Upiara Boschi: Balanço entregue ao TCE traz narrativa política da gestão Raimundo Colombo - Economia - O Sol Diário

Análise04/04/2017 | 06h00Atualizada em 08/04/2017 | 16h00

Upiara Boschi: Balanço entregue ao TCE traz narrativa política da gestão Raimundo Colombo

Upiara Boschi: Balanço entregue ao TCE traz narrativa política da gestão Raimundo Colombo James Tavares / Secom, Divulgação/Secom, Divulgação
Colombo entregou contas anuais ao presidente Dado Cherem sob olhar de Gavazzoni e do conselheiro Júlio Garcia Foto: James Tavares / Secom, Divulgação / Secom, Divulgação
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Quem acompanha os balanços gerais que o governo estadual apresenta anualmente ao Tribunal de Contas percebe uma gradual mudança na lógica do material que os conselheiros recebem para julgar os gastos do governador. Mais do que meros relatórios contábeis, as 1.657 páginas entregues ontem trazem mais um capítulo da narrativa que o governador Raimundo Colombo (PSD) tenta construir para seu governo e o estilo do secretário Antonio Gavazzoni (PSD).

Governo de SC entrega contas de 2016 ao TCE
Balanço Geral do Estado para download

A mudança vem de 2013. Durante os mandatos de Luiz Henrique, os relatórios eram uma numeralha precedida por um artigo formal do governador e de seu secretário da Fazenda. Nos dois primeiros anos de Colombo, o material ganhou uma capa bonita, mas continuou restrito ao calhamaço de relatórios, balanços, justificativas e anexos. Até mesmo o texto formal do governador que foi substituído por um assinado genericamente pela Diretoria de Contabilidade Geral da Secretaria da Fazenda.

Na volta de Gavazzoni à pasta, o balanço anual passou a aliar um tom político-promocional aos números. Quem folheia suas primeiras páginas pode ter na sensação que estar lendo uma revista. Colombo e Gavazzoni escrevem artigos em que lembram as dificuldades e conquistas do ano que passou mirando um público mais amplo do que auditores, procuradores e conselheiros.

Em 2013, o mote era o Pacto por Santa Catarina e a esperança representada pelos R$ 10 bilhões financiados com aval da então presidente Dilma Rousseff. No ano seguinte, a criação do Fundam - que distribuiu parte daqueles recursos para prefeitos em quase todos os municípios. Em 2015, ano de crise, o foco da tabelinha Colombo/Gavazzoni era a construção do futuro a partir da reforma previdenciária.

No balanço entregue ontem por Colombo ao presidente do TCE, Dado Cherem, a fórmula foi radicalizada. O governador e o secretário falam de 2016 tendo a superação como mote. Antes dos números, as principais questões político-administrativas do ano aparecem em tópicos, ressaltando as dificuldades de mais um ano de crise. Entre uma planilha e outra, perfis de catarinenses que venceram dificuldades.

Mas quem olhar o balanço geral do Estado entregue ontem ao TCE não vai encontrar a operação contábil que deslocou do caixa para o Fundo Social quase um R$ 1 bilhão em impostos a serem pagos pela Celesc em 2015 e 2016, descoberta no mais recente julgamento de contas do governo. A pedalada reteve no Estado recursos que deveriam ir para o poderes e órgãos com orçamento vinculado, ajudou a manter as contas em dia, mas acabou precisando de uma complexa engenharia política e legislativa para tentar impedir possíveis punições. Não é citada, mas vai voltar à tona quando as contas de 2016 forem julgadas. Por enquanto, o tema continua fora da narrativa.  

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