Upiara Boschi: Pedido de impeachment consolida sindicatos como principal oposição a Colombo - Economia - O Sol Diário

Análise26/10/2016 | 07h04Atualizada em 26/10/2016 | 07h04

Upiara Boschi: Pedido de impeachment consolida sindicatos como principal oposição a Colombo

upiara boschi
upiara boschi

Desde seu primeiro mandato, a única oposição organizada e consistente ao governador Raimundo Colombo (PSD) é que vem dos sindicatos. Foram eles que promoveram as maiores reações e mobilizações a atos de governo - a maior parte sem sucesso. Por isso, é natural que seja justamente um grupo de 29 entidade sindicais que assine o pedido de impeachment do governador que será protocolado nesta quarta-feira na Assembleia Legislativa. 

29 sindicatos e dois parlamentares vão pedir impeachment de Colombo

Como ensinaram ao Brasil os afastamentos de Fernando Collor e Dilma Rousseff, os impeachments são julgamentos políticos que punem de forma capital os governantes que conseguem somar três fatores: um deslize legal que justifique o pedido, a perda irreversível da base parlamentar, a falta de apoio popular. Dessa forma, o pedido de impeachment dos sindicatos não deve tirar o sono de Raimundo Colombo.

A principal fundamentação é a operação financeira que permitiu à Celesc destinar R$ 615 milhões de impostos a serem pagos em 2015 ao Fundo Social. A artimanha contábil, avaliazada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, descarimbou dinheiro e permitiu ao governo utilizar os recursos sem distribuir as fatias dos municípios e dos poderes. Seria este o crime de responsabilidade, o equivalente local às chamadas pedaladas fiscais que derrubaram Dilma do Planalto.

Se a operação Celesc/Fundo Social serve como deslize legal para basear o pedido de impeachment — e é uma discussão que ainda deve render muito, porque há um julgamento específico sobre o tema no Tribunal de Contas —, ainda falta aos sindicatos a condição política que faça deste uma ameaça ao mandato de Colombo. 

As pesquisas indicam que Colombo tem bons níveis de aprovação, com um pouco mais de resistência em Florianópolis. A base política continua firme, apesar das caneladas entre PSD e PMDB. Hoje, formalmente, a oposição ao governo tem cinco deputados do PT, um do PCdoB e um do PDT. Ganha uma edição autografada da biografia de Dilma quem juntar esses sete parlamentares na mesma sala.

Isto não significa que seja inócua a ação dos sindicatos. Eles criam um fato político a ser utilizado pela militância, especialmente nas redes sociais. Constrangem Gelson Merisio (PSD), presidente da Assembleia, a quem caberá analisar e, provavelmente, arquivar o pedido. Deixam Colombo menos a vontade para se contrapor ao PMDB, ficando mais dependente dos 10 deputados do partido. É o jogo da política sendo jogado.

 
  •                                
  •  
     
  •  
     
  •  
O Sol Diário
Busca
clicRBS
Nova busca - outros