"Nosso papel é levar conhecimento aos investidores" - Economia - O Sol Diário

Entrevista13/02/2017 | 07h31Atualizada em 13/02/2017 | 07h31

"Nosso papel é levar conhecimento aos investidores"

Sérgio Loução, novo diretor de expansão e novos negócios da Manchester Investimentos, tem a missão de ampliar negócios da corretora sediada em Joinville

"Nosso papel é levar conhecimento aos investidores" Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Sérgio Loução tem 43 anos de vivência no mercado financeiro Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

O diretor de  expansão e novos negócios da Manchester Investimentos, Sérgio Loução assume o posto com  o objetivo de dobrar, até o final do ano,  o volume de recursos administrados. A corretora também vai abrir unidade em Curitiba. O profissional, com 43 anos de vivência no mercado financeiro, também fala de cenários macroeconômicos e orienta sobre  as melhores aplicações, num ambiente de negócios com queda de juros. 
 
O senhor tem larga experiência profissional na área financeira. Qual sua trajetória?
Sérgio Luiz Loução –
Comecei meu trabalho no ex-banco Bamerindus, em 1973. O HSBC comprou o Bamerindus em 1997 e, continuei na atividade bancária até recentemente. Tenho 43 anos de experiência no ramo. Todo esse tempo em instituições financeiras.
 
O que te fez aceitar o convite da Manchester Investimentos para vir morar em Joinville, e assumir a diretoria de Novos Negócios?
Loução –
Já morei em Joinville. Já trabalhei aqui. De 1997 até 2002, na agência do HSBC. E em 2014 retornei para ser o dirigente regional.
 
Depois de tantos anos,  qual era teu projeto de vida?
 Loução –
A intenção era ir para a academia, dar aula em curso superior.  Isso sempre me motivou.
 
Por que não aconteceu?
Loução –
O Henrique (Henrique Baggenstoss, um dos sócios-diretores da Manchester Investimentos), me convidou em dezembro do ano passado para vir para a corretora. Foi um namoro rápido que evoluiu para o casamento. O projeto apresentado me encantou. Há uma certa semelhança com o que fazia quando fui superintendente regional. Além da parte de análises de dados, de prospecção de clientes, há a interação e a gestão de pessoas. O projeto da Manchester é ambicioso, de crescimento acelerado.
 
 Quais são os planos?
 Loução –
O plano é ampliar os negócios. Abrir escritório em Curitiba ainda neste ano, e aumentar a carteira de clientes e de valores a administrar, nos escritórios de Joinville, Blumenau e Florianópolis.  Atualmente, temos 30 pessoas na operação comercial e pretendemos ter mais dez a 15, nos próximos meses. A meta é, então, em 2017, crescer 50% no número de profissionais.
 
E em relação a recursos administrados de terceiros?
 Loução –
A XP Investimentos (do qual a Manchester é um braço relevante, com operações em Santa Catarina),  quer dobrar de tamanho no valor do patrimônio de terceiros, que administra. E a Manchester quer fazer este mesmo movimento. Atualmente, a Manchester administra R$ 1,1 bilhão. A meta é chegar a R$ 2 bilhões.
 
O cenário macroeconômico está mudando. A taxa de juros está em queda. Como analisa a situação?
 Loução –
A queda de juros tornará os investidores mais receptivos a novos formatos. Em bancos, os aplicadores têm limites, ficam restritos a um portfólio de produtos a uma única marca. 
 
Os brasileiros já descobriram ambientes de negócios mais ampliados, como são as corretoras?
 Loução –
Esse movimento aconteceu nos Estados Unidos há 30 anos. Hoje, lá, só 5% das aplicações financeiras se concentram nos bancos. Os 95% restantes estão no que chamamos de “plataformas abertas”. Aqui, no Brasil, os percentuais se invertem, como era nos Estados Unidos na década de 80 do século passado.
 
Por que o investidor deve migrar para as ditas plataformas abertas?
 Loução –
Nas plataformas abertas, o investidor tem chances de maior remuneração. E de muito mais variada oferta de produtos. Na Manchester, por exemplo, com R$ 500 mil, o aplicador  terá  o mesmo acesso que o cliente “prime” recebe nos bancos.  E, também, porque na XP (e, portanto na Manchester), há especialistas que podem dar atenção maior a cada cliente. Há um hiato para um certo público de aplicadores em bancos, que não capturam todas as oportunidades de mercado.
 
Vocês estão em busca de qual perfil de cliente?
 Loução –
O cliente preferencial é aquele que aplica mais de R$ 300 mil. Aí, o atendimento passa a ser bem personalizado. Prefiro poucos e bons clientes a clientes demais, como ocorre nos bancos. O gerente da conta não consegue atender a todos com a dedicação que eles querem. Nas três unidades, a Manchester tem  2.100 clientes. Queremos atingir 3 mil até dezembro.

Os juros básicos estão em 13% ao ano. Vão cair mais. Qual sua projeção para a taxa Selic, até o fim deste ano?
 Loução –
Acreditamos que os juros possam cair a 9,5% até dezembro. O Comitê de Política Monetária (Copom) deverá reduzir os juros em 1 ponto percentual na próxima reunião, ainda neste mês de fevereiro.  E descer mais ao longo dos meses, Para o PIB, o crescimento será mínimo em 2016. De 0,3% até 0,5%.
 
Trump na presidência dos Estados Unidos é uma preocupação grande?
 Loução –
  Trump adota a política econômica em defesa dos negócios dos empresários norte-americanos, claro. Ele pode ser um fator de desestabilização. Mas, quando ele ganhou a eleição,  gerou medo e desconforto. Agora não mais.
 
Qual é o mais importante questionamento dos clientes, hoje?
 Loução –
O principal questionamento é em relação ao que fazer com o dinheiro, considerando que os juros caem. Até recentemente havia taxas altas e estáveis. Agora, estão em queda. Diante da novidade, recomendo reposicionar as aplicações e aproveitar oportunidades em renda fixa prefixada, ou atrelada à inflação. Outra sugestão é aplicar em fundos multimercados, onde, em tempos de juros caindo, remuneração é maior.
 
Os fundos multimercados são para investidores mais agressivos. Os investidores conhecem as modalidades de negócios financeiros?
 Loução –
O nosso papel é, justamente, levar conhecimento aos investidores. Eles têm medo do desconhecido.

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