Claudio Loetz: O efeito Trump nos negócios - Economia - O Sol Diário

Livre Mercado 16/01/2017 | 07h42Atualizada em 16/01/2017 | 16h08

Claudio Loetz: O efeito Trump nos negócios

Maria Teresa Bustamante, presidente da câmara de comércio exterior da Fiesc, enxerga boas oportunidades de negócios para as empresas catarinenses

Claudio Loetz: O efeito Trump nos negócios fernando wiladino/Divulgação
Segundo Maria Teresa Bustamante, Fiesc está empenhada em provocar os empresários para evoluírem no comércio exterior Foto: fernando wiladino / Divulgação

O mundo vai mudar com a presença de Donald Trump na presidência do mais importante país do mundo, os Estados Unidos. A posse dele acontecerá na sexta-feira, dia 20. Desde o período da campanha eleitoral, e após a vitória, o líder não deixa de expor ideias polêmicas e controversas em temas de economia, política internacional, meio ambiente. Há expectativa por aquilo que fará à frente da Casa Branca.

A presidente da câmara de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Maria Teresa Bustamante, a Maitê, enxerga boas oportunidades de negócios para as empresas catarinenses. Especialmente, com países como China, Índia e Reino Unido. A especialista deixa claro, nesta entrevista, que as companhias precisam dar atenção ao mercado internacional, como forma de expandir horizontes de vendas.

A seguir, confira os principais trechos da conversa:

 A Notícia — O mundo está mudando. A vitória de Donald Trump e suas ideias no comando da maior potência global terão efeitos sobre as relações comerciais. O que deve acontecer após 20 de janeiro,
quando ele toma posse?
 Maria Teresa Bustamante (Maitê) —
Em 2016, o crescimento dos negócios internacionais foi bem menor do que as expectativas gerais apontavam no começo do ano. A previsão era de crescimento de
2,8%, mas só ocorreu 1,7%.

AN — O que mais preocupa com a chegada de Trump ao poder?
Maitê —
O ponto mais importante é o do protecionismo. Os países estão olhando muito para dentro de si, para seus mercados internos. Isso não ajuda. É essencial compreender que a ideia de cadeia de valor de mercado aumenta quando há a interrelação de comércio global, de modo a permitir a expansão mais equilibrada entre nações ricas e pobres.

AN — Os governos acentuarão o protecionismo.
Maitê —
Sim. Essa é a tendência. E isso vem acompanhado da articulação para favorecer setores específicos. Ainda assim, espera-se crescimento global do comércio, entre 1,8% a 3% neste ano de 2017. Temos de lembrar que a China, por menos que cresça, crescerá de 5% a 7% ao ano.

AN — Trump vai "matar" acordos de comércio, como diz que fará?
Maitê —
Trump não pode enterrar acordos gerais, ou supra nacionais, via Twitter, porque foram assinados entre países, por governos legitimamente constituídos. Um exemplo é o acordo do Nafta, envolvendo Estados Unidos, México e Canadá. O Brasil não tem acordo próprio com os Estados Unidos, como tem o México.

AN — As incertezas vão se acentuar?
Maitê —
Acredito que, sob Trump, a volatilidade será muito maior no mercado financeiro, em função de atos e falas dele, do que nas relações comerciais entre empresas. No mercado financeiro, a gangorra será constante. O mercado é muito sensível a manifestações públicas de autoridades importantes. Essas falas influem nas decisões dos investidores.

AN — Os empresários catarinenses devem prestar atenção em quais países? Onde estão as oportunidades?
Maitê —
Há vários países a serem observados, nos quais é interessante entrar. A Índia é a bola da vez para a concretização de negócios. Principalmente na área de alimentos e alguns tipos de produtos industrializados. É uma população enorme e à espera de produtos bons. O Brasil _ e Santa Catarina em particular _ pode se beneficiar. Além da Índia, naturalmente a China continuará a merecer atenção. Ambos os países estão em condição de comprar mais de nós.

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AN — A Europa não é interessante também?
 Maitê —
Sim. Os empresários catarinenses devem ficar atentos a oportunidades de exportação para os Estados Unidos, Canadá, México e países do Reino Unido, pós Brexit. Os produtos catarinenses têm preço, qualidade e tecnologia para disputar fatias de mercados desses países.

AN — Por que exportar é importante?
Maitê —
A exportação deve integrar a estratégia de negócios da indústria. Os empresários têm de compreender isso porque o mercado interno não está fechado aos produtos do exterior. Não se pode descuidar.

AN — Neste contexto, como fica o Mercosul?
Maitê —
Há uma situação futura importante. A partir de 2018, o acordo comercial do Mercosul, no âmbito da Aladi, reunindo 13 países, determina que não mais haverá cobrança de tarifas de importação. Isso inclui Colômbia, Peru e México, que são os países da região mais promissores para os negócios. Essa circunstância sinaliza para mais chances de negócios.

AN — Qual é a agenda da câmara de comércio exterior da Fiesc nesse começo de ano?
Maitê —
Realizaremos reunião no dia 25 deste mês, para validarmos o programa de atuação para o ano. A Fiesc está empenhada em provocar os empresários para evoluírem no comércio exterior.

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