Claudio Loetz: "Precisamos resgatar a autoestima perdida com o fim dos milhares de empregos" - Economia - O Sol Diário
 
 

Livre Mercado 25/02/2017 | 07h01

Claudio Loetz: "Precisamos resgatar a autoestima perdida com o fim dos milhares de empregos"

Pesquisa mostra que 5,8% da população brasileira sofrem de depressão

Pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgada nesta semana, mostra que 5,8% da população brasileira sofrem de depressão. E 9,3% dos 210 milhões de brasileiros vivem com ansiedade. As duas doenças são características da contemporaneidade aflita, de sociedades mal resolvidas, de coletividades incapazes de se darem por satisfeitas com o que têm ou como vivem. Nos dois casos, os índices apurados para o Brasil são os mais altos entre todos os países da América Latina. No caso da depressão, o índice é 18% superior ao de dez anos atrás. Supera, com folga, os do Paraguai, da Colômbia e Uruguai, também nações doentes.

Desarranjos familiares, desemprego, má qualidade de vida, ambientes sociais desfavoráveis e crescente exigência por cumprimento exemplar de papéis sociais múltiplos nos deixam impacientes. E, em meio a uma sociedade que faz inúmeras cobranças e centra seu comportamento competitivo via desejos por padrão de consumo elevado, e na imitação do alheio, a falta de perspectiva para o futuro imediato aguça sintomas e /ou desperta a incidência dos problemas psicossomáticos.

O Brasil é, desde a concepção de seu processo (in)civilizatório, um mundo de desigualdades. Castas, estamentos, donatários, exploradores, latifundiários, famílias poucas _ e bilionárias _ nos conduzem há 500 anos. Isso aconteceu no começo do Império, seguiu pela era da Primeira República, reorganizou-se a partir de processo de industrialização e transformou-se, mais ainda, com a urbanização e a inserção da Nação no modelo capitalista de vida nos últimos 50 anos.

Se você, leitor, me acompanhou até aqui e está se perguntando o que isso tudo tem a ver com a realidade joinvilense, peço um pouco mais de atenção para o que segue. Essa digressão toda, claro, tem um propósito. Serve para dar substrato aos argumentos subsequentes.

Sim, Joinville está inserida neste ambiente de forte pressão por desempenho nas atividades profissionais que cada um exerce. A situação econômica adversa, experimentada ao longo dos últimos quatro anos, tanto por empresas, como, em especial, pelas famílias de trabalhadores, deixa no ar felicidades rarefeitas. E desencantos cotidianos. O endividamento galopante é apenas um dos aspectos práticos que explicitam maus humores e instabilidades emocionais percebidas nos olhares e na forma de as pessoas se comunicarem.

Atenho-me a este ponto do endividamento por uma razão bem simples: dever sem poder pagar é uma dor que, no acumulado do tempo, deixa raízes profundas de desassossego na alma. E isso, rapidamente, evolui para atitudes irascíveis no dia a dia. Também cria todas as condições para a chegada da desesperança. Como sabemos, a desesperança é o lado sombrio da alma a evocar emoções negativas. Um elemento explosivo a nos guiar, como sociedade, para rumos obscuros.
Vejamos tão somente um comparativo numérico.

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Em janeiro de 2017, no mês passado, portanto, havia 22.879 famílias joinvilenses sem condições de pagar suas dívidas. Em fevereiro de 2016 — um ano antes — eram 20.792 famílias sem dinheiro para honrar seus compromissos financeiros. O aumento é de 10% de um ano para outro!

Os números são de levantamento da Federação do Comércio do Estado de Santa Catarina — a Fecomércio-SC. E nos dão a pista de como o sofrimento pessoal tem crescido, abalando estruturas sociais que, à primeira vista, e antes das ruínas provocadas pela falta de trabalho, pareciam minimamente sólidas.

Há mais números. Números ruins. O IBGE revelou, na quinta-feira, dia 23, o estudo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), retrato mais completo da realidade socioeconômica brasileira. Extraio de lá informações preciosas que nos indicam, oficialmente, a quantas anda o nível de desemprego em Santa Catarina.
Já eram 230 mil ao final do ano passado, contra 118 mil em 2012. Isso quer dizer que dobrou, no período de quatro anos, o total de catarinenses que perderam o emprego. O estudo oficial do governo federal nos diz, ainda, que na base de comparação mais curta, de 2015 para 2016, o acréscimo de desempregados no Estado foi de 55% num só ano. Saiu de 148 mil em 2015 para 230 mil doze meses depois. Tem mais: a taxa de desocupação duplicou desde janeiro-março de 2013 (era de 3,1%, atingindo 6,2% no trimestre outubro-dezembro de 2016.

No Brasil, o percentual é o dobro, de 12%. Analistas da cena e economistas, com suas réguas econométricas, preveem que o percentual suba mais um ponto, chegando, neste ano, a 13%.

É, a maré não está boa. Em Joinville, os céus escureceram por completo às 15h30 de quinta-feira, com temporal raramente visto e enchente que alagou todas as regiões da cidade, indistintamente. O clima nos deu avisos. Em meio a intempéries variadas — climatológicas, econômicas e psicossociais — os joinvilenses, os catarinenses e os brasileiros precisam mais do que olhar para os céus para sair do sufoco de dívidas impagáveis e superar as desesperanças. Precisamos, como coletividade, resgatar a autoestima perdida com o fim dos milhares de empregos. Enquanto isso não acontece, as farmácias vão vender mais e mais medicamentos antidepressão.

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