Vereadores das principais Câmaras de SC começam 2017 sem aumento real nos salários - Economia - O Sol Diário

Política04/11/2016 | 03h00Atualizada em 04/11/2016 | 03h00

Vereadores das principais Câmaras de SC começam 2017 sem aumento real nos salários

Cenário contrasta com o fim dos mandatos municipais anteriores: em 2012, as Casas de Blumenau, Joinville e Florianópolis tiveram reposição da inflação e aumentos reais superiores a 15%

Os vereadores eleitos das 10 maiores Câmaras de Santa Catarina começarão 2017 sem aumento real nos salários — sendo que em cinco delas sequer houve a reposição da inflação em 2016. O cenário reforça a dificuldade de um ano de ápice da crise econômica nacional e recorde no rombo das contas públicas. Também contrasta perfeitamente com o fim dos mandatos municipais anteriores: em 2012, as Casas de Blumenau, Joinville e Florianópolis, além de reporem a inflação, aprovaram aumentos reais superiores a 15%. Na cidade do Vale do Itajaí, esse ganho real chegou aos 35%.

Agora, apenas Blumenau, Joinville e Palhoça reajustaram os salários deste ano de acordo com índices de inflação acumulada. Já em São José o aumento seguiu acordo do sindicato dos servidores, chegando a 8,5%. Na Capital, Chapecó, Itajaí, Jaraguá do Sul e Criciúma os salários foram congelados. O caso mais confuso ocorre em Lages, onde foi a reposição da inflação foi aprovada no Legislativo — inclusive com pagamento retroativo a a janeiro —, mas vetada pelo prefeito. O veto então voltou para a Câmara e será apreciado em 21 de novembro.

— Aumentos acima da inflação ou que não levam em conta o estado das finanças municipais, delicado na maioria dos casos, configuram claramente a mobilização de recursos públicos pelos vereadores para fins particulares, ainda que dentro da lei. Por consciência ou sob pressão popular, agem bem os vereadores que contêm os gastos dos parlamentos para que sobre mais recursos para atender à população — avalia o professor do departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Jacques Mick.

Acompanhamento e pressão popular são fundamentais, avaliam especialistas

Além da situação econômica delicada, o professor da UFSC e doutor em Sociologia Política Carlos Eduardo Sell reforça que há um profundo distanciamento entre os desejos da sociedade e o sistema político. O especialista pondera que os eleitores sentem que os eleitos governam em benefício próprio e a classe política sente esta pressão. Para ele, é preciso ainda ampliar essa mobilização.

— As mobilizações cívicas que, desde junho de 2013, mudaram a política brasileira, ainda estão muito focadas na figura do presidente da República. É preciso transferir esta atitude para os governos estaduais e para os municípios. As redes sociais têm um papel essencial nesse processo. É preciso contatar e cobrar constantemente os políticos eleitos. Esse é o sentido da representação política — analisa.

O professor Jacques Mick concorda que a internet ganha papel central nesse processo, com mais oportunidades de fiscalização e pressão dos parlamentos municipais pelos eleitores. Ele lembra que quase todas as Câmaras de Santa Catarina têm sites e e-mails e, mesmo que o uso desses canais seja desigual — em muitos casos é amador ou subutiliza os potenciais das mídias —, eles são também espaços de interação, e como tal são mobilizados pelo público.

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