Possibilidade de movimentar soja no Porto de Itajaí causa polêmica - Economia - O Sol Diário

Portos28/03/2017 | 20h05Atualizada em 28/03/2017 | 20h51

Possibilidade de movimentar soja no Porto de Itajaí causa polêmica

Portuários questionam viabilidade da operação

Foto: Lucas Correia / Agencia RBS

Movimentação de soja causa polêmica. A destinação dos berços públicos do Porto de Itajaí para a movimentação de soja parece próxima de acontecer — a despeito de críticas generalizadas entre trabalhadores e empresários do setor portuário. Ao menos, foi essa a impressão deixada pela Superintendência do Porto durante a audiência pública que discutiu as consequências da retomada da operação de grãos esta semana.

O projeto de movimentação, apresentado pelo empresário Francisco Ramos, da ZMW Operações e Logística (ex-sócio da Agrenco), prevê que os caminhões bitrem venham em comboio do Posto Irmãos Dalçoquio, na Rodovia Jorge Lacerda, até a Valeport e o Recinto Alfandegado Contínuo (RAC), que ficam nas imediações do Porto de Itajaí. Dali serão transferidos para contêineres, que despejarão a carga nos navios graneleiros.

A previsão é que 200 caminhões de soja circulem diariamente, com movimentação de um 1 milhão de toneladas de soja por ano — um montante que enche os olhos da superintendência do porto, afetada pela queda na movimentação de contêineres após a perda de serviços no segundo semestre de 2015.

No entando, reações à apresentação do projeto vieram de todos os lados. O superintendente do porto, Marcelo Salles, enfrentou uma chuva de questionamentos que incluíram desde o risco de a cidade ser tomada pela sujeira, a exemplo do que ocorre em Paranaguá, à possibilidade de perder a movimentação de contêineres por optar em operar grãos nos berços de atracação ainda não arrendados.

O alerta veio do presidente da Associação Empresarial de Itjaí (ACII), Eclésio da Silva, que também preside o Sindicato das Agências Marítimas e Comissárias de Despachos (Sindasc). Segundo ele, optar pelo granel pode significar o fim da movimentação de contêineres. 

Valor agregado 

A preocupação do presidente da ACII é a mesma dos trabalhadores portuários avulsos e dos transportadores. Alegam que a soja, embora aumente a tonelagem movimentada pelo terminal e os ganhos da superintendência, não agrega valor da mesma forma que o contêiner, considerado uma operação mais limpa e lucrativa. Vale dizer que a especialização do porto em contêineres fez com que toda a rede portuária se adaptasse a esse tipo de serviço. 

Licitação

A assessoria de imprensa do Porto de Itajaí informou que o acordo com a empresa ZMW ainda não foi fechado. A proposta da superintendência é entregar os berços públicos, ainda não arrendados, como contrato temporário de 18 meses, renovável por mesmo período — o que foi permitido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a partir do ano passado. Passado o período de três anos, o espaço terá que ser licitado, como manda a lei.

A área é de interesse da APM Terminals, atual arrendatária dos dois outros berços de atracação do Porto de Itajaí. A concessionária contava com a área pública especialmente para armazenagem de contêineres, caso consiga reaver os serviços que perdeu há um ano e meio. As linhas estão em fase de negociação. 

Turismo

Aldo Sandri, presidente do sindicato dos hoteleiros em Itajaí, levantou a questão do turismo na audiência pública que debateu a soja. Lembrou que a vocação turística da cidade vem se consolidando nos últimos anos e que a movimentação de cargas que possam trazer mal cheio e sujeira às ruas seria um golpe no setor. Foi aplaudido pela plateia. 

 

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