"Farei um governo simples, sem inventar", diz Ivan Naatz - Economia - O Sol Diário

Eleições 201627/09/2016 | 08h31

"Farei um governo simples, sem inventar", diz Ivan Naatz

Em entrevista ao Santa, candidato a prefeito de Blumenau pelo PDT fala sobre propostas para a sua administração, como as parcerias público-privadas

"Farei um governo simples, sem inventar", diz Ivan Naatz Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Ivan Naatz (PDT) durante sabatina na redação do Jornal de Santa Catarina Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Durante uma hora, os colunistas Clóvis Reis, Fernanda NasserPancho, Pedro Machado, e o repórter Jean Laurindo deram sequência à sabatina com os candidatos a prefeito de Blumenau em entrevista com Ivan Naatz (PDT). O concorrente da coligação Coragem para Mudar Blumenau (PDT/PPL) falou sobre propostas que tem para áreas como saúde, educação, segurança pública e desafios como o transporte coletivo e parcerias público-privadas. Confira a seguir:

Jean Laurindo – Na campanha você vem dizendo que as duas candidaturas de maior estrutura são iguais, que desde 2005 aquele que ganha leva quem perde, mas em 2013 após se eleger vereador o senhor virou líder de governo. Em uma eventual vitória sua, o senhor aceitaria ou recusaria o apoio desses dois candidatos? E se não estiver no segundo turno, de que lado você estará?

Ivan Naatz – Digo que eles são iguais porque de fato eles são iguais. Não me arrependo de ter sido líder do governo, foi uma experiência extraordinária, só me arrependo de ter votado no Napoleão. Digo que eles são iguais porque a maioria das diretorias que estão no governo são do PSD (partido do candidato Jean Kuhlmann). Na Câmara de Vereadores, a base governista é do PSD. O líder do governo, vereador Robinho (PR), pede voto para o Jean no material de campanha. Na minha concepção política isso não entra. É uma pena que o eleitor não compreenda como funciona o processo eleitoral, ele não sabe nem o que é um líder do governo. Mas me preocupa muito que o líder do governo seja uma pessoa que esteja na campanha do adversário.

O material dele está aí para ver. Me preocupa também que uma grande maioria do PSD esteja ocupando cargos importantes do governo e não foram demitidos, desligados. Qualquer um pode ir na prefeitura e vai encontrar carros adesivados do Jean no estacionamento. O mesmo acontece na Câmara. Na eleição passada o Jovino pedia voto para o Napoleão. Hoje, pede para o Jean. Na eleição de 2014, para deputado, o Mário Hildebrandt andava todo adesivado do Jean, hoje anda todo adesivado de Napoleão. Então, a base governista, os cargos na Câmara, a eleição da mesa diretora, foi toda feita com o mesmo grupo político. No Seterb, no Samae. Eles governam juntos.

Jean – Não haveria o risco de eles quererem governar com o senhor também?

Naatz – Quero governar com pessoas. Acho que é chegada a hora de romper com alguns nomes, os mesmos de sempre. Agradeço de coração o trabalho do Paulo França, amo de paixão o Sérgio Galdino, entendeu? Mas... deu.

Pedro Machado – Mas considerando a seguinte situação: o senhor vem falando que acredita realmente que pode ir para o segundo turno. Disputando contra Napoleão ou Jean, o senhor aceitaria apoio do candidato que ficar de fora? Haveria esse diálogo?

Naatz – Nós vamos aceitar todos aqueles que quiserem apoiar uma nova forma de governar Blumenau. Unificando secretarias, extinguindo fundações, reduzindo o custo da máquina. Aqueles que concordarem com a prática da parceria público-privada com a proposta de desativar a rodoviária a fim de transformar aquilo ali em um centro administrativo, porque a prefeitura paga muito aluguel. Compactuar com a redução da máquina administrativa.

Dia 30 de junho nós fechamos o governo com uma dívida já clara para 1º de janeiro de R$ 50 milhões. Isso é o que mais me preocupa nesse processo eleitoral. Então tem que começar a apagar a luz, desligar o ar-condicionado, cortar o aluguel, dispensar automóveis, cortar cargos de comissão, fazer jornada diminuída. Enfim, vamos aceitar o apoio de qualquer um que concordar com essa proposta.

Pedro – E em um outro tipo de situação, caso o senhor não vá para o segundo turno, como se posicionaria?

Naatz – Olha, não tenho posição formada ainda porque a meu ver os meus adversários são iguais. Um me enganou e engana. Outro representa um grupo político que já mandou e manda na cidade e que, sabemos, não tem trazido muito resultado em termos de obras e realizações. Teria muitas dúvidas. Mas sou um partido político, né. Certamente essa vai ser uma decisão do partido, não minha.

Fernanda Nasser – Ivan, como você tem lidado com o luto? Tem cabeça ainda para tocar uma campanha?

Naatz – Sofri uma grande perda da qual ainda faço tratamento psiquiátrico e psicológico. Faço tratamento químico pela perda do meu filho (morto aos 20 anos em um acidente de trânsito nos Estados Unidos, em 2013). Choro ainda todos os dias, porque sinto muita falta dele. Isso me atrapalha um pouco. Mas por outro lado isso também me fortalece. Porque ele não ia querer que parasse a minha vida (choro e pausa para beber água). É que ele me faz muita falta. Era meu escudeiro. Faz três anos, mas continuo muito depressivo.

Fernanda – E você perdeu recentemente a mãe também, né?

Naatz – A minha mãe sofria muito. Ela sofreu um acidente de trânsito quando eu tinha quatro anos. Ela perdeu uma parte significativa da perna. Criou uma ferida na perna dela que sobreviveu 40 anos. Ela foi diarista a vida toda, era uma pessoa especial, maravilhosa. Criou os quatro filhos, colocou os quatro na universidade, educou todo mundo com muita personalidade, foi uma mãe extraordinária. Mas depois que ela perdeu meu pai, que foi perto do meu filho, uma semana de diferença, ela caiu muito. Não se alimentava mais sozinha, já não teve mais como se locomover. Nesses três anos ela foi diminuindo muito a ponto que desse ano para cá era esperado o passamento dela de uma hora para outra. A gente já foi se preparando. No fim, a gente acha que descansou porque ela estava sofrendo muito, já respirava só por oxigênio.

Jean – Em outra entrevista você falou que a morte do seu filho mudou a forma de lidar com a campanha para deputado em 2014. A morte da sua mãe neste ano interferiu na campanha?

Naatz – Não. Não, porque levanto de manhã e vou. E naquela época da eleição para deputado a gente não conseguia levantar. Teve dias que cheguei no meu escritório às sete e meia da manhã, saí de lá onze horas da noite e pedia meu próprio alimento lá para não ir para a rua. Não conseguia ir para a rua. Fiz 12 mil e poucos votos para deputado em Blumenau e não fiz uma reunião em uma casa de ninguém. Não visitei uma fábrica, não fui em lugar nenhum. A gente só fez a campanha visual. Não foi uma campanha presencial. Aí, onde que faltaram os mil e poucos votos para a gente se eleger. Se olhar as características daquela eleição, foi uma votação extraordinária.

Clóvis Reis – Você tem um jeito diferente de fazer política e até aproveita isso do ponto de vista de marketing. Mas tens uma história um pouco diferente dos demais. Você trabalhou em fábrica. O que esse passado te ensinou que hoje te ajuda a enfrentar o desafio de ser candidato a prefeito?

Naatz – Sou um cara que não tenho medo das coisas. Sou uma pessoa que  tem os planejamentos dois anos à frente. Sei que vou começar a construir um prédio na praia com recursos próprios. Já sei o dia que esse prédio vai ficar pronto. Quando comecei a faculdade já sabia que ia fazer isso, depois isso. Quando meu filho nasceu, pensei: “poxa, queria que ele fizesse uma faculdade no exterior. O que eu faço?”. Fui conversar e encontrei um gerente de banco que me disse que deveria fazer previdência privada de 20 anos. Foi assim com meu filho mais novo.

Planejo muito as minhas coisas. Fui para a fábrica, para a sala de aula, sempre sabendo que um cara que nem eu, que não tem berço, não tem lastro familiar. Não sou um cara que frequenta grupos econômicos. Não tenho nada contra isso, mas não faço parte de agremiações, igrejas, colégios. Então, uma pessoa como eu, que não tive muita oportunidade, meus pais eram analfabetos, só tinha uma forma: estudar. É onde fui focar. Comecei no curso técnico. E fui para a fábrica trabalhar como eletricista, ganhava mais. Ganhava mais, podia pagar a faculdade.

Clóvis – Quem o inspirou como político?

Naatz – Não tive nenhuma inspiração política. As coisas começaram com naturalidade. Movimento social, ações populares. Gosto muito de desafio. Quando eu, por exemplo, comecei a discussão da redução do número de vereadores. Estava fazendo uma especialização na Universidade de Coimbra, em Portugal, e lá conheci o ministro Celso Veloso. Ele, numa das palestras, falou da representação, equidade e aquilo me chamou a atenção.

Comecei a estudar a disparidade do número de vereadores e preparei uma ação popular para reduzir o número de vereadores em Blumenau de 21 para 14. Quando fui protocolar, encontrei o desembargador Jorge Beber na porta do fórum. Perguntei se era competência da Justiça Eleitoral ou da Justiça Comum. Ele olhou a ação: “você é louco”. Quando ele falou isso ele me provocou. Me deu todas as energias que eu precisava para mostrar para ele que estava errado.

Pedro – Você se acha um louco, Ivan?

Naatz – Não! Às vezes, para fazer esses desafios como reduzir vereadores, salário de vereadores...

Pedro – Digo, tirar dinheiro do próprio bolso para enfrentar uma campanha, com dois caras que estão mais estruturados...

Naatz – Tenho o prazer de dizer que o dinheiro é meu. Não é dinheiro de empresa, dinheiro de jantar. Porque agora eles inventaram jantares, que é o famoso caixa dois. Jantares são caixa dois! Que as empresas compram para os seus funcionários irem jantar. Não faço jantares. Uso meu próprio dinheiro, das minhas empresas, meus negócios. A vocação política veio dessas... Pô, por que o transporte coletivo aumenta o preço assim, como quer? De onde vem isso aí? Gosto de ir lá dentro do negócio, esmiuçar, fuçar.

Jean – O Clóvis perguntou de influências, você é um homem de esquerda, de centro? Como você se posiciona?

Naatz – Sou um cara que acredito que a gente tem que mudar algumas concepções. Por exemplo, acredito na diminuição do Estado, coisa que não acreditava há bem pouco tempo. Acreditava na manutenção do Estado como ele é. Hoje acredito piamente que é hora de diminuir o Estado, ao máximo que for possível. Quando acredito nisso já falo de parcerias público-privadas, privatizações, já acho que isso é uma boa. Era contrário.

Por outro lado, sou contra a redução de direitos trabalhistas, flexibilização das leis, redução de jornada de trabalho, “ah, vai para casa hoje, volta amanhã, quando precisar tu vens aqui, hoje tu vais trabalhar 12 horas, amanhã só quatro”, retirar fundo de garantia, essas conquistas que o trabalhador foi acumulando durante todas essas décadas considero que não devem ser alteradas em hipótese alguma. Então tenho uma linha conservadora em um lado, mas outra muito progressista em outras.

Pedro – Quando houve essa mudança de pensamento?

Naatz – Quando você começa a fazer parte da política, ler muito sobre o tema. Tua visão, quando tu começas na política, é assim (estende as mãos na vertical ao lado dos olhos). Quando você vai conversando com as pessoas, participando, ampliando teu leque de relacionamentos, e se você não for nenhum bobo, tua cabeça vai abrindo (gira as mãos liberando a visão das laterais). É isso que está acontecendo nos últimos anos, tenho uma cabeça muito aberta.

Fernanda – Você ainda está casado?

Naatz – Sou casado há 27 anos.
 

Fernanda – E qual é o papel da primeira-dama para você no município?

Naatz – Não, a Ana não será uma primeira-dama. Ela será uma mulher como é hoje. Minha esposa trabalha no serviço social voluntário gratuito, lá no Instituto (Willian Naatz, que atende vítimas do trânsito). Acho que dali ela não sai para nada. E ela também não quer.

Pancho – Naatz, você falou em transporte público: você sempre foi um questionador desse modelo e não conseguiu emplacar a CPI, mas como prefeito o que mudaria nesse modelo que está sendo colocado com a nova licitação e não está correto ou pode ser melhorado, de acordo com suas ideias?

Naatz – Bom, suspendo o processo licitatório porque acho que há alguns equívocos, a gente não avançou. Em 2007 a licitação tinha 241 ônibus. Essa tem 240. Ela tem menos ônibus do que nove anos atrás. Suspendo a licitação porque acho que tem muitos equívocos nesse processo. Suspendo para fazer a licitação por lotes, economicamente equilibrados entre si. Acho muito perigoso entregar o sistema do transporte coletivo por 20 anos. Depois a gente sabe que vem uma lei que prorroga para mais 10, vocês sabem como funciona isso aí. Não é 20 anos, é mais.

Acho perigoso colocar na mão de uma só empresa. Tem que ser lotes equilibrados, faço sempre questão, porque temos linhas rentáveis e outras deficitárias, tem que fazer esse equilíbrio para ampliar os interessados no processo de exploração do transporte coletivo, não concentrar em um só. E avançar. Essa licitação não avança em nada. Ela nos remete para 2007. Os ônibus não têm piso rebaixado. Sabe o que é um carro que sai da fábrica sem ar-condicionado. É isso que vamos receber. Não tem especificação com relação aos tamanhos (dos ônibus), não há comprovação de ampliação de itinerário. Não temos ônibus com sistemas de carregador de bateria, wi-fi. É uma licitação sem nenhum avanço. E se a gente não avançar, o que vai acontecer? Vamos manter o sistema atrasado e afugentando o usuário.

No último ano temos 5% de queda no uso de transporte coletivo. Isso significa que nos últimos quatro anos 20% deixou de usar. Quando as pessoas deixam de usar o transporte coletivo, a gente tem dois problemas. O primeiro é que o transporte vai ficando deficitário. Vai diminuindo linhas, cortando horários e se tornando mais caro. E segundo é que ele não possibilita que as pessoas voltem a usar o sistema, que é o que a gente quer. Não adianta fazer um transporte coletivo para ter. Para ter, tem essa coisa que botaram aí! A gente tem que fazer um transporte coletivo para evoluir, resgatar o usuário. E essa licitação não tem nada disso.

Pedro – Você faria novamente todas as audiências públicas pedindo novamente sugestões às pessoas?

Naatz – Não, acredito que dá para aproveitar porque as audiências deliberaram por isso, por lotes. O governo é que não fez. E se vocês quiserem falar de licitação, também posso dizer que isso é uma licitação de cartas marcadas, dirigidas para que essa empresa ganhe.

Jean – O que te faz acreditar nisso?

Naatz – Todos os dados que tenho, concretos. Por exemplo, dia 2 de janeiro a reunião da Piracicabana já determinava a instalação da filial Blumenau. Dia 26 de janeiro, se não me engano, o contrato social da Piracicabana já incluía a sede Blumenau. Logo depois a gente teve o reajuste da tarifa, em seguida a caducidade e, em 24 horas, 200 ônibus, 100 ônibus, sei lá quantos aqui na porta. E mais: a CPI do transporte coletivo não saiu porque o governo, na minha opinião, planejou tudo isso. Ele foi o responsável por toda essa quebra. Primeiro, em 2012, veio o José Eustáquio, que comprou a Glória.

A partir daí pararam de pagar fundo de garantia, recomeçou a cortar salário, vantagens, pressionar os trabalhadores e instigar o sindicato. Pra quê? Pra começar a quebrar o sistema. Do nada, o governo nomeia Sérgio Chisté para ser o presidente do Seterb. De São Paulo. Quem é Sérgio Chisté? Da onde veio? Que campanha para o Napoleão esse cara fez? De onde surgiu Sérgio Chisté, ex-presidente do Seterb? Da mesma cidade de José Eustáquio. Então começaram a criar problemas para chegar no final de um determinado período, falir o sistema, propositalmente. E isso, anotem aí, vai se transformar numa indenização milionária para o município pagar. Muito mais do que o processo da Cavo (antiga concessionária de lixo da cidade), que já está em R$ 40 milhões. Porque a Rodovel e a Verde Vale vão provar judicialmente que elas foram golpeadas. Não tinham fundo de garantia e salário atrasados, elas não tinham nada com isso aí.

O sistema foi quebrado por ordem do Siga, comandado pela Glória, José Eustáquio e Sérgio Chisté. Não fizeram fiscalização, não multaram, não acompanharam. Mais, foram incentivando: multando, suspendendo, trancando ônibus, mandando alvará. Sabe? E o processo da Piracicabana não é novidade para ninguém. É um processo conhecido, está no Brasil inteiro, processo de Brasília que a gente conhece. Então é um processo de cartas marcadas. Por isso não saiu a CPI do transporte coletivo, porque eu provaria a todos que esse é um processo viciado.

Pedro – Suspender ou revisar a licitação empurraria ainda mais a definição de uma nova empresa. Talvez se você fizer isso assumindo o governo a gente teria uma nova empresa contratada talvez só em 2018. Como fica a questão do transporte com contratos emergenciais?

Naatz – Olha, quando o alicerce de uma casa começa errado, pode chamar o melhor pedreiro do mundo que as paredes não ficarão retas. É o custo disso tudo. Se for preciso manter um ano o contrato emergencial para que a gente faça uma licitação que resgate de verdade a credibilidade do transporte público, não tem problema nenhum.

Pancho – E a concessão do esgoto, que também sempre foi questionada por você, que rumo isso tomaria num governo seu?

Naatz – Nenhum. Os contratos seriam mantidos porque têm validade jurídica, não tem o que fazer. Não por meu desejo. Mas tenho conhecimento jurídico e compreensão suficientes de que esse contrato está consolidado e nada mais pode ser feito. O que eu faria com relação à Foz é exigir o cumprimento do contrato, o que o governo não faz. O governo permite que a Foz faça as escavações como fez aqui na Rua Bahia, deixa tudo nesse estado que está aí.

Na minha rua, a Rua Coronel Vidal Ramos, a Foz passou, destruiu calçada, meio-fio, ninguém cobrou. E também não há até agora cientificidade suficiente para comprovar que eles de fato tratam o esgoto que colhem. Ninguém consegue provar isso. Então, talvez nesse sentido faça uma avaliação, uma auditoria para que eles cumpram o contrato. É só isso que a gente quer. O governo passado fez uma renegociação, começou com 98%, lá em 2012 escrevi que em 10 anos eles estariam com 120% do preço da água. Começou com 98% e já está em 117%, mas isso tudo não tem mais como voltar atrás, porque existe uma segurança jurídica que deve ser preservada.

Pancho – Voltando à mobilidade, tens a proposta de transformar a margem esquerda em rua em vez de um espaço de convivência do pedestre, ciclistas, formando parque ciliar ali no Centro. Não é um contrassenso privilegiar o carro em vez de privilegiar os pedestres, as pessoas, a caminhabilidade, a integração das pessoas com o rio? Por que transformar a margem esquerda em uma via para veículos?

Naatz – Acho que é muito bacana isso aí, sou mestre em Desenvolvimento Regional, não tenho dúvida nenhuma do que você falou, acho que tudo isso é importante. Mas acredito que dá para fazer as duas coisas. Moro na Alameda e trabalho na Rua Paulo Zimmermann. Ando na Beira-Rio todos os dias e posso passar 20 vezes lá e não vejo ninguém olhando o rio. Não que isso não seja importante, mas sabe, tem muito defensor de capivara.

Fernanda – Mas você não acha que talvez fosse mais aproveitado no turismo de lazer, com a margem do rio?

Naatz – Conheci a Prainha, frequentei... O problema é que as filas dos automóveis estão lá no trevo do Sesi. Para atravessar a República Argentina entre cinco e seis e meia da tarde é uma hora. E isso exige um desafio, um sacrifício. Compreendo as bicicletas, compreendo as caminhadas, acho que são importantes, mas as pessoas usam carros. Claro que esse é um debate que acho interessante, mas que certamente será apresentado para a sociedade. Tenho o prazer de viajar muito e vejo isso até aqui no Brasil. Dá para ter as duas coisas, o carro e as pistas, as caminhadas.

É só uma questão de engenharia. Depois, a nossa proposta, que sai lá da Ponte dos Arcos, vem pela margem esquerda, passa por baixo das duas pontes, já tem a primeira entrada depois da Ponte de Ferro, depois segue com uma nova ponte, lá para 2000 e não sei quando, que liga no morro da Boa Vista e daí na margem esquerda. Porque em pouco tempo a Martin Luther vai estar congestionada também. E como a gente atravessa a cidade se não pela Martin Luther? Claro que a gente queria ter uma cidade como Miami, também queria morar em Hollywood, mas lamentavelmente não dá. A gente vai ter que fazer alguma coisa. Quando fizeram a margem direita do rio também todo mundo disse que não ia dar certo. Agora imaginem a cidade sem a Beira-Rio! Graças a Deus ele teve a coragem de fazer isso.

Clóvis – Qual é a tua ponte?

Naatz – Nós vamos ter um governo simples. Não vamos inventar. Vamos pegar o que já está andando. Vamos pegar o dinheiro do BID, que estamos pagando, acho que R$ 28 mil por mês por não usar. O prefeito inventou, criou um problema para a cidade e para ele mesmo. Vamos voltar com o que já está aprovado: ponte da Rua Chile com a (Rua Rodolfo) Frygang, projeto que já está aprovado pelo BID. Estender os corredores de ônibus, fazer os terminais do Água Verde e da Itoupava Central e concluir a Rua Humberto de Campos. Pronto, sem inventar.

Aí, paralelo a gente trabalha o Anel de Contorno Norte-Sul, que já estão em andamento. Vou resgatar o IPPUB, porque os engenheiros estão todos espalhados. Sabes que eles contrataram a Iguatemi. A Iguatemi faz tudo, tem uma sala dentro da prefeitura. Acho que se num governo de quatro anos a gente fazer esses projetos que já estão encaminhados, está ótimo. Dentro do que é possível fazer. Por isso nosso governo vai ser um governo simples, sem muitas promessas, até porque o endividamento é enorme. Não há recursos.

Fernanda – O que você pretende fazer pela qualidade do ensino?

Naatz – A grande reclamação hoje, os professores estão totalmente desanimados. Os vocacionados ainda estão presentes, mas estão completamente desmotivados. Tem que dar esperança para esse povo, resgatar a estrutura das escolas, porque se não fosse as APPs não teria uma bola para jogar. Na cidade do Napoleão, as crianças nadam em piscinas, fazem práticas esportivas maravilhosas. Os portadores de necessidades especiais na propaganda de televisão têm um carro que busca e leva, piscina para nadar. Na realidade as nossas escolas estão caindo aos pedaços. Se não fossem as APPs, as pasteladas, as galinhadas.

Jean – Como mudar isso?

Naatz – Acho que a gente tem que, primeiro, resgatar a paixão do professor.

Fernanda – Mas como? Aumentando salário?

Naatz – Qualquer um que chegar aqui e disser que vai melhorar salário de professor está mentindo. Porque nós estamos no limite prudencial da folha de pagamento. E professor é a maior categoria do município, por isso tem o maior reflexo na folha. Não é que não se queira dar. O problema é que dar R$ 100 para cada professor o impacto é desse tamanho (afasta os braços com as mãos estendidas). Não é dar R$ 1 mil para cada engenheiro, nesse caso o impacto é pequeno. Então, não vai ser por melhoria de salário. (Vai ser por) Plano de Cargos e Salários, relações humanas.

O servidor quer ser tratado com carinho, quer ter um departamento médico para ele não precisar ir para o SUS. A classe tem muitos problemas médicos. Quem sabe tendo um departamento de Medicina, como já tinha, para atender essa categoria. Ser parceiro das APPs para ajudar a ter uma escola mais digna e organizada. Não perseguir politicamente. Trazer para a administração, porque hoje eles trazem para cuidar da Secretaria de Educação quem não é professor, quem é do quadro político. Isso revolta os funcionários. E ter uma linha permanente com o sindicato, de negociação, avanço, melhoria. Enfim, sou do PDT. Meu sonho era a escola integral.

Jean – No seu plano de governo há a proposta de creche social privada, para quem pode pagar um pouco, mas não pode pagar integralmente o valor. Como vai ser o critério para diferenciar quem pode pagar de quem não pode?

Naatz – Tenho olhado os programas eleitorais, aí um promete fazer cinco policlínicas. Outro promete construir não sei quantos ambulatórios. Outro promete pôr raio-x não sei aonde. Nas minhas campanhas políticas não têm nenhum tipo de promessa desse tipo. Porque ninguém vai cumprir. Nada. E as creches que estão prometendo construir também não vão cumprir. Porque não tem poder de endividamento. Não tem como. Então, o que tem que fazer? Atrair a iniciativa privada. Temos que transformar esse negócio num negócio.

A creche social privada não é invenção minha. É um programa do Sebrae com o Proinfância do Ministério da Educação e Cultura. Existem linhas de crédito para aqueles que querem explorar serviço de creche. É o município ser o fomentador desse negócio. E ser o garantidor das vagas, nós vamos comprar vagas. Porque é economicamente viável e um pepino que se livra. Quando tu tens uma estrutura de um CEI precisa de um eletricista se não funciona uma tomada. Quando queima uma lâmpada vai um eletricista, quando quebra um cano tem que mandar um encanador, quando o telefone não funciona, quando a servidora não vem trabalhar, tem que arrumar um servidor quando entra de férias. Se livra desse pepino.

Vamos fazer esse programa Pró-Infância do Sebrae, que é a creche social em que o município paga um pouco, o pai paga um pouco e a União paga um pouco. Hoje muitos pais não podem pagar R$ 600, que é a média de uma creche, mas podem pagar R$ 160, R$ 180. Não há essa opção no município. Ou você tem uma creche particular ou uma creche pública. Tenho certeza que se criar esse mercado no final de seis (meses), um ano, que é o tempo que leva para ter as primeiras, a gente tira as vagas daqueles que não pagam nada mas querem botar naquelas que paga um pouquinho para abrir vaga aos novos. Não vai custar nada.

Vai ser bom ao município, que não vai ter despesa nenhuma, é só ir lá pagar as vagas. A única responsabilidade do município é aquela que determina a lei da educação, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), porque o programa pedagógico é do município, ele faz a fiscalização do programa pedagógico, como faz nas escolas particulares. A gente resolve um problema sem botar nenhum centavo.

Jean – Não pode haver perda de qualidade?

Naatz – Não. O particular no Brasil é sempre melhor que o público. Ou não é?

Jean – Pretendes construir também novas creches?

Naatz – Não é que não pretendo construir, é o que estou dizendo: não tem dinheiro para fazer nada. Não adianta prometer porque não vai construir, não tem. É que o cara vem de Florianópolis, passa dois anos como deputado lá, e não sabe se a prefeitura deve ou não deve, não vota a lei orçamentária, não sabe se o município tem crédito ou se não tem. Não conhece nada do município.

Aí vem um cara que ficou 12 anos em Brasília, não sabe nem onde fica a Rua XV. Aí vem um comunista que passou dois anos em Florianópolis, caiu aqui, não sabe o que fez. Então não conhece as contas. Só tem dois caras que conhecem a conta da prefeitura. Eu e o Napoleão. Outro desafio que a gente vai fazer é as creches domiciliares, que essas vão resolver o problema mais rapidamente. A gente já teve 39 creches domiciliares e hoje só tem duas. Acho que é por aí que a gente vai ter que começar a trabalhar.

Clóvis – Nessa perspectiva de falta de recursos, que realmente acredito que não melhore tão cedo, vai haver congelamento agora dos investimentos federais. Como resolver os problemas da saúde? Nas creches, parece que tens uma solução. E na saúde?

Naatz – O médico Amauri Cadore, que é meu vice, profissional extremamente capacitado, homem muito bem-sucedido profissionalmente. Ele me disse o seguinte: “Ivan, só tem uma coisa para fazer na saúde em Blumenau: garantir a presença de médico no posto de saúde”. É isso que a gente precisa fazer nesse momento. Hoje existe uma política de autoproteção aos médicos. Excesso de atestados, um dá atestado para o outro, marido dá atestado para a mulher, amigo para o amigo. Vocês não acreditam o número de atestados que têm. Se você cruzar as informações vai ver que nos voos estão as mesmas pessoas. Acabar com essa farra de atestados, autoproteção, com a conivência da Secretaria de Educação porque é um nicho eleitoral muito grande, os médicos são de fato um cabo eleitoral muito grande.

A gente tem que garantir a presença do médico, do corpo que já tem. E a permanência dos medicamentos de uso contínuo. Isso é fundamental. Se o cara tem um problema do coração, ele vai tomar remédio a vida toda. Tem que saber que em janeiro precisa ter o remédio lá para ele. Como não é o município que compra, é só uma política de receber. Como vamos receber? Vamos garantir a presença do médico nos postos de saúde. E onde não tiver vamos tentar captar médicos de fora. Antecipar o Plano de Cargos e Salário que o Napoleão passou para 2019, 2020 e 2022. Acho que ali é a única categoria que a gente vai precisar fazer uma atração. Não podemos pagar menos que Indaial, Timbó, Ascurra. Se a gente pagar menos que os municípios vizinhos, não tem como. Só vai resolver assim. Vamos pagar mais que os municípios vizinhos.

Pancho – Em relação à segurança pública, o município não tem muita atribuição nesse sentido, mas poderia contribuir de alguma maneira. Qual é a tua sensação sobre a segurança pública hoje em Blumenau e de que forma a prefeitura atuaria nessa área?

Naatz – Bem, além daquela balela de sempre de iluminação, manter limpo, sabe, aquilo que a gente fala toda hora. A minha ideia é desativar a Guarda de Trânsito no período do mandato, até o fim do período ou até o novo prefeito que vier ter condições de extinguir a Guarda de Trânsito. Nós podemos fazer a Guarda Municipal a partir da Guarda de Trânsito, sem muitas despesas. Tem muita gente na Guarda Municipal que foi tenente do Exército, foi policial militar, NPOR, capitão temporário. Tem muita gente dentro da guarda que tem condições de se transferir para a Guarda Municipal. Vou desvincular a guarda do Seterb, que é um crime o que fazem hoje.

Seterb é um departamento de fiscalização, não tem nada a ver com a Guarda Municipal. Guarda é segurança pública. Vamos desvincular a gestão da guarda para a Secretaria de Defesa do Cidadão e Segurança Pública. Vai ser tratada não como um grupo do Seterb, mas como uma instituição de segurança pública da cidade. Logo em seguida a gente começa a apresentar a proposta de transformação da nossa Guarda de Trânsito em Guarda Municipal, aproveitando os quadros que permitem isso. A guarda ostensiva, armada, porque só acredito no poder de polícia ostensivo. Esse negócio de guarda para cuidar de escola, praça. Isso é vigia. Quem cuida de escola e praça é vigia, estou falando de Guarda. Aproveitar dentro desse quadro, a gente vai fazer dentro desse quadro a transferência desse pessoal para começar a Guarda Municipal. E o modelo é o de Balneário Camboriú. Só que lá começou novo.

Por isso disse que nosso governo não vai inventar, nós vamos simplificar. Se já temos em Balneário Camboriú, tem uma lei lá, funciona, está implantado, todo mundo gosta, por que vamos inventar? Vamos copiar deles. Se a gente faz a Guarda Metropolitana a partir da guarda, acho que a gente faz um grande passo, porque a gente aproveita o que já tem, que está ocioso, tá. Se o cara caminha o dia inteiro lá dentro da Rua XV esperando para multar um carro. É isso que acontece hoje. Vamos pegar esse pessoal e começar a Guarda Metropolitana por ali. Se faltar gente, faz concurso para preencher o quadro. Mas não fazer concurso para 60, né.

Vamos fazer para 10, 12, para começar. De repente, o quadro não consegue dentro da guarda gente suficiente com todos os testes, todos os aparatos que precisa para ser um policial armado. Ou se a gente não puder tirar porque vai fazer falta no corpo da guarda, a gente abre concurso para preencher esses pequenos espaços. Mas no final de quatro anos, meu desejo é que a Guarda Municipal de Trânsito se transforme na Guarda Municipal Metropolitana. Acho isso muito viável.

Pancho – A sua ideia de trazer o privado para ajudar atingiria também a Companhia Urbanizadora de Blumenau?

Naatz – No dia 1º de janeiro baixo um decreto extinguindo a URB. A URB é um câncer. Nem com quimioterapia, nem com radioterapia. A URB é o maior cabo eleitoral, é uma vergonha. Na URB o pai... Se eu quiser empregar o meu irmão... Eu não, porque eu sou da oposição, mas qualquer vereador emprega o irmão, o pai, o tio, a tia, sobrinho, papagaio na URB, qualquer um. A maioria dos pais dos chefes de gabinete de vereadores da base estão empregados na URB. A URB não paga corretamente o fundo de garantia, a URB não paga o vale-alimentação, não cumpre seu papel de executar obras. E todos os nossos problemas graves derivam da URB. Tem que extinguir.

Nós vamos extinguir a URB, ocupar aquele espaço que tem lá para alocar duas secretarias que pagam aluguel, que são a de Educação e Assistência Social. E os funcionários da URB que são concursados serão remanejados para a Secretaria de Serviços Urbanos, que vai se juntar com a Secretaria de Obras. Como são da mesma categoria não tem problema. Sou o advogado com o maior número de ações trabalhistas contra a URB, sei o que é a URB, advogo contra a URB, tenho processos contra a URB. A URB não paga ninguém. Massacra. Não há controle nenhum sobre a URB.

Pedro – Dentro dessa tua proposta de fusão de secretarias e autarquias, você já fez um cálculo de quanto isso representaria de economia para o município? E onde esse dinheiro seria investido?

Naatz – Pagar dívida. A dívida finalizada em 30 de junho fechou em R$ 50 milhões. Até 2022 o município deve R$ 498 milhões. Nesse momento agora não tenho ideia, mas acredito que é na fatia de milhões de reais para a cima (a economia gerada com as fusões). Porque só a unificação da Fundação Cultural com a de Esportes nos permitiria vagar o prédio da Fundação Cultural, a antiga prefeitura. Se a gente desloca a Fundação Cultural para o prédio da Fundação de Esportes a gente vaga aquele espaço. Aquele lugar pode receber uma autarquia que está pagando aluguel.

Nesse momento não é possível mensurar exatamente, mas são milhões de reais que seriam economizados com essas medidas. Mas para isso você não tem que ter compromisso com cargo comissionado, com partido político. Posso fazer porque faço meu projeto de renovação administrativa, para ficar na história de Santa Catarina, uma administração totalmente atípica de tudo que a gente vê por aí. Quem pode fazer? Os que já passaram por aí? Precisa ter muita coragem para isso.

Pancho – Em relação à Oktoberfest, passarias ela mesmo para a iniciativa privada?

Naatz – Discutiria com a sociedade. Acho que o padre João Bachmann faz uma festa de fim de semana e bota R$ 200 mil no caixa. A gente faz uma festa de 21 dias e comemora R$ 40 mil. A rainha da Oktober, acho legal, mas está na Alemanha ela e mais cinco pessoas na festa de Munique. Acho bacana. Mas só queria dizer isso para dizer que a Oktober começa a dar despesa no dia que ela acaba.

Se vou fundir a Secretaria de Turismo com a Fundação Vila Germânica para diminuir os custos dessa máquina, seria extremamente interessante a gente terceirizar a festa. Claro que não é decisão minha, vou discutir, conversar com a sociedade, ouvir as pessoas, mas a Festa do Peão de Boiadeiro é terceirizada, a Festa das Ostras, lá em Florianópolis, foi terceirizada, Carnaval está terceirizado.

Pancho – E o Aeroporto Quero-Quero?

Pedro – Tem a rodoviária também. É um pacote de infraestrutura turística que o senhor tem intenção de terceirizar.
Naatz –
Discuto com a sociedade. Tenho uma vaga convicção que é hora de vender. Aqui é o leilão da festa. Dá para cá o dinheiro e fica com a festa para ti. O dinheiro vou botar nas escolas, vou reformar. Claro, tudo contratual, a festa não pode sair daqui.

Pedro – Mas isso não é papel da prefeitura, fomentar festividades turísticas?

Naatz – Não, é papel da prefeitura cuidar bem do turista, manter os hotéis funcionando, taxistas bem tratados, restaurantes com Vigilância Sanitária funcionando regularmente, não permitir que se explore adequadamente serviços externos. Agora é papel da prefeitura fazer licitação para quem vai vender cachorro-quente lá dentro da Oktober? Quem vai vender pipoca, onde vai ficar o carrinho da pipoca? A prefeitura tem que se preocupar com isso?

O aeroporto é outro problema. Acho importante o aeroporto, não devemos desativar, mas, meu amigo, quem quer o aeroporto, fique com ele. O empresariado quer o aeroporto? Tem lá, acho que 16 aeronaves que pertencem a nove pessoas. Então, tem gente que tem mais de uma aeronave. Acho importante. Tem todas as suas razões, não tem nada que fechar aeroporto, mas quem quer aeroporto aberto que cuide dele. É isso.

Pancho – E qual deve ser a relação da prefeitura com o futebol?

Naatz – É fundamental o investimento em esporte. Seria o sonho de qualquer prefeito entregar o estádio municipal. A cidade que vive o futebol tem amor, alegria, um ar. Agora quando fui deputado estadual pude ir duas vezes a Chapecó e sinto a alegria com seu time de futebol. Mesma coisa é em Florianópolis, em Lages, que voltou agora à primeira divisão do Estadual. Joinville. Onde tem futebol tem alegria, tem vida, as pessoas se sentem realizadas. Tem que construir o estádio, ser parceiro. Município tem que construir o estádio, ir lá no Ministério do Esporte. Serei um grande parceiro. Seria uma honra poder entregar o estádio do Metropolitano. Acho que sem o estádio, não vai ter futebol. Agora, o estádio tem que ser economicamente viável. Se não ficará mais um elefante branco para dar problema, mais um Galegão.

Clóvis – Tens um estilo eloquente, brigão, mas estou sentindo que tuas propostas são comedidas, não arrisca orçamento, aventuras. Estás adotando um discurso mais moderado diante da possibilidade de ganhar a eleição?

Naatz – Estou falando para vocês o que acredito. Sou Ivan Naatz, tu me conhece. Não sou um cara de mentir, de enrolar, de enganar. Sou assim mesmo. E o que estou falando pra ti, se for prefeito da cidade vou fazer.

Pancho – Mas sabes que é difícil governar dessa maneira sem apoio político.

Naatz – Olha, quantos vereadores o Napoleão elegeu? Dois. Quantos ele tem na base? Dez. Com Luiza Erundina, eram 60 vereadores em São Paulo. Ela elegeu quatro, tinha 56 contra ela. Fez o melhor governo da história de São Paulo. Sei como lidar com a Câmara de Vereadores, com a classe política. Aprendi muito nesse período que estive lá, não fui para lá para dar nome em rua nem boca de lobo. Fui o vereador que mais apresentei emendas à Lei Orgânica.

Todos os planos econômicos tiveram as emendas mais significativas partindo de mim. Fui lá para me preparar muito. Não tenho medo nenhum dessa relação política. Vou trabalhar com a sociedade civil organizada, entidades. Acho que todo mundo está querendo mudar também. Está todo mundo de saco cheio com o sistema que vige hoje. O cara cria o Conselho da Juventude. O presidente do Conselho da Juventude é candidato a vereador. Essas coisas ninguém quer mais, a sociedade está rejeitando.

Jean – Na campanha política você critica a fiscalização por radar, propõe isenção de Área Azul para motos e o fim de cobranças a dívidas de menos de R$ 3 mil. Nesses pontos específicos não há risco de causar um prejuízo financeiro ou social ao município para dizer muitas vezes algo que o eleitor gostaria de ouvir?

Naatz – Da minha boca não haverá nada para dizer que o eleitor quer ouvir. Primeiro, sou contra o radar. É uma indústria da multa. Arrecadaram R$ 10 milhões, onde é que está o dinheiro? O que fizeram com ele? Outra coisa: não acho justo e nem educativo multar uma pessoa que passa a 56 km/h em uma rodovia com limite de 50 km/h. Nem as viaturas da guarda fazem isso. Nem a Polícia Militar, nem eu nem ninguém que está aqui. Então é demagógico. Existem outras formas de controlar a velocidade. Travessias elevadas, lombadas eletrônicas, sinalização eficiente, que não tem.

A guarda não está preocupada se você passa carregando um fuzil AR15 dentro do carro, ou se você passa com duas crianças nuas, ou se você está dirigindo embriagado, drogado, ou se está dirigindo sem óculos quando precisa de óculos. Ela só se preocupa que você passou a 54 km/h numa rua de 50 km/h. Isso é a indústria da multa. Só se preocupa com isso. A prática também de se esconder, que educação tem isso? Você vai para os Estados Unidos, a cada dois quilômetros tem um guarda com um radar. Mas aí é ostensivo, está ali, todo mundo sabe, parado em cima da pista com aqueles carros amarelos ou pretos, dependendo do Estado.

A questão da dívida ativa, para concluir, tratam-se de créditos podres. Cerca de 40% das dívidas que são executadas são através de crédito podre. Esse é um pedido da própria procuradoria. Não é novidade nenhuma, o governo federal não executa dívidas inferiores a R$ 20 mil e o governo do Estado não executa dívidas inferiores a R$ 10 mil porque estatisticamente está comprovado que perseguir dívidas com esse valor é mais caro. Hoje a prefeitura persegue o cidadão que deve R$ 700. Meu Deus, o cara deve R$ 700, está inscrito na dívida ativa, não pagou, é porque não tem como pagar. Ao mesmo tempo que você executa esse tipo de dívida, entope o juiz de processo de R$ 700 e no meio tem um devedor de R$ 5 milhões.

Se a gente executasse aquele devedor, botava o triplo do dinheiro no caixa do que executar todos os demais. A gente quer baixar esses processos que estão acumulados lá para dar tempo aos procuradores do município para executar essas dívidas que realmente tem interesse, que vão botar dinheiro no caixa.

Pedro – Mas isso não estimula novos devedores?

Naatz – Pago IPTU, ISS. Eu pago. Não vai mudar nada. Não é porque a prefeitura não vai me executar R$ 3 mil que não vou pagar. E R$ 3 mil, muitas vezes é acumulado, é tudo R$ 700, R$ 30, R$ 80, R$ 150, R$ 250. O cara que foi multado porque o cachorro latiu. É esse tipo de dívida que a gente está falando.

Quem não paga uma dívida de R$ 3 mil é porque já não tem como pagar. E sobre as motos na Área Azul, acho um crime. Hoje estão cobrando Área Azul para controle de motocicletas que são usadas a trabalho. E depois também é economicamente inviável, o controle lá é mais caro do que isentar.

 

CONTRAPONTOS:

Antônio Carlos Marchiori, advogado do Consórcio Siga
“O único contraponto que eu faço a essa afirmação é do envolvimento do seu (José) Eustáquio. Na verdade ele foi vítima. Ele não conspirou para quebrar a própria empresa. Hoje ele sofre dificuldades, as mesmas que vinham sofrendo os outros empresários. Nesse caso o candidato Ivan Naatz está equivocado”.

::: Veja a reportagem especial do Santa sobre o transporte coletivo

Sérgio Chisté, ex-presidente do Seterb:
“Quando nós assumimos o sistema já estava completamente sucateado, com ônibus de 1997. Já estava começando a ter greve e uma série de problemas. Só que até então não havia sido feito nenhum processo administrativo que comprovasse isso ou uma fiscalização de documentasse isso para que o poder público pudesse efetuar a caducidade. Nós montamos todo esse processo administrativo seguindo todo o rito para que pudéssemos garantir e evidenciar todas as irregularidades que o Consórcio Siga estava praticando naquele momento. Foi isso que a gente fez. Não somos responsáveis por quebrar nenhum contrato, até porque ele já vinha sem prestar o serviço adequado para a população. Vim para Blumenau em 2009, morava em Ribeirão Preto (SP). Lá, eu era funcionário de uma empresa, aí surgiu uma oportunidade e abri minha empresa por aqui. O (José) Eustáquio é de Campinas (SP). Não somos da mesma cidade”.

Prefeitura de Blumenau
A reportagem do Santa entrou em contato com a equipe da Prefeitura para comentar as afirmações do candidato relacionadas à responsabilidade do Executivo na crise no transporte coletivo, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.

JORNAL DE SANTA CATARINA

 
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