópia para Sergio Bezerra, quanto que "entrou".

Bezerra diz que entrou R$ 896 mil. E diz que a parte que cabe a eles pelo compromisso seria R$ 199 mil.

A análise do delegado Filipe Pace:

"Este e-mail demonstra, supostamente, que muitas vezes os aditivos contratuais são formas de se aumentar os valores dos contrato com o objetivo espúrio de pagar propinas para pessoas corruptas. O termo "coletores de impostos", "santo"...., em tese, demostra compra de pessoas corruptas."

Após análise de centenas de e-mails, policiais concluíram que a propina também é conhecida como DGI (sigla até agora não interpretada pela PF) e Custo Político, além dos tais "Coletores de Impostos".

Leia mais:
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Alguns dos e-mails interceptados pela PF demonstram um suposto pagamento de suborno em 2004 em Porto Alegre, durante as obras de construção da Terceira Perimetral. É numa troca de correspondência entre Marcelo Odebrecht, e alguns dos principais executivos da empreiteira. No e-mail, Marcelo autoriza o repasse de R$ 119 mil para dois personagens do esquema, identificados apenas pelos codinomes "Animal" e "Três".

Do total, R$ 29 mil para Animal, a serem entregues em São Paulo, e R$ 90 mil para Três, cujo repasse deveria ser feito em Porto Alegre.

Os executivos informam que "finalmente fechamos a perimetral" e que o último faturamento correspondia a R$ 1,84 milhão, dos quais R$ 840 mil couberam à Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), que à época pertencia ao Grupo Odebrecht. Odebrecht concorda com o repasse a "Animal" e "Três", dando OK. A PF ainda não identificou quem são eles.

Veja aqui uma lista de apelidos de pessoas, de várias partes do Brasil, que receberam propina da Odebrecht (na interpretação da PF) e as quantias recebidas por eles:

Beija-flor _ R$ 98 mil

Legislador _ R$ 18 mil

Operador _ R$ 15.412

Orientador _ R$ 7.706

Turista _ R$ 91.200

Lampadinha _ R$ 22.800

Inimigo _ R$ 20 mil

Voador _ R$ 28 mil

Dunga _ R$ 28 mil

Veneza _ R$ 37 mil

Rio e Baianinho _ R$ 8.900

Gordo e Magro _ R$ 9.473

Americano _ R$ 17 mil

Bolinha _ R$ 549.252

Shark _ R$ 436.148

Cabeça _ R$ 30 mil

Casa de Doido _ R$ 269.790

Sr Estrela _ R$ 1.508.320

Sr Brasileiro _ R$ 188.540

Bragança _ R$ 188.540

Velhinhos _ R$ 286 mil

Doce _ R$ 100 mil

Barba Negra _ R$ 100 mil

Barba Verde _ R$ 20 mil

Animal _ R$ 29 mil

Três _ R$ 90 mil

Federal _ R$ 59.640

Santo _ R$ 20 mil

Tipografia _ R$ 6 mil

Serrote _ R$ 363 mil


 
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