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Eleições 201620/10/2016 | 06h03Atualizada em 20/10/2016 | 10h05

Disputa eleitoral vira bate e rebate judicial em Florianópolis

Capital tem quase o triplo de representações de Joinville e Blumenau

Disputa eleitoral vira bate e rebate judicial em Florianópolis Leo Munhoz/Agencia RBS
Capital tem quase o triplo de representações de Joinville e Blumenau Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

A campanha morna do primeiro turno deu lugar a um acirramento crescente nesta reta final da eleição à prefeitura de Florianópolis. Até quarta-feira, a Justiça Eleitoral tinha recebido 17 representações dos candidatos Angela Amin (PP) e Gean Loureiro (PMDB) contra propagandas no rádio e na TV do adversário. Nas outras duas cidades catarinenses com segundo turno, este número é bem menor: seis em Joinville e apenas cinco em Blumenau.

Veja exemplos de ataques eleitorais de Angela Amin e Gean Loureiro

De um lado, Angela ataca contra obras que Gean assume a autoria, e que foram realizadas na gestão do prefeito Dário Berger (PMDB). Alega que o peemedebista teve envolvimento nas polêmicas da árvore de Natal e do show de Andrea Bocelli que nunca aconteceu e a poluição no rio do Braz. Já o deputado usa inserções criticando investimentos de recursos previdenciários no Banco Santos poucas semanas antes da falência da instituição e em ações de Angela em relação aos animais de rua e os terminais de integração de ônibus construídos por ela e desativados após sua gestão. Os rivais ainda se alfinetam em questões mais subjetivas, como o tamanho da coligação de Gean e as décadas de eleições do PP no Estado.

A coordenação da campanha de Angela afirma que o foco é debater ideias e confrontar visões sobre a cidade, mas que não pode e não vai aceitar ataques de caráter pessoal. O coordenador jurídico Alessandro Abreu argumenta que a iniciativa dos ataques partiu do adversário, desde o primeiro turno, quando inclusive algumas peças foram retiradas do ar pela Justiça.

— Tudo se iniciou no primeiro turno, com a campanha em que o próprio candidato se dizia dono de obras dos oito anos da gestão do prefeito Dário Berger. Ele mostra tudo que é bom, temos que mostrar também o que é ruim. Ele trouxe para o debate, senão não entraríamos nesta seara. Acredito que o embate mais duro não pode partir para o ataque pessoal e na nossa avaliação, que mais ultrapassou esse linear foi a coligação do Gean, quando traz à baila questões familiares e situações extremas como a dos animais, com apelo emocional — pondera o coordenador jurídico.

Na coligação do peemedebista, a análise é semelhante à da pepista, de que foi a adversária que partiu para o ataque. O próprio candidato Gean Loureiro falou com a reportagem, por e-mail, e declara ele próprio estar descontente com o clima mais agressivo da campanha:

— Muita gente, e me incluo aí, está chateada com os rumos que a campanha tem tomado. Críticas e ataques não podem se sobrepor a propostas para a cidade. Por isso, aproveito para pedir mais uma vez desculpas aos eleitores, se em alguns momentos insisti em mostrar a verdade de fatos. Quando atacam a minha probidade, não posso me calar. Mas esse não é o tipo de política que me representa. Eu sofro com isso. Para cada crítica ou mentira que a minha concorrente mostrar na TV ou no rádio, eu vou responder com propostas.

"Esse enfrentamento é saudável"

O professor de Ciências Sociais da Unisul e cientista político Valmir dos Passos avalia que o clima de ataque versus defesa, desde que não avance para o campo privado e de ofensas pessoais entre os candidatos, faz parte do jogo político e é importante para definir o voto do eleitor. Veja abaixo a entrevista. 

Esse tipo de campanha em rádio e TV é saudável para o processo eleitoral?

Esse tipo de embate é muito positivo para a política. Acima de tudo, desde que não exista acusação pessoal, esse enfrentamento é saudável e deve compor o quadro eleitoral. É preciso informar a população que quando tal foi prefeito fez isso, quando tal foi vereador fez aquilo. Foi se formando no nosso país, e a mídia tem enorme contribuição, a ideia de que política deve ser feita apenas em cima de propostas e portanto esse tipo de estratégia estaria baixando o nível. Em função disso, os eleitores não veem essa prática com bons olhos. Mas, na minha avaliação, é parte da campanha. No que diz respeito a questões públicas, é muito bem-vindo esse diálogo.

As propostas, nesse cenário, importam menos?

Acima de tudo o passado de cada candidato e que deve orientar o seu voto. Porque as promessas, o papel aceita qualquer coisa. Agora, o que constitui a história política de cada candidato e que obviamente o desabone, cabe aos adversários atacar e ele defender. Não tenho a menor dúvida que a grande baliza do voto é o passado. No caso de Florianópolis, são os dois experientes. Algumas acusações são importantes, relevantes, outras coisas mais de picuinha. Mas confesso que não vi ataques de ordem pessoal, de privacidade.

Qual o impacto que isso gera no eleitor, na sua avaliação?

Evidente que é preciso ter capacidade de fazer um diagnóstico da situação do município, em todos os aspectos, e os candidatos têm que apresentar quais suas linhas de atuações em áreas estratégicas de saúde, educação, meio ambiente. O conteúdo propositivo é importante, mas não deve se resumir a isso. Se um candidato acha que o eleitor precisa saber do que o outro fez e isso tem interesse público, deve ir para o debate. O nosso eleitor ainda é muito impactado por essa ideia de construir uma política apenas pautada em propostas e na minha avaliação, isso é um profundo equívoco.

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