Delcídio pressionou para Cerveró não delatá-lo, diz filho do ex-diretor da Petrobras - Economia - O Sol Diário

Operação Lava-Jato28/11/2016 | 16h04Atualizada em 28/11/2016 | 16h04

Delcídio pressionou para Cerveró não delatá-lo, diz filho do ex-diretor da Petrobras

Bernardo Cerveró foi ouvido na ação penal em que Delcídio, o ex-presidente Lula, o pecuarista José Carlos Bumlai e o banqueiro André Esteves, entre outros, são acusados de tentar comprar o silêncio de Nestor

Delcídio pressionou para Cerveró não delatá-lo, diz filho do ex-diretor da Petrobras Divulgação/Agência Senado
O senador cassado Delcídio Amaral Foto: Divulgação / Agência Senado
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Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, voltou a afirmar, nesta segunda-feira, ter sido pressionado pelo senador cassado Delcídio Amaral para que seu pai não celebrasse acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava-Jato. Testemunha de acusação, Bernardo Cerveró foi ouvido pelo juiz substituto da 10ª Vara Federal Ricardo Leite na ação penal em que Delcídio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pecuarista José Carlos Bumlai e o banqueiro André Esteves, entre outros, são acusados de tentar comprar o silêncio de Nestor. 

Ele confirmou ter recebido uma primeira remessa de R$ 50 mil enviados por Delcídio como uma "ajuda à família", mas disse não ter ficado com a quantia. O dinheiro teria sido devolvido a Edson Ribeiro, então advogado de Nestor e intermediário do pagamento, para que ele cobrisse custos processuais.

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Questionado pelo Ministério Público Federal (MPF), Bernardo relatou ter se encontrado pelo menos quatro vezes com o ex-senador Delcídio Amaral para discutir o teor das tratativas que haviam sido iniciadas com os procuradores da Lava-Jato em Curitiba após a prisão de Cerveró, em janeiro do ano passado. Em uma delas, em um encontro no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, "ele (Delcídio) diz explicitamente, ele me pede textualmente para não fazer delação. Que ele (Nestor) ia ficar refém dos procuradores", disse Bernardo. 

Tais reuniões teriam ocorrido por incentivo de Edson Ribeiro, a quem Bernardo acusa de atuar contra os interesses do próprio cliente e em prol dos de Delcídio, a partir do momento em que passou a tentar demover Nestor Cerveró de fechar um acordo de delação premiada. 

Segundo Bernardo, o advogado teria tentado influenciar inclusive a delação do lobista Fernando Baiano, outro colaborador da força-tarefa da Lava-Jato. 

— Para o meu espanto, ele (Edson) pediu para eu passar uma mensagem para o Gustavo (irmão de Baiano) para que Fernando Baiano não falasse do senador. Ele me colocou na situação de cometer um crime de obstrução de Justiça", disse Bernardo. 

A defesa de Ribeiro nega todas as acusações e argumenta que o advogado sempre se posicionou contra acordos de delação premiada celebrados por pessoas presas. Bernardo disse nunca ter ouvido os nomes do pecuarista José Carlos Bumlai ou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos encontros que teve com Delcídio. Bumlai e Lula foram citados em delação por Delcídio Amaral como cúmplices no esquema de compra do silêncio de Nestor.

O filho de Nestor Cerveró disse também desconhecer a natureza do envolvimento de André Esteves na trama. O banqueiro foi apontado pelo MPF como origem do dinheiro que compraria o silêncio do ex-diretor da Petrobras.

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*Agência Brasil

 
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