Saiba como foi o último debate entre os candidatos a prefeito de Blumenau - Economia - O Sol Diário

Eleições 201629/10/2016 | 00h11Atualizada em 29/10/2016 | 13h11

Saiba como foi o último debate entre os candidatos a prefeito de Blumenau

Napoleão Bernardes (PSDB) e Jean Kuhlmann (PSD) se encontraram nos estúdios da RBSTV no Vale do Itajaí

Saiba como foi o último debate entre os candidatos a prefeito de Blumenau Aline Camargo/Agencia RBS
Foto: Aline Camargo / Agencia RBS

Sessenta minutos. Entre as 22h30min e as 23h30min da noite desta sexta-feira, os candidatos Jean Kuhlmann (PSD) e Napoleão Bernardes (PSDB) falaram pela última vez para os eleitores por meio da televisão. O encontro ocorreu no debate promovido pela RBSTV e teve, como se esperava, variações de temperatura tão intensas quanto um dia em Blumenau. Começou morno, com um tema simpático, principalmente às eleitoras — violência contra a mulher — que foi seguido por um assunto muito conhecido pelos blumenauenses: prevenção de desastres naturais.

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No primeiro assunto do bloco de tema livre, levantado por Jean, Napoleão ressaltou o protocolo de ação com órgãos do Judiciário para acolher mulheres vítimas de agressão, mencionou o trabalho social do seu candidato a vice Mário Hildebrandt (PSB) e o fato de ter mulheres à frente de secretarias de Saúde, Educação e Desenvolvimento Social. Na réplica, Jean reafirmou a proposta de criação de um Centro de Referência de Atendimento à Mulher e de um conselho municipal de políticas públicas para mulheres.

Após uma pergunta sobre prevenção de cheias em que Jean lembrou recursos alcançados para obras do governo do Estado como ampliação de barragens e Dique da Fortaleza enquanto Napoleão falou de obras de macrodrenagem em ribeirões e contenção de encostas, os candidatos entraram no tema de pavimentação de ruas em sistema de mutirão. Jean apresentou a ideia de criação de um Fundo Municipal de Pavimentação para permitir que o morador pague pela obra apenas depois de a prefeitura fazer a pavimentação. O candidato tucano reafirmou a transparência que envolve os contratos de mutirão, citou que mais de 80 ruas foram pavimentadas neste formato e prometeu incluir calçadas e faixas elevadas nas novas obras de mutirão.

No encerramento do primeiro bloco, Napoleão abordou as parcerias público-privadas feitas no atual mandato, que resultaram em obras como o Eisenbahn Biergarten e o Calçadão Brueckheimer, e prometeu repetir o formato em projetos como Mercado Público, reforma do Galegão e Aeroporto Quero-Quero. Jean valorizou a estratégia das PPPs e revelou a intenção de aplicá-la em locais como a rodoviária e praças nos bairros, mas mencionou o interesse em parcerias com o governo do Estado para o Centro de Convenções, mencionado também pelo candidato tucano.

Segundo bloco

O segundo bloco foi de temas pré-determinados e que foram informados com antecedência para os dois candidatos. Em discussão estavam a saúde, a geração de empregos, as contas públicas, o transporte coletivo e a mobilidade urbana.

Napoleão abriu a série de perguntas do bloco dois questionando o adversário sobre a construção e custeio de uma unidade de saúde 24 horas na região norte da cidade, uma das propostas do pessedista. Kuhlmann respondeu que a criação do local será feita em parceria com a Furb, já que pretende utilizar a estrutura existente da universidade, e declarou que já tem a garantia da construção dada pelo governo do Estado.

O debate seguiu frio na pergunta seguinte, feita por Kuhlmann, sobre a geração de empregos de qualidade em Blumenau. Napoleão argumentou que Blumenau foi campeã na geração de empregos em Santa Catarina e destacou a criação da Praça do Empreendedor.

— Foram 3,5 mil empresas abertas em um ano, e a nossa obstinação e nosso compromisso prioritário no próximo mandato é a revisão do processo de licenciamento ambiental para que se torne mais ágil. —declarou. 

Na réplica, Kuhlmann explicou que pretende investir em inovação e no enxugamento da estrutura administrativa:

— Quero criar o Inova Blumenau para investir na inovação como setor estratégico e investir no turismo economizando e juntando a Secretaria de Turismo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, isso vai enxugar a máquina pública e transformar o turismo em geração de emprego.

A temperatura se manteve amena na questão que abordou a mobilidade urbana, quando o tucano questionou o adversário sobre o compromisso com a criação de calçadas e ciclovias. Jean declarou que mobilidade urbana é um conjunto de ações e que quer tirar do papel obras de mobilidade que já têm recursos garantidos, citando os projetos para os terminais urbanos da Água Verde e da Itoupava Central e a Ponte do Centro — que garantiu outros momentos quentes —, e concluiu dizendo que vai integrar ciclofaixas e que, antes de cobrar a execução das calçadas dos moradores, acredita que a prefeitura precisa dar o exemplo, fazendo as estruturas em escolas e postos de saúde. Napoleão explicou que as obras citadas pelo adversário estão em andamento:

— Nós estamos fazendo o prolongamento da Rua Humberto de Campos, já os terminais urbanos e a ponte estão na fase final da execução dos projetos executivos e seguem para licitar a execução da obra — respondeu.

— Eu nunca vi projeto levar três anos para ficar pronto — replicou Kuhlmann, no primeiro momento em que a temperatura subiu durante o embate.

O clima começou a esquentar, de fato, no último tema do segundo bloco: contas públicas. Kulhmann questionou atrasos no pagamento do Issblu, o seguro social dos servidores públicos, e de que maneira o candidato garantiria os direitos dos servidores. O tucano respondeu que os direitos estão em dia, e que herdou do prefeito anterior – João Paulo Kleinübing , ressaltando que ele é do mesmo partido de Kuhlmann — uma dívida de R$ 40 milhões, dos quais R$ 8 milhões eram do Issblu, e que o parcelamento foi aprovado e está sendo pago.

O pessedista replicou que, se eleito, vai garantir que 50% dos cargos comissionados sejam ocupados por servidores de carreira e questionou a habilidade do atual prefeito em negociar com os servidores:

— Comigo não vai acontecer a maior greve da história de Blumenau.

Em tréplica, Napoleão declarou que criou mesas de negociação com os trabalhadores, que garantiram uma série de avanços, e que está promovendo o Plano de Cargos e Carreiras da Saúde e o reenquadramento de diversas carreiras públicas.

Terceiro bloco

No terceiro bloco a temperatura do debate subiu de vez. A nova licitação do transporte coletivo deixou Jean e Napoleão de lados ainda mais opostos. O pessedista voltou a defender o edital dividido em dois lotes para permitir comparações aos usuários, enquanto o tucano argumentou que a divisão de linhas teria sido uma das causas para a quebra do sistema com o Consórcio Siga. Em seguida, Napoleão perguntou detalhes da proposta de auxílio-creche defendida pelo adversário. Jean destacou a intenção de ampliar e construir novas creches e que o auxílio seria um benefício da área social.

A polêmica Ponte do Centro também manteve a temperatura alta do último bloco. O candidato do PSD defendeu a construção do traçado entre as ruas Rodolfo Freygang e Chile, aprovada pelo BID. Napoleão mencionou a decisão de incluir esta ponte no projeto do Corredor Leste, que estaria em fase final de projeto de engenharia e que em seguida partiria para a licitação.

O pessedista Jean criticou o tempo que os projetos levam para a conclusão enquanto o tucano afirmou que o BID vem acompanhando todos os processos que envolvem o projeto da ponte. Em uma pergunta sobre estímulo ao empreendedorismo que parecia esfriar o clima na reta final do debate, os candidatos trocaram críticas sobre perdas de recursos no governo de João Paulo Kleinübing (PSD) e no governo atual. Na parte final do debate, os candidatos fizeram as considerações finais em um clima mais ameno, dirigindo-se ao eleitor, mas sem deixar de mencionar pontos como críticas feitas ao longo da campanha no horário eleitoral.

 
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