Agricultores esperam recuperação de 80% na produção de uvas em SC - Economia - O Sol Diário

Agroindústria11/01/2017 | 03h03Atualizada em 11/01/2017 | 03h03

Agricultores esperam recuperação de 80% na produção de uvas em SC

Otimismo vem depois de safra prejudicada pelo clima em 2016

Agricultores esperam recuperação de 80% na produção de uvas em SC Caio Marcelo/especial
Foto: Caio Marcelo / especial

O clima colaborou e Santa Catarina se prepara para uma boa safra da uva neste ano, depois de um 2016 decepcionante nas plantações. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) estima uma colheita entre 70% e 80% melhor que a anterior, voltando ao patamar de 2015. Só não chega a ser uma supersafra justamente pela grande quebra da produção registrada no ano passado.

O fator decisivo para o otimismo em relação à uva é o fato de o clima ter sido bem definido nos últimos meses, com inverno frio, primavera e verão quentes e chuva em quantidade suficiente para o desenvolvimento da fruta.

– É uma safra de recuperação. Não excelente, mas boa. A videira sofre de um ano para o outro e 2016 foi muito ruim. Então, agora ela está se recuperando e a expectativa é que a safra seja ainda melhor em 2018 – diz o gerente de pesquisas da Estação Experimental da Epagri de Videira, Vinícius Caliari.

Área plantada de milho tem primeiro crescimento em SC em 10 anos

Atualmente, Santa Catarina tem cerca de 4,7 mil hectares de área plantada de uva, o que corresponde a aproximadamente 6% do país. Em 2015, foram 69,1 mil toneladas no Estado – pouco mais de 4,5% do resultado nacional. Mais ou menos 30% das uvas são viníferas, usadas para os vinhos finos ou de altitude. O restante é de frutas híbridas, para consumo in natura, sucos e vinhos de mesa.

Fruta tem importânciana agricultura familiar

Em Santa Catarina, a cultura da uva ganha importância pela agricultura familiar. A Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca calcula que possa chegar a 10 mil o número de famílias catarinenses que tem a fruta como atividade econômica e de sustento.

– A uva permite gerar grande renda em pequenas áreas. A uva de mesa é importante para a agricultura familiar. Já a europeia, para investimentos empresariais – diz o secretário adjunto de Agricultura Airton Spies.

No Sul do Estado, o destaque é a certificação dos Vales da Uva e Vinho Goethe, da Associação ProGoethe de Urussanga. Desde 2012, eles têm a Indicação Geográfica de Procedência (IGP) do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), um diferencial de produção no mercado vitivinícola.

No Sul, agricultores preveem 50% de crescimento na colheita da uva de mesa

A safra da uva de mesa, que começou em dezembro e vai até o início de fevereiro no Sul do Estado, tem deixado os produtores animados e oferecido um produto melhor para o consumidor. O clima ajudou, e a safra 2016/2017 será 50% maior do que a última.

Em Urussanga, segundo município com maior produção de uva no Sul do Estado, o trabalho não para. Arnaldo Masiero, produtor de frutas, contratou mais pessoal e está feliz com o resultado nos parreirais. Na propriedade, 17 hectares são dedicados à niágara rosada. Para este ano, a expectativa é colher 15 toneladas por hectare, enquanto a última safra não chegou a 10 toneladas.

– No ano passado deu 40% da produção, este ano vamos chegar a 70%. O que diferencia agora é qualidade de produto, sabor, está muito boa a uva. Para o consumo mesmo, até um cacho mais verde já está doce, o sol ajudou muito. Em função da qualidade, dá para comemorar – comenta o produtor.

O pesquisador da Epagri de Urussanga Emílio Della Bruna diz que a produção não será considerada uma supersafra, mas que a projeção é animadora em relação ao ano passado. A expectativa é colher 4,5 mil toneladas nos 300 hectares existentes no Sul, principalmente da uva niágara, além da híbrida goethe e da uva bordô.

– O clima ajudou muito. O inverno seco e frio fez com que as plantas brotassem bem e, com a primavera de bastante sol, a luz ajuda a desenvolver a doçura da fruta. O consumidor vai encontrar uma uva bonita e doce, além de muito aromática, com uma produção de alta qualidade – explica o pesquisador.

No Sul do Estado, a uva niágara é pouco usada para a produção de vinhos, mas é a preferida para o consumo in natura. Com cachos maiores, mais doces e perfumados, os produtores não devem ter dificuldade para escoar a produção. O consumidor encontrará uma uva mais barata, já que a oferta é maior, e com qualidade superior.

Vinícolas de SC projetam bom ano no campo

Além de toda a condição para o desenvolvimento das videiras, o clima bem definido neste ano deve ajudar na qualidade dos vinhos finos que serão produzidos na Serra catarinense. O presidente da Vinhos de Altitude Produtores Associados, Guilherme Grando, afirma que o cenário é positivo na região:

– O verão está com dias quentes e noites muito frias. Essa variação de temperatura (amplitude térmica) é muito positiva para o desenvolvimento das frutas.

A associação hoje tem aproximadamente 300 hectares de área plantada, 30 associados produzindo uva e cerca de 20 marcas de vinho no mercado. A expectativa é de colher 5 quilos por hectare e produzir 1,5 milhão de garrafas. A colheita começa em março e Grando projeta uma safra de grande qualidade:

– Talvez não tanto em volume, porque ano passado foi muito prejudicado pela geada tardia, mas houve boa recuperação da planta e a safra será de qualidade. Em volume, acredito que podemos chegar a um crescimento de até 90% em relação ao ano passado, já que houve áreas em que a produção foi completamente perdida.

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