Fechamento de turmas do ensino médio noturno causa protestos em Joinville - Economia - O Sol Diário

Educação25/10/2016 | 19h27

Fechamento de turmas do ensino médio noturno causa protestos em Joinville

Decisão do governo estadual não foi bem recebida pela comunidade. Até agora, Gered oficializou que três escolas na região terão reordenamento

Fechamento de turmas do ensino médio noturno causa protestos em Joinville Salmo Duarte/Agencia RBS
Deyse e Deivid querem continuar estudando na Eladir Skibinski Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
LEANDRO S. JUNGES

leandro.junges@an.com.br

A decisão do governo do Estado de reorganizar as turmas do ensino médio noturno na região pode se transformar em uma crise na relação entre alunos, pais, professores, diretores e coordenadores pedagógicos. Preocupados com a decisão, estudantes e pais de alunos da Escola Elpídio Barbosa, no bairro Costa e Silva, na zona Norte de Joinville, fizeram um protesto na noite desta quarta-feira, em frente à escola.

Os moradores do Parque Joinville, no bairro Aventureiro, também se mobilizaram para evitar que os mais de 180 alunos que estudam no prédio da Escola Municipal Prefeito Wittich Freitag sejam transferidos para outro local. Eles estão fazendo um abaixo-assinado e devem fazer um ato na praça da Bandeira nesta quinta-feira à tarde. Depois, vão até a Gerência Regional de Educação (Gered) para entregar as assinaturas e o pedido para que os alunos continuem no local em 2017.

Por enquanto, a Gered oficializou que três escolas da rede estadual de ensino na região — duas em Joinville e uma em São Francisco do Sul — terão um reordenamento das turmas no ensino médio noturno. A justificativa é que, para uma escola ter viabilidade da sua abertura durante o período, é necessário um mínimo de 125 alunos matriculados para manter a unidade. Em maio, uma portaria do governo do Estado já havia determinado a "reenturmação" de alunos. Como consequência, 54 turmas, das 2,1 mil existentes na região de Joinville, deixaram de existir.

— Vai ser muito complicado para os alunos saírem da escola no fim das aulas, à noite, e ir para casa se a escola for longe — diz o estudante Deivid Schmitz. Ele e a colega Deyse Adriano estudam nas turmas da Escola Eladir Skibinski que funcionam no prédio da Escola Wittich Freitag. Os dois fizeram parte de um protesto na noite de segunda-feira, junto com pais, professores e outros alunos.

Segundo a Gered, os 47 estudantes da Escola Guilherme Zuege, localizada no Rio Bonito, na zona Norte, serão transferidos para o prédio da Olavo Bilac, em Pirabeiraba. Outros 57 alunos da Escola Rodrigo Lobo, no Jardim Sofia, serão remanejados para o prédio da Escola Nagib Zattar, no Jardim Paraíso. Na Escola Felipe Schmidt, em São Francisco do Sul, os 91 alunos irão para o prédio da Escola Santa Catarina, as duas no Centro do município.

Segundo comunicado da Gered, "neste momento não estão previstas mudanças para turmas de outras escolas da rede estadual, mas, dependendo do número de matrículas a se consolidar em dezembro, pode ter outro reordenamento ou ainda a abertura de novas turmas".

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Também por meio de nota, em relação à manifestação realizada na Escola Eladir Skibinski, a gerência informou que "compreende que manifestar é direito de todo cidadão. Mas informa aos pais que o conteúdo lecionado em sala de aula não será reposto aos alunos que faltaram ao dia de aula."

Uma das reclamações de pais e alunos é de que não houve uma discussão com a comunidade sobre as mudanças.  Segundo a supervisora da Gered, Rosemari Conti Gonçalves, há uma série de critérios que também são levados em conta, além do número de alunos, como o atendimento com a merenda terceirizada e as quadras de esportes, equipamentos importantes para a realização das aulas de educação física.
Segundo a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte), Thaís Aparecida Tolentino, antes de tomar qualquer decisão, o governo do Estado deveria ter discutido as mudanças com a comunidade escolar. Segundo ela, quem vai ser prejudicado são os estudantes e os professores, que serão transferidos e terão de se deslocar por distâncias mais longas e sem a garantia de transporte adequado. Nas contas do Sinte, há a possibilidade de fechamento de 17 escolas no período noturno na região.

A época de matrículas pode alterar o cenário. O período na rede estadual iniciou-se na segunda-feira, 24. Neste ano, a novidade é que, do 6º ao 9º ano e do ensino médio, a renovação será pela internet no sistema Estudante Online. Quem não tem acesso residencial poderá usar a estrutura de laboratórios de informática das escolas. Para turmas do 1º ao 5º ano, a rematrícula permanece nas secretarias escolares.
As matrículas para novos alunos nos ensinos fundamental e médio acontecem de 24 de novembro a 2 de dezembro, com mais uma oportunidade programada para os dias 1º a 6 de fevereiro. No ensino profissionalizante, a inscrição ocorre nos dias 8 e 9 de dezembro e 1º e 2 de fevereiro.

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