"Prefeituras precisam ter um departamento próprio para cuidar do servidor público", diz perito - Economia - O Sol Diário

Entrevista16/01/2017 | 20h10Atualizada em 16/01/2017 | 20h30

"Prefeituras precisam ter um departamento próprio para cuidar do servidor público", diz perito

Roberto Genaro Blacutt Antelo, médico do trabalho há 30 anos e perito há 20 anos na prefeitura de Timbó, fala sobre afastamentos de saúde

Para Roberto Genaro Blacutt Antelo, médico do trabalho há mais de três décadas e perito há 20 anos na prefeitura de Timbó, no Médio Vale do Itajaí, afirma que os profissionais da educação são os que mais pedem afastamento do trabalho devido ao "esgotamento profissional", e que as prefeituras deveriam ter departamentos específicos para atender e cuidar dos servidores municipais. Leia a entrevista:

Na educação, é comum que tenha um número alto de afastamentos?
A educação é um ponto bem nevrálgico. Acredito que em todas as prefeituras a questão dos afastamentos na área da educação é maior que nas outras áreas, como obras, saúde e administração em geral. A educação com certeza sobrepassa os números de afastamentos em outras secretarias e outros segmentos dentro da prefeitura.

Existe algum motivo específico para esses afastamentos?
O que se nota muito nessa parte de educação é a chamada Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional. O que mais afasta professores são também questões psiquiátricas e osteomusculares — não sempre relativas ao trabalho, importante destacar isso — que são as patologias mais frequentes. 

Existe algum tratamento ou prevenção que poderia evitar os afastamentos?
As prefeituras em si precisam começar a formatar, dentro da sua própria estrutura, um departamento próprio para cuidar do funcionalismo público. A maioria das prefeituras, que pelo fato de serem estatutários, não ter uma CLT, tem planos de saúde próprios, mas que deixam um pouco a cargo do próprio funcionário a escolha do médico e do tratamento. Tentar identificar os chamados fatores de risco das patologias, mapear por secretarias e segmentos quais seriam as incidências de determinadas patologias, qual a faixa etária, se é feminino ou masculino. Fazer vários filtros e depois, tendo um perfil epidemiológico, atuar sobre esses fatores de risco. Obviamente existem situações que você não pode se envolver, como acidentes no trajeto para o trabalho. Você pode orientar o funcionário, mas não depende da prefeitura. No entanto, há outras situações que se pode atuar de forma preventiva. A medicina do trabalho tem justamente essa finalidade, de atuar na prevenção dessas patologias principalmente no ambiente de trabalho. 

No caso da Capital, o número de afastamentos só na educação é estimado em 20%. O senhor avalia como um número alto?
Acho extremamente alto. Deve estar havendo alguma falha, alguma questão a ser melhor investigada, melhor mapeada, separar patologias, incidência dessas patologias e tentar ver se dentro disso há algum fator de risco que desencadeou essa patologia nesse funcionário, desde que esteja ao alcance do médico do trabalho que atua nessa instituição. Imagina, se de 100 funcionários você tem 20 afastados, é um índice muito alto. 

Em prefeituras menores nota-se que o índice de afastamento é menor. É mais fácil identificar e tratar esses fatores de risco em cidades com menos servidores?
Com certeza. Imagine você mapear uma patologia em uma prefeitura que tem 1,5 mil funcionários. É muito diferente de pegar um lugar com 10 mil onde só em uma secretária, por exemplo a de educação, seriam 5 mil. Em locais menores é mais fácil de controlar e identificar fatores de risco, mais fácil de conversar. Porém, não se trata só dessa questão, por exemplo, se nessa prefeitura com mais servidores tem apenas um médico do trabalho. Você precisa dimensionar o serviço especializado em medicina para o quadro do trabalho. Se você tem 5 mil funcionários, seria preciso ter, pelo menos, cinco médicos do trabalho que atendam essa demanda. A partir daí já é mais fácil também identificar e mapear o que for necessário. 

Um médico para cada mil funcionários seria o ideal?
Não vou falar o ideal, mas seria uma proposta para conseguir ter uma dinâmica melhor. Tem ainda a questão do ajuste da carga horária, porque não adianta ter cinco médicos e cada um só trabalhar uma hora. Daí seria mais fácil ter um médico só e ele trabalhar oito horas. O ganho é maior. Eu dimensionaria um médico que pudesse trabalhar em tempo integral para cada mil funcionários, isso seria razoável para poder trabalhar de forma adequada.

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