Secretariado é assunto para depois das eleições para candidatos de Blumenau - Economia - O Sol Diário

Governo03/09/2016 | 07h32

Secretariado é assunto para depois das eleições para candidatos de Blumenau

A um mês das eleições municipais, maioria dos concorrentes à prefeitura diz não ter nomes fechados para eventuais equipes de governo

"A primeira impressão que se tem de um governante e da sua inteligência é dada pelos homens que o cercam”. A frase do filósofo italiano Nicolau Maquiavel em “O Príncipe” dá a dimensão da responsabilidade de um herdeiro da realeza acertar na escolha de ministros. O ensinamento da obra que é uma referência em Ciência Política vale para a monarquia do século XVI, mas também para a democracia dos dias atuais. Uma equipe técnica e qualificada é um meio fundamental para chegar com algum sucesso ao fim, que é a implantação de programas e projetos de governo cada vez mais abrangentes.

Comparar o potencial dos candidatos com base nos homens de confiança, no entanto, é uma tarefa que no sistema político brasileiro desafia até mesmo o pragmatismo de Maquiavel. A definição dos nomes escolhidos para assumir secretarias costuma passar ao largo do processo eleitoral e ser divulgada somente após o resultado da eleição. Em Blumenau, a um mês das eleições municipais, nenhum dos cinco candidatos a prefeito tem nomes definidos para um futuro secretariado. Os adversários são unânimes em dizer que essa definição costuma ocorrer somente após a votação, sempre sob critérios técnicos, e defendem que isso não traz prejuízo ao processo democrático.

A definição tardia das equipes de governo tem razões de existir. Para o mestre em Sociologia Política e professor do mestrado de Gestão de Políticas Públicas da Univali, Eduardo Guerini, a composição do secretariado costuma depender das coligações, das forças políticas envolvidas na campanha e até mesmo dos resultados das eleições para vereador. Na avaliação dele, a busca da governabilidade no Legislativo faz muitos vereadores eleitos acabarem se tornando secretários. O contrário também é comum. Candidatos derrotados na disputa pela Câmara por vezes são alçados à condição de secretário para fortalecerem a rede de cabos eleitorais – uma sustentação da máquina partidária em vez da máquina pública, na visão de Guerini.

– Na prática a distribuição de secretarias leva em conta a questão da cooptação e arregimentação de forças políticas e não a capacidade – avalia.

Quem costuma ficar em segundo plano nesse processo, apesar de discursos contrários, é o caráter técnico e a continuidade de projetos. Como quebrar esse círculo e melhorar as formações da equipe de gestão? Guerini sugere firmeza aos candidatos para não lotearem cargos e nomearem servidores concursados e de carreira para os cargos de secretário, com escolhas feitas por avaliações de desempenho, testes e processos seletivos semelhantes aos da iniciativa privada.

Além de superar os concorrentes e a campanha, candidatos precisam escapar do que para Maquiavel seria o primeiro erro de um governante: escolher candidatos que não se demonstram capazes e fiéis. O tempo e as disputas de espaços entre partidos dirão.

 

Coalizão é a regra para a composição, diz professor

Em 2012, o então prefeito eleito Napoleão Bernardes (PSDB) divulgou os primeiros sete nomes do secretariado em 27 de novembro, quase um mês depois da votação do segundo turno. Em 2014, o governador reeleito Raimundo Colombo (PSD) anunciou os três primeiros nomes do secretariado estadual – dois deles apenas mantidos nas pastas – em 3 de dezembro, dois meses após a vitória no primeiro turno.

Para o doutor em Sociologia e professor de Ciências Políticas da Furb, Oklinger Mantovaneli Júnior, principalmente em cidades onde a eleição tem dois turnos, a coalizão entre partidos é regra para a composição da equipe de governo. Segundo ele, esse processo às vezes força ajustes que alteram as premissas iniciais da campanha.

– Esse recurso tem sido vastamente utilizado e tem um lado positivo, que é a melhora da governabilidade, mas tem um lado negativo que é muitas vezes colocar em questão a proposta original. Por isso planos de governo nem sempre são muito detalhados, para criar uma flexibilidade política que caiba no leque do arco de alianças sempre muito amplo – argumenta.

O professor pontua ainda que há cargos estratégicos, como o setor de Obras, em que o leque de opções é menor porque se tratam de áreas de ultraconfiança. As demais áreas costumam ficar disponíveis a composições.

– Há um grau maior de probabilidade de os nomes para essas áreas já estarem pensados. Eles não declaram, mas estão – afirma.

JORNAL DE SANTA CATARINA - Blumenau

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