Napoleão, o tucano-rei de Blumenau - Economia - O Sol Diário

Eleições 201631/10/2016 | 00h02

Napoleão, o tucano-rei de Blumenau

Aos 34 anos, o peessedebista reafirma popularidade nas urnas e se credencia a candidato do partido para as próximas eleições ao governo de Santa Catarina

Napoleão, o tucano-rei de Blumenau Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Napoleão celebra a nova vitória ao lado de correligionários e apoiadores. Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Pelos lados teóricos da história desenhada ontem é possível dizer que os laços do matrimônio de Napoleão  Bernardes (PSDB) com Blumenau foram renovados pelas próximas quatro primaveras. Já os lados práticos da narrativa, com a segunda vitória consecutiva do novo tucano-rei do Vale do Itajaí sobre o, até agora, seu maior rival nas urnas sentenciam o dono da cadeira mais importante da política blumenauense como um nome forte do PSDB ao governo do Estado em 2018.

Inevitável.

Sem um representante de impacto que fuja da mesmice política catarinense, o jovem prefeito da voz grave e aveludada, com o aperto de mão que por vezes machuca e sorriso constante é, de fato, o menino dos olhos do partido — por mais que ele seja para lá de ensaboado quando fala do assunto:

— Não invisto um segundo do meu tempo pensando em projetos eleitorais futuros.

Ao que parece, o eleitorado de Blumenau captou a estratégia subliminarmente alinhada a uma frase de Fernando Henrique Cardoso, liderança ideológica de Napoleão. “Em política, você não tem que contar com quem é a favor e quem é contra. Você tem que transformar quem é contra em a favor. Tem que argumentar”.

Esquivando-se de golpes, comunicados urgentes e as críticas da campanha adversária no segundo turno, Napoleão — que também não é irretocável, diga-se de passagem — mostrou que algumas das palavras presentes no Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, seu livro de cabeceira, são suficientes para triunfar. Prudência para não cair na tentação de revidar e temperança para respirar fundo o catapultaram novamente ao terceiro andar da prefeitura.

No livro preferido de Napoleão ainda constam algumas palavras sentimentais que integram o conjunto de valores destacados pelo autor. Embora tolerância, generosidade, gratidão, compaixão sejam essenciais para uma pessoa íntegra, alguém que queira governar Santa Catarina necessita de uma dose de pulso firme.

A diferença do Napoleão de quatro anos atrás para o de hoje é que há um vice ao seu lado que não serve exclusivamente para captar votos de um público específico ou que pense quase que exclusivamente na campanha para deputado federal. E é bom ficar atento a Mário Hildebrandt (PSB) porque, embora os pensamentos do tucano para 2018 sejam apenas involuntários e superficiais, é o pessebista quem poderá assumir a prefeitura na reta final do próximo mandato.

Pensando em um amanhã óbvio, Napoleão terá de esquecer os quatro anos até aqui. Os passos a serem seguidos daqui para frente são os mesmos de Jean. Não o Kuhlmann, é claro, mas o Valjean, protagonista de Os Miseráveis, filme preferido do reeleito. Buscar um recomeço, escapando das dificuldades e daqueles que o perseguem, são analogias de Hollywood que se aliam a Blumenau. Suficientes para que ele esteja no pleito de 2018? Provavelmente. Embora ninguém fale oficialmente sobre isso.

JORNAL DE SANTA CATARINA

 
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