"Temos má gestão na área da saúde, a começar pelos dirigentes da secretaria", diz Darci de Matos - Economia - O Sol Diário

Fala, candidato!14/09/2016 | 22h47Atualizada em 14/09/2016 | 22h47

"Temos má gestão na área da saúde, a começar pelos dirigentes da secretaria", diz Darci de Matos

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upiara boschi
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O Diário Catarinense entrevistou os seis candidatos à prefeitura de Joinville. Confira abaixo a entrevista com o candidato Darci de Matos (PSD):

Em 2008, o tema da campanha era o Eixo Norte-Sul, o eixão. Isso é uma lição daquela campanha?

Estamos em outro momento, de crise, que tem de ser feito economia. Esse eixão teria que fazer cinco, seis elevados. Não temos nenhum. Estamos fazendo o primeiro, que está começando, pelo governo na rua Tuiuti. Não vou assumir essa obra. A ideia é boa, mas no momento não tem recurso. Antes do eixão temos que fazer a Dona Francisca, a Almirante Jaceguay. Temos que duplicar... Essa obra eu quero assumir, que é a duplicação da rua Ottokar Doerffel. Joinville não tem uma entrada bonita, duplicada, glamourosa. Vai custar uns R$ 15 milhões em desapropriação e mais uns R$ 8 milhões a duplicação, a pavimentação. Quero, com o apoio dos deputados, do governo, duplicar. A ponte do Adhemar Garcia encaminharam o projeto. Certamente esse projeto vai ser concluído no ano que vem. Não vou assumir que vou fazer essa ponte. Seria muito importante, mas é uma obra que vou tentar buscar um financiamento. Mas é R$ 100 milhões. Não vou atrás sem, primeiro, colocar remédio no posto de saúde, tapar o buraco da rua, a vaga na creche. 

Viemos de duas gestões que tiveram dificuldades de cumprir as promessas de campanha...

A palavra que ouço nas ruas é decepção. Não só pelas grandes promessas não cumpridas, mas pelas coisas pequenas. Sabia que Joinville não tem estacionamento rotativo? São Bento do Sul tem, Concórdia tem. Custa nada, zero. Ao contrário. Quando acabou, entrava R$ 25 mil no caixa. Arrecada, todo mundo quer. Não conseguiram licitar.

Em quanto tempo o senhor implantaria? 

Isto não depende de dinheiro. Tem ações do governo que dependem de atitude. Estacionamento é só licitar. Isto eu faço em quatro meses. É atitude. Só ter uma equipe que sabe licitar, técnica, e voltar o estacionamento rotativo. É uma prova de que, nesse governo, falta atitude. A gestão tem se amarrado também nas pequenas coisas.

Há quatro anos o governador preferiu não se intrometer muito na política de Joinville. O que mudou? Foi difícil trazer Colombo para a campanha?

Não, foi muito fácil. Aquele momento era outro momento. Ele tinha compromisso com o PMDB, com o saudoso senador Luiz Henrique da Silveira. Os compromissos foram cumpridos, PMDB faz parte do governo. Eu tenho uma relação muito forte e o governo se decidiu, entrou no primeiro programa para dizer, demonstrar a toda a cidade. Pairava uma dúvida de que ele não viria para a campanha. Ele está na campanha. Sou amigo dele, ele está conosco, o candidato dele sou eu. Isto é muito bom porque tem candidatos batendo no governador. Todos nós sabemos que as grandes obras de Joinville o prefeito não conseguiria fazer só com a Fonte 100. Portanto, bater no governador não é, no meu entendimento, uma atitude sensata.

Faltava quem defendesse o legado do governador? 

Não estou defendendo as obras do governo. Estou clareando para a comunidade que fiz parte da articulação para trazer esses recursos, fazer as obras para Joinville. 

Como é uma campanha sem a presença do Luiz Henrique da Silveira? 

É claro que ele articulava muito, tinha muito trânsito. Diria que ele faz falta para a cidade, o Estado e faz falta, com certeza, para o partido dele, o PMDB, nessa eleição, nessa articulação toda. Ele faz falta em todos os momentos, era uma pessoa especial. 

Em 2008, o senhor foi candidato e chegou no segundo turno...

Perdi para o Carlito porque aquele era um grande momento do PT. Mas levantei a cabeça, continuei trabalhando, me preparando.

O que o senhor traz daquela eleição? 

Estou mais experiente. A gente só se reorganiza e cresce na derrota. Continuei me preparando. O que mudou foi a crise no serviço público. O momento é de assumir compromissos com cautela, apontando a fonte de recursos. E a fonte de recursos em Joinville, podemos buscar de várias formas. Temos R$ 1 bilhão na dívida ativa. Diria que R$ 500 milhões é podre. Mas vou trabalhar para tentar recuperar, no mínimo, R$ 250 milhões desta dívida ativa. E os que devem não são os pequenos, são os grandes.

Com que instrumentos? A Justiça?

Na Justiça você precisa ter mais advogados, uma parceria, uma articulação com o fórum. O oficial de justiça hoje não consegue notificar nem as ações normais do fórum, imagina milhares de devedores. Precisa haver uma força-tarefa nesse sentido. Outra forma é fazer bons projetos, ter uma boa equipe. 

Programas como o Revigorar, esses que permitem os devedores pagar parcelado, com desconto, estão na sua mira?

Já foram feitos. Vamos estudar com a equipe, estando na prefeitura, essa possibilidade em algum momento. Tudo o que for possível para colocar mais recursos no caixa da prefeitura, vamos fazer. Outra forma é a celeridade na abertura de empresas e licenciamento. Outra forma, bons projetos. Queremos organizar uma usina de projetos. Isto é fácil para buscar dinheiro em Florianópolis, em Brasília, e nos organismos nacionais e internacionais. Esta gestão perdeu dinheiro. Você sabe a história do BNDES. Eram R$ 20 milhões para Joinville. A prefeitura demorou tanto com os projetos que virou R$ 13 milhões. Não podemos perder recursos por falta de projetos.

O senhor sempre foi aliado do ex-prefeito Marco Tebaldi. Agora estão na condição de adversários. Como é essa situação?

Natural... Se você vê minha história... Para começar, a pesquisa que o próprio Grupo RBS fez, sou o candidato que tem a menor rejeição. Não tenho inimigos na vida pessoal nem na política. Tenho adversários. Me relaciono bem com todos. Briga, como diz o Raimundo, não constrói posto de saúde, escola. Tenho amizade com todos os candidatos. Eu entendo que nas cidades onde há segundo turno é natural que os partidos tenham seu candidato no primeiro turno, até para fortalecer, fazer vereador. A possibilidade das grandes composições vão acontecer no segundo. Tenho respeito por todos e não escolho adversário.

Não é desagradável concorrer com o Tebaldi?

Claro que não. Somos amigos. Tem uma série de pontos que ele pensa de uma forma, eu penso de outra forma. O que eu quero é uma chance. Dos que estão disputando, a maioria já teve a chance, já passou por lá. Nunca passei pela prefeitura. Só quero uma chance para que eu possa colocar em prática aquilo que tenho defendido. Fazer um governo mais de abertura, de diálogo, e dar atenção aos bairros.

O senhor fala em modernizar as subprefeituras. Eram secretarias regionais. Deu certo esta reforma?

Eu fui simpático e elogiei na época a redução das secretarias para oito subprefeituras. E acho que poderíamos reduzir mais, deixar somente seis. E modernizar, informatizar, dotar de equipamentos, de pessoas que possam efetivamente ir a campo. Porque a prefeitura é o instrumento que atende o bairro, a cara do prefeito no bairro. E a prefeitura precisa ser dotada de mais serviços pra evitar que o cidadão precise se deslocar até o centro da cidade. Nossa cidade tem aquela característica de uma cidade policêntrica. Nossos bairros têm vida. Queremos que a prefeitura possa cumprir esse papel.

Quais subprefeituras poderiam ser enxugadas?

Não fiz esse estudo, só sou simpático à ideia de que a gente possa enxugar a máquina como um todo.

Tem áreas que o senhor já mapeia, que possa diminuir? 

A princípio, não. Mas estou convicto que temos que fazer uma reengenharia principalmente na atividade meio. Precisamos fortalecer a atividade fim, que atende o cidadão, e enxugar a atividade meio. Com o advento das novas tecnologias é natural que você tenha de enxugar. A máquina substituiu, em parte, o servidor em alguns momentos. Algumas áreas você tem que terceirizar, dar concessões, para que o prefeito possa dar atenção prioritária para áreas essenciais, a educação, saúde.

O senhor quer dar novas atribuições à agência reguladora. Quer incluir todos os serviços nela? 

Se eu pudesse legalmente, acabaria com a agência reguladora. Começou pequena, hoje está com uma estrutura imensa, e regula somente a questão da água. Mas o presidente da agência quem coloca é o prefeito. 

Por dois anos, o senhor era quem ele indicou...

Primeiro, eu tenho a honra de ter sido o presidente da Câmara e, abaixo de vaias, ter conduzido a sessão e defendido a municipalização da água. Eu presidi a Câmara, fui vaiado, jogaram ovo dizendo que estavam privatizando a água. Fizemos o que tinha de ser feito, nós municipalizamos. A agência reguladora é uma agência colocada pelo prefeito, que faz a mea culpa e regula. Se eu pudesse, acabaria com ela. Parece que legalmente não dá. Então quero dar mais atribuições. Do lixo, do transporte, para que essa agência possa trabalhar mais.

A grande preocupação dos joinvilenses é a saúde. O que fazer para resolver se o aporte de recursos não tem sido suficiente?

Investir em atenção básica. Temos má gestão na área da saúde. A começar pelos dirigentes da Secretaria da Saúde. Em três anos tivemos três secretários. Os últimos dois não são da área, nunca ouviram falar do SUS. Não tem equipe. Estamos no quarto presidente do hospital São José. Esse é o primeiro ponto fraco desta gestão. A prefeitura de Joinville, das seis maiores cidades do Estado, é o município que mais investe na saúde. Chapecó investe 26,58%. Florianópolis investe 18%. Blumenau investe 23%. Criciúma investe 31%. Jaraguá do Sul 27%. Joinville investe 41,4%. E a atual gesta coloca isso como mérito. Esta é a prova cabal de que a gestão é ruim. Ele está atuando praticamente em urgência e emergência. Chapecó tem 85% de cobertura de estratégia de saúde em família. Florianópolis tem 100%. Blumenau, 72%. Criciúma, 63%. Joinville, 41%. Quer dizer, está investindo 41% do orçamento e tem a menor cobertura em estratégia de saúde da família.

Qual a consequência disso? 

Quando você não controla a pressão do vovô, que não custa nada, ele vai infartar e vai para o hospital. Aí vai custar, R$ 20 mil, R$ 100 mil. É o que a gestão está fazendo, gastando em urgência e emergência. Má gestão. Nós temos na fila 40 mil pessoas para fazer consulta especializada. Temos 23 mil pacientes esperando um exame. Temos 9,5 mil pessoas esperando cirurgia. Talvez não tenham alguns desses dados porque eles não têm equipe. A atual gestão tem dito que a saúde está judicializada e encarece. O cara que fica um ano na fila esperando cirurgia, o que ele faz? Vai na Defensoria e judicializa. A cirurgia que custava R$ 1,5 mil pelo SUS, o juiz manda em 72 horas fazer a cirurgia. Aí faz por R$ 15 mil na Unimed ou no Dona Helena. Está judicializada por incompetência, porque não tem atenção básica. Temos somente 30% de cobertura da saúde bucal. Chapecó tem 66%, Florianópolis 62%, Blumenau 50%, Criciúma 46%, Jaraguá do Sul 47% e nós 30,55% de cobertura da saúde bucal. É uma vergonha. Em contrapartida, temos o maior índice de extração de dente. Uma multidão de banguelas aqui. É índice da área rural. 

Pensa em alguma medida emergencial? A tendência é a inércia...

Com essa inoperância, incompetência e equipe atrapalhada que não é da área, a tendência é a catástrofe. A atual gestão assumiu em 2013, estava em 31% (evolução de novas despesas com saúde). Mas o Carlito assumiu o São José em 2010. Então o Carlito entregou com 31%, que pulou para 41%. Mesmo com o Hospital São José, não poderia estar em 41%.

Pensa em tentar negociar uma estadualização do São José? 

Acho difícil. O São José está no seu quarto presidente. Os servidores fazem milagre, internam e curam no corredor. O São José tem um teto de produtividade de R$ 3,4 milhões. E está produzindo em torno de R$ 2 milhões por mês, por falta de gestão. Estão perdendo porque são referência em traumatologia, neurologia, queimados e oncologia. Estão perdendo em torno de R$ 1,5 milhão por mês por falta de produtividade. Daqui a pouco o Ministério da Saúde em suas auditorias pode rebaixar o teto para R$ 2 milhões. Com uma boa gestão, o São José pode ficar muito melhor. "Ah, mas tem que atender a região". Tem que atender, senão não pode ser referência. Como referência, recebe recursos de Brasília. Mas não está produzindo porque a gestão atrita, não motiva, briga. A história não é bem assim. 

Ainda não foi feita a licitação do transporte coletivo... 

Vou me empenhar nisso. Transporte coletivo diz respeito à mobilidade urbana. Para melhorar a mobilidade, precisa tomar providências. Fazer elevados, que são caros. Depois de um século e meio de existência da cidade, vamos fazer o primeiro. Você precisa rasgar avenidas, fazer binários. É uma parte cara da infraestrutura, que o Estado está fazendo para Joinville. A mobilidade tem a ver muito com o transporte coletivo porque o trabalhador só opta pelo transporte coletivo quando tem três coisas: passagem acessível, rapidez e conforto. A passagem não é acessível como deveria, a mais cara do Brasil. Não tem a rapidez que deveria. E não tem conforto. Tem ar-condicionado? Não tem. Se você dotar o transporte dessas condições, as pessoas vão se motivar a deixar o carro na garagem. Hoje está judicializado. Florianópolis fez sua licitação. A licitação é boa para as empresas porque elas podem utilizar o faturamento como garantia na compra do ônibus. Mas é muito melhor para o usuário porque você pode, na licitação, garantir algumas melhorias. Vou me empenhar muito. Não vou ser leviano e dizer que vou licitar. Vou tentar licitar, não sei se consigo.

Como garantir que haja verdadeira disputa e não só homologação das empresas que já estão? 

Fazendo uma licitação limpa, com a participação das forças vivas da cidade. Por que o Ministério Público, os vereadores e a imprensa não podem acompanhar? Se fizer licitação, precisa ser clara, aberta transparente para que possa dar algum resultado. 

Há margem para atender a reajustes salariais? 

Vamos fazer um governo com mais diálogo. Conheço as competências públicas. Vamos procurar, dentro das possibilidades de caixa e legal, dar uma remuneração justa aos servidores. Não posso me antecipar porque não estou lá. Mas no momento oportuno vamos discutir, ponderar, com abertura, com transparência com a categoria. Vou trabalhar também a possibilidade de aumentar o plano de saúde deles. Hoje tem 12 mil servidores e somente 2 mil têm acesso, estão no plano. A ideia de colocar isso na pauta para tentar rediscutir. 

Programa de meritocracia? 

É necessário. Meritocracia nada mais é do que uma gratificação. Quero iniciar principalmente nas áreas de fiscalização. Você precisa ter os servidores motivados para que possam produzir mais. E se produzirem mais, eles podem ter um ganho melhor. Por que não para os médicos também? Se o médico faz duas ou três cirurgias por mês e ganha um valor X. Se ele fizer 20 e ganhar um valor X, não vai se motivar. Mas, se fizer 20 e receber X + Y, vamos aumentar a produtividade no São José. Meritocracia existe há 600 anos na China. Quero me debruçar em cima dessa tese.

Nuvem de palavras do candidato:


Foto: Arte DC / WordClouds

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