SC é o terceiro Estado do país que mais gerou emprego em setembro - Economia - O Sol Diário

Economia26/10/2016 | 18h25Atualizada em 26/10/2016 | 22h27

SC é o terceiro Estado do país que mais gerou emprego em setembro

Foram 3.550 novas vagas de trabalho geradas no mês

SC é o terceiro Estado do país que mais gerou emprego em setembro Roni Rigon/Agencia RBS
Foram 3.550 novas vagas de trabalho geradas no mês Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
leonardo gorges

Pelo segundo mês consecutivo, Santa Catarina contrariou a tendência nacional e registrou um número positivo na geração de empregos. Ao todo, o saldo foi de 3.550 admissões a mais do que demissões em setembro. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho. Apesar da alta, no acumulado do ano o Estado segue com números negativos. Entre janeiro e setembro, as demissões superam as contratações em 6.619.

SC tem saldo positivo de empregos pela primeira vez em seis meses

Em âmbito nacional, Santa Catarina teve o terceiro melhor resultado, ficando atrás apenas de Pernambuco (15.721) e Alagoas (13.395). O total nacional, no entanto, decepcionou os economistas, com -39.282 vagas. A queda é maior do que a ocorrida em agosto, com -33.956, porém menor do que a do mesmo mês do ano passado, quando foram fechadas 95.602 vagas. 

Entre as cidades catarinenses, o destaque de setembro ficou com Itajaí, que gerou 242 novas vagas. Em seguida, aparecem Brusque (225) e São José (179). O município que mais cortou foi Tubarão, com -75. Também registraram resultados negativos Chapecó (-63) e São Francisco do Sul (-48). 

Na divisão por setores econômicos, foram os serviços que mais puxaram para cima os números. A área criou 1.519 vagas, seguida do comércio (1.461) e da indústria de transformação (921). A agropecuária também teve números positivos, com 156 vagas. Na contramão, a construção civil perdeu 493 vagas no mês passado. 

Otimismo com cautela

Coordenadora do Observatório de Conjuntura Econômica da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a professora Thais Niquito reforça que  o Estado seguiu trajetória totalmente oposta ao restante do país em setembro. Ela lembra que os três grandes setores da economia (agropecuária, indústria e serviços) cresceram no Estado, ao contrário do Brasil, que teve queda. 

Além disso, Thais acredita que o pior da crise já tenha ficado para trás. Como exemplo, usa a comparação da geração de empregos com o mesmo período do ano passado. Em setembro de 2015, o Estado perdeu 4,4 mil vagas, contra as 3,5 mil geradas no mês passado. Outro dado que indica uma melhora é o acumulado do ano. Enquanto em 2015, nessa mesma época, o Estado já havia perdido 14 mil postos de trabalho, em 2016 esse número foi reduzido para 6,6 mil.

— O crescimento do emprego por dois meses seguidos é um dado que deve ser comemorado, mas com cautela. Acredito que a tendência é de melhora daqui para frente, mas uma melhora pontual. A retomada (do crescimento) vai ser lenta. E também estamos sujeitos a crises externas — afirma a professora.

Um dos fatores que levam a acadêmica a ter um otimismo mais moderado é que o crescimento do emprego é bem menor do que o registrado para os meses de setembro entre 2011 e 2014, antes do aprofundamento da crise econômica nacional.

— Claro que é um número bom, mas não excepcional. Costumávamos gerar, em média, 9 mil postos de trabalho em setembro. No último mês, caiu para 3,5 mil, mas ainda assim é melhor que 2015 (com -4,4 mil) — conta.

Indústria também celebra

Embora a indústria de transformação tenha ficado atrás dos serviços e do comércio, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Glauco José Côrte, disse que o mês de setembro foi bastante positivo para o setor. Ele destacou o fato de que a indústria do Estado voltou a liderar na geração de empregos no acumulado do ano, ultrapassando Goiás. Entre janeiro e setembro, foram criadas 5.942 vagas no setor em SC, contra 4.058 no Estado mais populoso do Centro-Oeste.

Côrte também destaca a recuperação dos setores têxtil e metalúrgico. Segundo ele, é um reflexo da melhora da confiança dos empresários, pois ocorre uma gradativa normalização dos estoques, o que deve fazer com que haja uma melhora na produção. Além disso, a indústria costuma acelerar a produção na primavera para atender à demanda do comércio no fim do ano.

— São sinais, ainda que oscilantes, de uma melhora no cenário econômico. Devemos ter um aumento da produção já em outubro. Claro que não pode se dizer com certeza que tudo será positivo daqui para frente, mas são bons sinais. A esperança da indústria é de que haja uma retomada do crescimento a partir do ano que vem, mesmo que pequena — diz o industrial. 

São Paulo, Rio e Minas puxam queda nacional

Responsáveis por mais da metade do PIB brasileiro, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram os principais responsáveis pela queda no emprego em setembro no país. No Rio de Janeiro, gravemente afetado pela crise, houve 23 mil demissões a mais que admissões no mês. São Paulo também foi mal (-21 mil) e Minas Gerais teve o terceiro pior resultado do país (-16 mil). A Região Nordeste, por outro lado, puxou para cima o índice, com 29 mil empregos criados no mês.



 
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