"Minha consciência não me acusa de nenhum ato ilícito", diz senador Dalirio Beber sobre denúncias - Economia - O Sol Diário

Lava-Jato12/04/2017 | 17h10Atualizada em 12/04/2017 | 19h14

"Minha consciência não me acusa de nenhum ato ilícito", diz senador Dalirio Beber sobre denúncias

Catarinense aparece como suspeito de intermediar pagamento de R$ 500 mil para a campanha de Napoleão Bernardes em 2012

"Minha consciência não me acusa de nenhum ato ilícito", diz senador Dalirio Beber sobre denúncias Lucas Correia/Agencia RBS
Foto: Lucas Correia / Agencia RBS
upiara boschi
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Um dos principais nomes do PSDB em Santa Catarina e integrante da alta cúpula do partido em Blumenau, o senador Dalirio Beber aparece como suspeito de intermediar um pagamento de R$ 500 mil em 2012 à campanha a prefeito do também tucano Napoleão Bernardes. Nas cinco páginas do inquérito de número 4.457, o relator ministro Edson Fachin o aponta como suposto articulador para o recebimento do dinheiro que seria, segundo o documento do Supremo Tribunal Federal (STF), "com o objetivo de buscar apoio à manutenção dos contratos de saneamento de água e esgoto" da empresa Foz do Brasil – hoje Odebrecht Ambiental.

Em entrevista ao DC em Brasília, Dalirio Beber nega as denúncias, diz que não teve participação direta na arrecadação de recursos da campanha de Napoleão Bernardes em 2012 e admite ter recebido representantes da Odebrecht durante sua gestão na Casan em caráter formal.

A denúncia se refere à eleição de Blumenau em 2012, dizendo que o senhor teria sido intermediário de recursos de caixa 2 da Odebrecht para a campanha de Napoleão Bernardes. Houve esse contato com a Odebrecht durante a campanha?
Eu não conheço os termos da delação. Espero ter acesso a ela, e quando tiver acesso vou responder integralmente a tudo aquilo que lá estiver. Neste momento, posso dizer o seguinte: não recebi qualquer valor, de quem quer que seja, destinado a essa campanha de 2012, nem a qualquer outro tipo de campanha que possa ter ocorrido naquele ano e em anos subsequentes. Tive o maior prazer de poder trabalhar ao lado de um jovem que foi candidato a vereador em 2000, se elegeu na terceira vez que disputou em 2008, e em razão da boa aceitação, da perspectiva do nascimento de uma grande liderança de Blumenau, foi nosso candidato a deputado federal. Logo em seguida, em 2012, foi nosso candidato a prefeito numa situação em que ninguém, ou muito poucos, acreditavam que este jovem poderia alçar um voo tão importante quanto foi a disputa eleitoral em 2012. Ele era azarão na nossa campanha eleitoral, disputava com duas outras candidaturas extremamente fortes e bem apoiadas, mas felizmente o povo de Blumenau fez a escolha certa. Tão certa que permitiu que agora em 2016 ele conseguisse ganhar a eleição novamente.

Que papel o senhor tinha na campanha de Napoleão Bernardes em 2012?
De eleitor em primeiro lugar. Aliás, em todas as campanhas, em primeiro lugar eu sou eleitor. A gente se apaixona por uma causa, por uma ideologia e faz a sua defesa. De 2000, quando foi candidato a vereador, foi muito fácil nós sermos eleitores apaixonados do Napoleão em 2012. Me orgulho muito de meu papel de eleitor e de uma liderança política que construí em muitos anos de trabalho sério e responsável em Blumenau e nas oportunidades que tive também no âmbito do Estado.

O senhor teve alguma participação na arrecadação de recursos de campanha?
Não tive participação. Para isso tem um comitê institucionalizado que faz a gestão financeira em todas as campanhas eleitorais. Meu papel era de um agente político. E acho que dei uma bela contribuição para o projeto que alcançou a eleição do jovem Napoleão.

Como o senhor avalia a citação ao seu nome na delação premiada?
Como disse na minha nota à imprensa e à sociedade catarinense: não resta dúvida que isso cria constrangimento, mas acima de tudo, você tem que ter paz com a própria consciência. E eu procuro ter, porque este é o grande tribunal que condena o homem. E a minha consciência não me acusa de nenhum ato ilícito praticado no processo eleitoral de 2012 e em qualquer oportunidade que estive ocupando função pública. Lamento profundamente, mas estou à disposição da Justiça com absoluta tranquilidade para prestar todos os esclarecimentos e permitir que muito em breve a gente possa ter a verdade restabelecida, podendo dialogar em favor de Santas Catarina e do Brasil naquilo que é função de um Senador da República.

O senhor se encontrou com algum executivo da Odebrecht em qualquer outro contexto?
Quando eu estava na presidência da Casan, recebíamos e atendíamos inúmeros executivos e empresários que vinham tratar de assuntos de interesse de suas empresas e da Casan. Todos esses encontros foram com muita franqueza e transparência, porque nenhum negócio ilícito foi executado durante o período em que estive na Casan. 

O senhor já se encontrou com Paulo Roberto Welzen?
Com certeza. Ele esteve na Casan. Conversamos com ele em diversas oportunidades em função de uma perspectiva de a Casan de passar por um processo de capitalização para poder levantar os recursos necessários como contrapartida aos financiamentos com o BNDES, Caixa, Agência Francesa de Desenvolvimento e a JICA, (instituição de fomento do Japão). São necessários recursos para que possamos realizar em Santa Catarina um grande programa de saneamento, elevando os índices de cobertura de rede de coletora e esgoto tratado. Felizmente essas obras estão em execução, mas com certeza a Casan precisará muito em breve de uma capitalização pelo governo do Estado ou outros mecanismos para permitir que este ritmo das obras continue.

Em algum momento destas conversas foi falado sobre as eleições de 2012 em Blumenau?
Não. Em nenhum momento falamos sobre a eleição de 2012. 

Você recebeu o Fernando Luiz Ayres da Cunha?
Não recebi em nenhum momento.

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Delação de Fernando Reis
Delação de Paulo Welzel
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