Pedro Machado: A saúde dos trabalhadores na agenda social e de competitividade - Economia - O Sol Diário

Economia26/10/2016 | 08h02

Pedro Machado: A saúde dos trabalhadores na agenda social e de competitividade

Pedro Machado: A saúde dos trabalhadores na agenda social e de competitividade Elmar Meurer,Fiesc,divulgação/Elmar Meurer,Fiesc,divulgação
Fórum ocorreu nesta terça-feira em São Paulo Foto: Elmar Meurer,Fiesc,divulgação / Elmar Meurer,Fiesc,divulgação

Pergunte a qualquer empresário quais são os obstáculos que ele enfrenta para ser mais competitivo no mercado e a resposta provavelmente será uma destas: exagerada carga de impostos, infraestrutura logística (seja para a operação do negócio ou para dar vazão à produção) bem longe do ideal e burocracia além da conta.

Pelo menos estas são as queixas mais recorrentes em pesquisas que abordam os desafios para o crescimento, um raciocínio exaustivamente disseminado por entidades empresariais, associações e federações de classe e até mesmo pela imprensa. Poucas vezes se fala em saúde no ambiente de trabalho. E este é um ponto tão importante quanto os anteriores, e que exigirá ainda mais atenção nos próximos anos – por questões sociais e econômicas.

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Tratar o bem-estar de funcionários dentro do planejamento dos negócios ainda é algo pouco comum no Brasil. A primeira edição do “Fórum Internacional Saúde e Competitividade: A saúde como ativo estratégico nas organizações”, realizada ontem em São Paulo*, buscou justamente dar uma espécie de pontapé para colocar o tema na agenda permanente das empresas. O evento foi promovido pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) em parceria com o Instituto Coalizão Saúde (Icos) e reuniu representantes do poder público, de entidades representativas e da iniciativa privada.


Mão de obra mais velha

No discurso de abertura, o presidente da Fiesc, Glauco Côrte, deu o tom do debate. Reiterou que a população brasileira está envelhecendo, devido ao aumento da expectativa de vida, e que esse fenômeno tem ao menos duas consequências: a força de trabalho será cada vez mais velha e as pessoas se tornarão economicamente ativas por mais tempo.

— É preciso garantir que essa longevidade ocorra de forma saudável e ativa — pontuou.

Cumprir essa difícil, mas possível, missão vai exigir ações integradas que incluem mobilização de lideranças empresariais e sensibilização com relação aos riscos. Em linhas gerais, o desafio é fazer com que empregadores entendam que saúde é um investimento, não um gasto. Como executivos normalmente olham primeiro para as cifras, eis um bom motivo para convencê-los: um estudo internacional feito pela Mercer Marsh Beneficios mostra que planos de saúde custam 11,5% na folha de pagamento das empresas.

Diminuir esse percentual não significa desassistir a mão de obra, mas promover uma política de ações para que os trabalhadores recorram menos à assistência médica. Ganha o funcionário, que se expõe menos a problemas de saúde e aumenta a sua qualidade de vida, e também a empresa. Um trabalhador saudável tende a ser mais produtivo, potencializando ganhos nos negócios, além de contribuir para a redução do índice de afastamentos e rotatividade.

Mudança de cultura

Atração internacional do evento, Jason Lang, gerente do centro de controle de doenças e prevenção do governo dos Estados Unidos, apontou razões para se investir em uma gestão integrada da saúde com foco no ambiente corporativo. E reforçou que é preciso repensar a maneira como o tema é tratado:

– É preciso sair do modelo médico focado em tratamento e dar mais atenção às oportunidades de prevenção. Isso mantém as pessoas saudáveis. E mesmo se uma doença for identificada, ela pode ser tratada de maneira eficaz.

Prevenir gera economia

Nos EUA, cada US$ 1 investido em promoção de saúde resulta em US$ 3 economizados em custos com absenteísmo, disse Lang. Ao falar em prevenção, Jason Lang não se referiu apenas a exames médicos, mas também a mudanças de hábitos – e essa é a parte mais difícil para o “preguiçoso ser humano”, segundo ele.

Segundo o especialista, a prescrição para uma boa saúde passa, entre outros pontos, pela interrupção ou redução do tabagismo e por uma alimentação saudável, fatores que por si só já ajudam a diminuir no médio e longo prazos a incidência de doenças crônicas como diabetes e câncer. São questões que podem ser trabalhadas por empresas a partir de ações simples e baratas (confira abaixo).

 


Sua empresa pode colaborar
Estimular a cultura da saúde no ambiente de trabalho não exige grandes investimentos. Algumas práticas simples e acessíveis até mesmo a pequenas empresas já ajudam:

- Criar ambientes e reuniões livres de cigarro;

- Estabelecer horários flexíveis e políticas de RH que permitam o trabalho compartilhado, além de cuidados dos pais com dependentes;

- Servir alimentos saudáveis em eventos e reuniões;

- Liberação para atividades físicas e exames de saúde durante o expediente.


*O colunista viajou a convite da Federação das Indústrias de Santa Catarina.

JORNAL DE SANTA CATARINA

 
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