"Em nenhum momento pedimos ajuda de caixa 2", diz Colombo sobre delações da Odebrecht - Economia - O Sol Diário

Operação Lava-Jato18/04/2017 | 15h17Atualizada em 18/04/2017 | 16h44

"Em nenhum momento pedimos ajuda de caixa 2", diz Colombo sobre delações da Odebrecht

Governador catarinense também afirmou que os delatores não estão "falando a verdade"

"Em nenhum momento pedimos ajuda de caixa 2", diz Colombo sobre delações da Odebrecht Julio Cavallheiro/SECOM
Governador falou pela primeira vez a jornalistas nesta terça-feira, em Brasília Foto: Julio Cavallheiro / SECOM

O governador Raimundo Colombo (PSD) optou pela estratégia de se afastar de Santa Catarina para falar publicamente pela primeira vez sobre a citação de seu nome nas delações da Odebrecht.

Após uma semana de silêncio, Colombo desembarcou em Brasília e convocou de última hora a imprensa para fazer sua primeira manifestação pessoal a respeito do suposto pedido de dinheiro de Caixa 2 à empreiteira. O governador admitiu encontros com a Odebrecht, mas negou que tenha pedido dinheiro para suas campanhas em 2010 e 2014. A entrevista durou cinco minutos.

Colombo também afirmou que os delatores não estão "falando a verdade", garantiu que vai esclarecer ponto por ponto das acusações assim que tiver acesso ao processo completo e defendeu mudanças estruturais no sistema político e eleitoral do Brasil.

Confira a entrevista completa:

Governador, o delator da Odebrecht disse que teve reuniões com o senhor. Aqui em Brasília, em SC, no aeroporto em São Paulo. O senhor se reuniu com representantes da Odebrecht pra negociar recursos pra campanha?
Não, não aconteceu isso. O governo do Estado recebeu ao longo desses seis anos e quatro meses centenas de empresas do Brasil e do exterior e todas foram bem recebidas e sempre estávamos acompanhados de mais gente do governo para tratar de assuntos importantes. Tivemos sucesso em muitos deles. A Odebrecht era uma das maiores empresas do Brasil e o fato de receber as empresas era um ato absolutamente normal e praticado pelo governo com todas as outras, inclusive do próprio setor. O mais importante de tudo é que o governo do Estado não vendeu nenhuma ação da Casan, não tem nenhum contrato com a Odebrecht, e a Casan continua exatamente pública como ela era. Então não tem nenhuma negociação com a Odebrecht que tenha prosperado. Talvez isso tenha sido uma decepção para eles, mas foi a melhor escolha para o governo, e agora se mostra também que foi a melhor solução política para a gente, porque fica bem claro e se separa o joio do trigo. A Odebrecht não fez nenhum negócio com o governo, não comoprou nenhuma ação e o governo também não vendeu nenhuma ação da Casan. As relações (com a empresa) se encerram aí.

Em dois episódios, os delatores falam que, em um deles, o senhor pediu R$ 2 milhões para sua campanha e, em outro, R$ 3 milhões para a campanha do prefeito de Florianópolis Cesar Souza Junior. Houve isso?
Não. Nós não pedimos recursos. Até a eleição de 2014, era natural e todos os candidatos pediam ajuda, mas em nenhum momento nós pedimos ajuda de caixa 2. Isso não aconteceu. O delator não está falando a verdade. Aliás, o outro delator diz que isso ele não viu acontecer. Então isso foi uma inciativa equivocada e mentirosa do delator. Nós não pedimos dinheiro de caixa 2.

No total, segundo os delatores, o senhor teria recebido R$ 17 milhões em caixa 2. Em algum momento nas suas campanhas a governador, na reeleição, o senhor teve recursos de caixa 2 pra financiar as campanhas?
Esses números são absurdos, fora da realidade. E como eu disse, a legislação até 2014 permitia e era prática comum para manter processo eleitoral que todos os candidatos pedissem ajuda de campanha. Isso era feito e estão declaradas na Justiça Eleitoral. Então não há esses números e não foi feito esse pedido. Nós não tivemos acesso ainda ao processo, mas assim que conseguirmos nós vamos poder esclarecer todos esses fatos, ponto por ponto. Pode ter certeza que vamos continuar nosso trabalho com muita fé e muita coragem e muito bom resultado para Santa Catarina continuar se desenvolvendo, enfrentando a crise com sucesso e vencendo essas dificuldades. É um momento difícil para gente, de dor, de sofrimento, mas precisa ter uma força mais forte que a gente mesmo tem, aumentar ainda mais nossa fé para continuar prestando nosso serviço. Até porque a vida do trabalhador continua e ele precisa que cumpramos nosso dever junto à gestão pública. Vamos continuar trabalhando até o ultimo dia, para realizar o melhor trabalho e com a mesma intensidade e a mesma fé poderemos esclarecer todos esses pontos, um por um, para que ninguém tenha dúvida. Esse é meu dever e minha maior vontade. Nós vamos conseguir fazer isso, podem acreditar.

Marcelo Odebrecht afirmou que nenhuma campanha funcionou até hoje sem caixa 2. O senhor teve dinheiro de caixa 2 em campanha em algum momento?
Sempre que houve abordagem de pedir recursos, que é natural, até 2014 a lei era assim, todo mundo praticava, jamais a gente ia pedir dinheiro em caixa 2 porque ele cria todo um transtorno. Então quando você pedia recurso pra campanha, você pedia os recursos oficiais. E era assim que era o procedimento. Evidentemente que cada empresa estabelecia seu interesse, sua conveniência, e aí vai ter que ser investigado e estamos prontos pra, de forma transparente, prestar conta disso.

O senhor disse que não pediu recursos de caixa 2 pra Odebrecht ou pra financiar campanha. Alguém pode ter pedido em seu nome?
Não, ninguém pediu. Esses recursos não foram pedidos, jamais íamos pedir isso. A gente conhece uma pessoa e 10 minutos depois pede dinheiro no aeroporto? Quem é que faria isso? Eu jamais faria. E o outro delator diz que não viu pedir, então é realmente uma afirmação que não é correta.

O que o senhor atribui então essa delação? Uma vingança por terem sido frustrados na tentativa de comprar a Casan?
Acho que o momento que o Brasil passa é um momento muito difícil. E nós vamos ter que corrigir esse modelo, ele tem que mudar, eu sempre defendi isso e às vezes você tem que pagar com o preço da própria dor. Mas é fundamental que mude o modelo, evolua. Isso vai servir pra que a gente consiga avançar como sociedade. É um momento de transformação. E eles certamente, ao fazer a delação, procuraram se proteger e atingiram outras pessoas. Cabe a mim agora esclarecer todos os fatos e trazer toda a verdade à tona, e eu vou fazer isso.

O processo está no STJ para decisão do ministro sobre abertura ou não de inquérito. Qual sua expectativa a partir de agora?
Se houver abertura de inquérito, não há nenhuma desonra nisso. É a melhor forma que tem, se houver inquérito, de a gente poder esclarecer os fatos, levar toda a contraprova, levar todos os nossos argumentos. Eu não sei como isso vai tramitar, mas eu estou à inteira disposição pra esclarecer todos os fatos, como é do meu dever e farei isso.

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