Quais são as suspeitas da Lava-Jato contra Marco Maia - Economia - O Sol Diário

Alvo no STF05/12/2016 | 10h11Atualizada em 05/12/2016 | 15h42

Quais são as suspeitas da Lava-Jato contra Marco Maia

Casa do deputado federal, em Canoas, foi alvo de busca e apreensão na manhã desta segunda-feira

Quais são as suspeitas da Lava-Jato contra Marco Maia Daniela Xu/Agencia RBS
Foto: Daniela Xu / Agencia RBS
Zero Hora
Zero Hora

Alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta segunda-feira, o deputado federal gaúcho Marco Maia tornou-se, em maio deste ano, o primeiro nome do PT gaúcho investigado no âmbito da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal. Pesa contra ele o mesmo que contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, que também foi alvo da operação nesta segunda: suspeita de cobrança de "pedágio" das empreiteiras para protegê-las na CPI Mista da Petrobras, em 2014. Na comissão, Maia era relator e Rêgo, o presidente.

O pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) aceito pelo STF teve como base duas delações premiadas a de Júlio Camargo, ex-consultor da Toyo Setal, e do ex-senador petista Delcídio Amaral. Ambos contaram que executivos de empreiteiras investigadas na Lava-Jato teriam de repassar recursos para parlamentares para barrarem suas convocações para depoimentos. 

Leia mais:
Vital do Rêgo e Marco Maia são alvos de nova fase da Lava-Jato
País tem domingo de manifestações de apoio à Lava Jato e ao MP
Prêmio para a Lava-Jato 

Camargo contou que Maia, que foi presidente da Câmara entre 2011 e 2012, solicitou R$ 500 mil a fim de livrar o consultor da convocação para depor na comissão.

Na versão de Delcídio, os empreiteiros fizeram uma "força-tarefa" para impedir seus depoimentos. O senador informou que o núcleo responsável pelo "pedágio" era integrado pelo então senador pelo PMDB e presidente da CPI, Vital do Rêgo, atualmente ministro do TCU, além do ex-senador Gim Argello (PTB-DF), que era vice-presidente da comissão, e dos deputados Fernando Francischini (SD-PR) e Marco Maia (PT-RS). 

Mais tarde, a PGR pediu arquivamento da contra Francischini. No entendimento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Júlio Camargo afirmou que não tinha conhecimento do envolvimento do deputado na cobrança de dinheiro dos empresários, contrariando o que Delcídio havia afirmado.

Em um novo depoimento ao juiz da Sergio Moro em setembro deste ano, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro corroborou as suspeitas da polícia. Segundo o empresário, Maia o procurou em 2014 para cobrar propina de R$ 1 milhão em troca de proteção a sua empresa na CPI que deveria investigar as irregularidades na estatal petrolífera. Léo Pinheiro disse que a OAS fez o pagamento para um empresário indicado pelo parlamentar, que atuaria em campanhas políticas. 

Em 2014, foram instaladas uma CPI Mista e uma CPI no Senado. Nenhuma delas convocou empreiteiros das grandes construtoras para depor. No caso da CPI Mista, o texto final do relator Marco Maia foi aprovado em 18 de dezembro daquele ano e pedia o indiciamento de 52 pessoas. O parecer de Maia foi modificado na última hora e aprovado por 19 parlamentares e com a objeção de oito membros da oposição.

Quando o STF autorizou o processo, em maio deste ano, Maia negou as suspeitas. Por meio de nota, refutou envolvimento na Lava-Jato e reforçou que a investigação mostrará que ele é "vítima de uma mentira deslavada e descabida". O parlamentar repetiu argumentos apresentados quando houve o pedido de abertura do inquérito, em abril. Ele rebate as acusações e lembra que defendeu o indiciamento e investigação dos envolvidos nos desvios da Petrobras.

Apartamento em Miami

Em novembro do ano passado, o nome de Maia esteve envolvido em outra polêmica. Segundo a revista Veja, o deputado é dono de um apartamento em Miami avaliado em US$ 671 mil (R$ 2,5 milhões). O imóvel estaria em nome de uma empresa aberta por Alexandre Romano, ex-vereador petista de Americana (SP), o Chambinho.

Em agosto de 2015, o ex-vereador foi preso pela Lava-Jato por suspeitas de cuidar da distribuição de propina dentro do Ministério do Planejamento, onde a empresa de informática Consist estaria envolvida. Em troca da assinatura de um contrato milionário, a empresa repassava, segundo a acusação, parte do valor recebido para o PT. 

A reportagem revelou que a escritura do apartamento estava entre o material reunido pelos policiais e que Marco Maia passou férias no imóvel. O petista afirmou à Veja que, a convite de Chambinho, se hospedou no apartamento por 10 dias, mas "uma única vez".

Porém, em delação premiada, o ex-vereador disse que o verdadeiro dono do imóvel é Maia. O apartamento tem 164 metros quadrados, fica na South Tower at The Point e conta com três quartos e dois banheiros. O prédio faz parte de um condomínio de cinco edifícios situado a poucos metros da praia e proporciona o uso de uma marina e de um spa. 

Em nota divulgada na época, Maia disse que "sua conduta sempre foi ilibada, inexistindo qualquer vínculo com atividade ilegal. Ademais, seu patrimônio está devidamente declarado e tem origem estritamente lícita. O deputado buscará ter acesso a informações oficiais para contestar eventuais e indevidas citações a sua pessoa".

Siga O Sol Diário no Twitter

  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioMarquinhos fala da volta de Kozlinski aos titulares do Avaí: "Confiança do grupo ele tem" https://t.co/u033a8eZuzhá 10 horas Retweet
  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioTécnico do Figueirense exalta grupo e diretoria: "Fizemos uma família" https://t.co/TgxY1wi2Tuhá 12 horas Retweet
O Sol Diário
Busca