E o meio ambiente, candidato? - Economia - O Sol Diário

Eleições 201626/10/2016 | 07h03

E o meio ambiente, candidato?

O Santa consultou três especialistas para questionar os candidatos a prefeito de Blumenau sobre propostas para o tema

Em uma cidade com histórico de enchentes e uma das maiores tragédias naturais do país, Blumenau carrega feridas e traumas levados pela correnteza da água do
rio Itajaí-Açu. Natureza que é, ao mesmo tempo, memória triste e patrimônio ambiental que deve ser preservado. Mesmo assim, o meio ambiente foi um assunto
pouco tratado na campanha até aqui. O Santa consultou três especialistas para questionar os candidatos a prefeito de Blumenau sobre propostas para o tema:

 


Lauro Bacca, ambientalista, professor e colunista do Santa

Blumenau possui uma grande capacidade no ecoturismo, que é uma das modalidades que mais crescem no país. Você tem algum plano para colocar a cidade nesta rota de turismo da natureza e locais a céu aberto?

Jean Kuhlmann (PSD): Sem dúvida, Blumenau tem um grande potencial, que ainda é pouco explorado. Nossa intenção é estimular o uso público e turístico das áreas de conservação municipais, respeitando, claro, a preservação e a conscientização ambiental. Também é preciso criar um programa de incentivo que proporcione um clima favorável para a instalação de empresas voltadas à exploração turística. Um exemplo é a Nova Rússia, local de grande potencial turístico que precisa ser estimulado durante todo o ano com atividades como o cicloturismo, por exemplo.

Napoleão Bernardes (PSDB): Entendemos o ecoturismo como importante instrumento no desenvolvimento econômico sustentável. Para tanto, desenvolvemos em 2015 o Plano Municipal de Turismo de forma colaborativa e tivemos a oportunidade de ouvir mais de 63 entidades e 570 pessoas. No ecoturismo, alguns objetivos elencados foram a elaboração e implantação do plano de desenvolvimento turístico sustentável da Nova Rússia, a criação de um roteiro turístico para a região, com um deque no mirante do Morro do Sapo e ponto de recepção na Nova Rússia, assim como tornar o rio Itajaí-Açu um atrativo de lazer e cultura, que promova a contemplação, atividades náuticas e de educação ambiental. Queremos viabilizar uma marina, por meio de uma Parceria Público Privada (PPP).


Lauro Bacca, ambientalista, professor e colunista do Santa

Você tem algum plano para a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Faema), de valorização do órgão, ampliação de atuação ou algo do tipo? Ela será comandada por gestores técnicos ou indicações políticas?

Jean Kuhlmann (PSD): A Faema sempre foi um grande orgulho para a cidade, exemplo para criação de outros órgãos do gênero nos país. Mas nos últimos anos, a fundação vem perdendo espaço dentro da estrutura da prefeitura, tendo os trabalhos cada vez mais engessados pela burocracia. Os servidores também são pouco estimulados e hoje o que vemos é uma falta de diálogo entre a prefeitura e a Faema. Isso não pode acontecer! Quero trabalhar para desburocratizar e agilizar os procedimentos incentivando a instalação e permanência de empresas, gerando emprego e renda  para a cidade. Ainda não temos definição sobre o comando de cada pasta, mas vamos valorizar a formação de uma equipe técnica.

Napoleão Bernardes (PSDB): A Faema é um dos mais importantes órgãos do governo, pois a ela cabe implantar, coordenar e executar a política municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade. Dentro das nossas propostas iremos estabelecer uma agenda intersetorial de metas e ações para avançar no cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, por exemplo. Queremos fortalecer a atuação da Faema. Vamos ampliar a transparência em relação aos processos e licenciamentos implantando o sistema municipal de informações ambientais. Criaremos comissão específica para análise e julgamento de recursos nas autuações da fiscalização. Sobre a gestão da Faema, os cargos serão ocupados por profissionais qualificados.


Juarês Aumond, geólogo, professor e doutor em engenharia civil

Considera-se que Blumenau é, geologicamente, uma das maiores áreas de risco do Sul do Brasil em vulnerabilidade para deslizamentos. Além da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, como você pretende preparar as comunidades que vivem em áreas de risco?

Jean Kuhlmann (PSD): Uma das minhas prioridades é formar os agentes de Defesa Civil comunitários, que serão treinados, qualificados e escolhidos por critérios técnicos. Além disso, pretendo concentrar o trabalho da Defesa Civil na prevenção, integrar os planos de emergência e investir em tecnologias. Outra ideia é implantar a Central de Monitoramento, com participação da Defesa Civil. Com isso, pretendemos dar mais agilidade às equipes e diminuir os eventuais danos.

Napoleão Bernardes (PSDB): Realmente, Blumenau é uma das maiores áreas de risco do Brasil e os números das ocorrências da Defesa Civil estadual e nacional comprovam isto. Hoje realizamos um grande trabalho nesta área, capacitando e treinando todo o conjunto de entidades que dão respostas a essas ocorrências – como a nossa equipe de Defesa do Cidadão e o Corpo de Bombeiros, por exemplo –, assim como também as comunidades. Temos os Núcleos Comunitários de Defesa Civil implantados, com 60 abrigos no município e cada um contando com 10 profissionais, sendo anualmente treinados. Realizamos simulações com as equipes de resgate e com a comunidade. Pretendemos ampliar essas ações da Defesa Civil.


Juarês Aumond, geólogo, professor e doutor em engenharia civil

Ainda sobre ações em eventos extremos, você considera que a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros estão preparados para agir da melhor maneira possível? O que ainda pode ser feito pelo município para melhorar a resposta destes grupos em casos como a tragédia de 2008?

Jean Kuhlmann (PSD): Acredito que nossa cidade evoluiu muito nessa última década. O próprio governo do Estado investiu de forma maciça na construção e ampliação das barragens, além do radar de Lontras. Como deputado estadual, também trabalhei para implantar o Dique da Fortaleza, que já traz resultados para as famílias que antes sofriam com alagamentos e enxurradas. Agora, trabalhar para garantir outras ações, que melhorem o tempo de resposta do poder público. Sistemas como o AlertaBlu, por exemplo, já são bastante efetivos e por isso vamos manter e incentivar seu uso. Outras tecnologias também são importantes e podem dar apoio tanto ao cidadão quanto ao poder público.

Napoleão Bernardes (PSDB): Melhoramos muito no preparo das equipes. Naquela época não havia treinamento em estruturas colapsadas, ferramentas, cães farejadores, haja haja visto que não havia ocorrido ainda algo daquela magnitude. Hoje, não devemos em nada a nenhuma cidade no Brasil neste quesito. Iremos avançar mais neste assunto. Estamos fazendo um novo mapeamento das áreas de risco, com uma nova metodologia em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão, e assim poderemos cadastrar diretamente a unidade, comunicando especificamente a residência que, em caso de necessidade, precisa ser evacuada. Finalizaremos até o fim de 2017 este mapeamento, e somos a primeira cidade no Brasil a realizar esse trabalho.


Adilson Pinheiro, professor com pós-doutorado, mestre em recursos hídricos e saneamento

Como você pretende tornar efetivas as ações de prevenção a desastres como enchentes e deslizamentos, no sentido de evitar a ocupação de áreas de risco?

Jean Kuhlmann (PSD): Acredito que a principal ação neste sentido seja a fiscalização nas áreas apontadas como de risco e atenção pela Defesa Civil e a Geologia. Hoje, a prefeitura conta com apenas dois fiscais para realizar esse trabalho. Ampliar a fiscalização significa garantir mais segurança para a própria comunidade, que vê no poder público um órgão balizador para suas ações.

Napoleão Bernardes (PSDB): A única maneira de se ter um controle na cidade inteira da ocupação das áreas de risco é por meio da denúncia do cidadão. As áreas onde acontecem deslizamentos, realmente buscamos uma maior resolução desta questão. Sendo assim, investiremos na conscientização da população neste sentido, pois uma residência mal construída em uma área de risco pode afetar todos ao redor, atingindo e prejudicando outras casas e a comunidade. Mais de 2 mil desmontes técnicos em áreas de risco já foram realizados, visando sempre à segurança das famílias, e a partir da conscientização da população e por meio das denúncias, ampliaremos a segurança e o trabalho de prevenção nessas áreas.


Adilson Pinheiro, professor com pós-doutorado, mestre em recursos hídricos e saneamento

Com a rede de tratamento de esgoto ampliada na cidade, vem o desafio de conscientizar a população para fazer corretamente a ligação e parar de poluir os rios. Você tem alguma proposta para incentivar o uso da rede de esgoto?

Jean Kuhlmann (PSD): Sem dúvida, Blumenau possuía índices muito ruins de coleta de esgoto. Tínhamos menos de 5% de cobertura e hoje já avançamos bastante. Mas precisamos avançar ainda mais e concluir os 100% de cobertura. Meu objetivo é manter e estimular as parcerias com a empresa que executa essa implantação e que hoje já realiza palestras e ações junto à comunidade. Também vamos trabalhar a conscientização junto aos nossos estudantes e implantar uma linha de financiamento para garantir que as famílias de baixa renda possam fazer a ligação de esgoto entre as residências e a rede

Napoleão Bernardes (PSDB): Blumenau tem levado muito a sério a questão do saneamento básico. Sobre o processo de conscientização da população, já neste governo fomos parceiros do programa Rio Limpo Começa na Nossa Casa, em fase de execução, o qual possui duas vertentes, o aspecto legal e a conscientização ambiental. Pelo programa, profissionais identificados estão visitando as residências para realizar o controle da qualidade do esgoto sanitário de cada imóvel. Além disso, é necessário lembrar que por onde passa a rede, a concessionária orienta a população sobre a necessidade de ligação, cumprindo a legislação. Somente depois disso começa a cobrança. Também estamos finalizando a revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico.

JORNAL DE SANTA CATARINA - Blumenau

 
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