Partidos estreantes elegeram apenas 17 vereadores em SC - Economia - O Sol Diário

Política13/10/2016 | 06h07Atualizada em 13/10/2016 | 09h41

Partidos estreantes elegeram apenas 17 vereadores em SC

Recursos escassos e estrutura deficitária são elencados como principais dificuldades do SD, PROS, PMB, Rede e PEN que participaram pela primeira vez de uma eleição desde a criação

Dos 2.989 vereadores eleitos em Santa Catarina no último dia 2 de outubro, 17 concorreram pelo Solidariedade (SD), Partido Republicano da Ordem Social (PROS), Partido da Mulher Brasileira (PMB), Rede Sustentabilidade (Rede) e Partido Ecológico Nacional (PEN), legendas estreantes em pleitos municipais. A justificativa para o resultado, que corresponde a 0,58% do total (2.898), se repetiu em meio aos relatos dos presidentes regionais do SD, 
PROS, Rede e PEN: recursos escassos e estrutura deficitária.

No Estado, o novato que mais elegeu vereadores – nenhum partido credenciou prefeitos – foi o SD: seis dos 165 candidatos vão figurar no Legislativo municipal de cinco cidades pelos próximos quatro anos. Para se ter ideia, o número representa apenas 0,7% do total do PMDB, sigla que mais elegeu parlamentares no Estado – 847 dos 3.093 peemedebistas. Ainda assim, se for levar em conta que o veterano PCdoB também elegeu seis vereadores – eram 200 candidatos –, a avaliação dos respectivos presidentes regionais é de que o resultado foi positivo e até previsível.

– Achávamos que poderíamos eleger de 15 a 20 vereadores, mas ficamos ai com 30% disso. Foi um pleito muito difícil, ficamos um pouco decepcionados, mas teve um fato positivo, que a gente não pode negar. Elegemos dois vereadores na maior cidade de Santa Catarina, que é Joinville – pondera Osvaldo Mafra, presidente estadual do SD e vereador em Itajaí.

Na lanterna do ranking ao lado do também veterano PSL, a Rede, partido que elegeu apenas um dos 41 candidatos aptos a concorrer, encara a eleição deste ano como um aprendizado e uma oportunidade para a legenda se consolidar no cenário político catarinense.

– Nos municípios onde temos diretórios mais estruturados, como Florianópolis e Itajaí, acabamos coligando. Isso gerou mais capacidade de articulação. Mas ficamos de marcar outra reunião justamente para essa segunda etapa (eleições gerais de 2018). Devemos fazer avaliações a partir dessa experiência, alinhar quais eventuais estratégias a gente pode alterar ou implementar – adianta o porta-voz do partido no Estado, João de Deus Medeiros.

Foto: Reprodução / Diário Catarinense

Resultados equiparados a siglas consolidadas 

Levando em conta que alguns dos resultados dos estreantes se equiparam com o desempenho de partidos já consolidados, o professor de Ciências Sociais da Unisul e cientista político Valmir dos Passos pondera que, principalmente nesta eleição, o que realmente definiu o desempenho eleitoral dos políticos foi a figura do candidato agregado ao seu grau de conhecimento, aceitação e empatia pública, além da capacidade de mobilizar recursos.

– A questão do partido é muito distante, só em algumas situações, muito peculiares, que o partido acaba tendo alguma importância. O nome que está sendo avaliado pelo eleitor é o do candidato e não do partido. Salvo em situações negativas, como no caso do PT – contextualiza.

Para Passos, outro ponto que deve ser levado em conta na hora de avaliar o sucesso dos candidatos, no caso das eleições proporcionais, é se o partido pelo qual o político concorre está incluso em alguma coligação. Isso porque, para o professor, é nessa circunstância que o novo acaba se misturando com o velho.

– Muitos desse "novos partidos" são siglas que emergem de estruturas políticas existentes e tradicionais. Não chega a ser uma novidade partidária, mas sim uma nova designação para nomes e lideranças que já estavam colocadas no campo político. É mais do mesmo e, no fim, se agrava com a questão das coligações – explica Passos ao ressaltar que, por conta disso, é que o eleitor se apega a personalidade do candidato.

Foto: Reprodução / Diário Catarinense

Foco agora é na disputa de 2018

Nem terminou a eleição municipal ainda e os estreantes já pensam em 2018. É o caso do Pros e do PEN, que elegeram, cada um, cinco parlamentares no Estado, e também o Novo que, apesar de não ter lançado candidatos em Santa Catarina por conta da estrutura financeira do partido, elegeu vereadores em quatro das cinco capitais em que concorreu.

– Prevemos várias mudanças, justamente para não ocorrer erro. Como foi a primeira eleição municipal que o partido disputou, demos liberdade para cada um mostrar o seu valor. Mas agora até já estou conversando com alguns partidos no nível do PROS para que a gente possa montar um bloco para 2018 e fortalecer esses partidos – detalha Tanio Marçal de Mello Barreto Filho, presidente estadual do PROS.

A mesma estratégia, conforme o presidente regional do PEN, Ailson Barroso, deve ser adotada pela legenda. Neste pleito, até lançou candidaturas puras, mas viu nas coligações um resultado mais expressivo:

– Meu projeto para 2018 é eleger um deputado federal na base dos 30 mil votos. Para isso espero conseguir coligar com partidos pequenos, do nível do PEN. 
Assim fica mais fácil para a gente alcançar o quociente eleitoral. Isso também nos ajudará a ganhar relevância para 2020.

Fundado em 2011 e homologado em 2015, o Novo, diferente dos outros estreantes, optou por não concorrer em todas as cidades onde tem diretório. Sendo assim, seguindo a estratégia, motivada principalmente pela estrutura financeira da sigla e levando em conta que o partido não iria se coligar, foram lançadas candidaturas apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba, sendo que, apenas nesta última, nenhum político foi eleito.

– O plano agora é, até o fim deste ano, abrir mais diretórios em Santa Catarina. Serão escolhidas cidades com mais presença de filiados, já que o partido estabelece meta para as cidades. Em Florianópolis faltam poucos filiados para atingir essa meta, então até dezembro já devemos estar preparados para ajudar outas cidades e lançar candidaturas – prevê Carlos Voltolini Neto, coordenador financeiro e de eventos.

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