Porto de Laguna é citado em pagamentos de propina na Operação Lava-Jato - Economia - O Sol Diário

Suspeitas27/09/2016 | 18h09Atualizada em 27/09/2016 | 19h12

Porto de Laguna é citado em pagamentos de propina na Operação Lava-Jato

E-mails entre executivos da Odebrecht citam cinco codinomes como sendo os supostos beneficiários de dinheiro

O Terminal Pesqueiro Público de Laguna, mais conhecido como Porto de Laguna, no Sul de Santa Catarina, é citado em possíveis pagamentos de propina paga pela empreiteira Odebrecht. A citação consta em documento da Operação Lava-Jato na sua 35ª fase, intitulada Omertà, que levou à prisão na segunda-feira do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci.

O relatório de investigação da Polícia Federal cita cinco apelidos de supostos recebedores de propina da empreiteira: Alemão, Figueirense, Lagoa, Operador local e Operador, mas sem detalhes sobre nomes de quem seriam essas pessoas nem endereços. Também não há menção sobre qual obra estaria envolvida.

Foto: Reprodução

Os apelidos constam em emails trocados entre altos executivos da empreiteira entre outubro de 2004 e junho de 2006. Num deles, consta informação sobre pagamento que seria de recebimento de vantagens indevidas no valor de R$ 450 mil em 30/06/2004, mas não há especificação sobre o motivo nem citação de alguma obra.

Num outro email de 12 de junho de 2006, os executivos da Odebrecht especificam valores e supostos beneficiários, que são tratados com os codinomes de Operador (R$ 15.412) e Orientador (R$ 7.706) como ambos estando em Brasília. A força-tarefa da Lava-Jato ainda está investigando os documentos, citações e codinomes citados.

Foto: Reprodução

Empreiteira participou de obra de quase R$ 40 milhões

O Porto de Laguna recebeu obra da Odebrecht iniciada em 2001 e concluída oito anos depois, em 2009, por meio do consórcio Molhe Sul. A ação consistiu na recuperação e prolongamento do molhe, através de consórcio formado pelas empresas Odebrecht, Carioca Christiani-Nielsen Engenharia e Sulcatarinense para obras de aumento na profundidade do porto.

Os trabalhos foram paralisados e retomados algumas vezes ao longo dos anos, e em alguns pontos a profundidade no porto é contestada até hoje pelos pescadores que utilizam a estrutura. Segundo dados do informativo da Odebrecht, publicado em novembro de 2004, foi realizado e concluído o aumento do calado (profundidade necessária para navegação) do canal de acesso ao porto, de 4m para 9m, em uma extensão de 490 metros.

Foto: Reprodução

Na época, a obra foi licitada em R$ 19,3 milhões com prazo de três anos. Com aditivos e atraso, o valor dobrou chegando a quase R$ 40 milhões e com prazo de execução de seis anos, segundo ação penal encaminhada pelo Ministério Público Federal em 2005 à Justiça. Essa ação foi arquivada em setembro de 2011 por ter excedido o prazo de julgamento referente ao objeto, datado de 2001.

Codesp diz que não tem contrato com a empreiteira

Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que administra o Porto, informou que não há nenhum contrato assinado com a Odebrecht em relação ao Porto de Laguna. A obra foi realizada com recursos do Governo Federal, e fiscalizada pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit). O Terminal Pesqueiro Público de Laguna (TPPL) é administrado pela Companhia Docas desde 1990, quando a antiga Portobrás foi extinta e a companhia assumiu os portos do país. O Porto é ligado ao governo federal por meio da Secretaria de Portos.

As assessorias das empresas Carioca Christiani-Nielsen Engenharia e Sulcatarinense também foram procuradas, mas até o final da tarde desta terça-feira, não se manifestaram. A Odebrecht também informou, publicamente, que não irá se pronunciar sobre a nova fase da Lava-Jato.

Foto: Reprodução



 
  •                                
  •  
     
  •  
     
  •  
O Sol Diário
Busca
clicRBS
Nova busca - outros