Upiara Boschi: estratégia de Colombo contra desgaste das delações é governar - Economia - O Sol Diário

Análise25/04/2017 | 06h30Atualizada em 25/04/2017 | 07h37

Upiara Boschi: estratégia de Colombo contra desgaste das delações é governar

Ordem no Centro Administrativo é acelerar as agendas

upiara boschi
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O governador Raimundo Colombo (PSD) e seus principais secretários já colocaram em prática a reação possível ao desgaste causado pelas citações nas delações da Odebrecht, duas semanas atrás. A ordem é acelerar as agendas de governo, mostrar que não há paralisia no Centro Administrativo diante das falas dos ex-executivos da empreiteira narrando pedidos e pagamentos de doações eleitorais através de caixa dois em 2010, 2012 e 2014. 

Colombo terá a mesma jornada política, agora turbulenta

A estratégia ficou clara ainda na semana passada, quando Colombo esteve em Brasília e no Rio de Janeiro para tratar da nova edição do Fundam na Fazenda e no BNDES. No dia seguinte, quarta-feira, a chamada de 234 agentes de Polícia Civil, 25 delegados e 61 auxiliares periciais ganhou as manchetes e as redes sociais como uma das respostas à onda de violência. Até o sempre discreto secretário Cesar Grubba, da Segurança Pública, apareceu na linha de frente. Novas ações de governo, em outras áreas, devem ser anunciadas nos próximos dias. A determinação aos secretários é destravar tudo que puder ser destravado - e, consequentemente, anunciado.

Colombo rompe silêncio, mas frustra na forma e no conteúdo

Na Assembleia Legislativa, a agenda de governo também deve ganhar força. Antes mesmo do fim do sigilo das delações, inquéritos e petições, já havia uma movimentação na base governista para desengavetar alguns projetos. Líder do governo, Darci de Matos (PSD) fez um requerimento na Comissão de Constituição e Justiça para que propostas em regime de urgência com prazo vencido pudessem ser redistribuídas ou votadas assim mesmo. O principal deles talvez seja o projeto que regulamenta as parcerias público-privadas em Santa Catarina e que está nas mãos de Marcos Vieira (PSDB) desde fevereiro de 2016.

No mesmo dia 12 de abril em que o fim aos sigilos detonou a bomba política no país e no Estado, aportava na Alesc outra pequena reforma de Colombo na máquina administrativa. A extinção da autarquia que administra o Porto de São Francisco acaba com sete cargos comissionados e incorpora os efetivos à Secretaria de Infraestrutura, mantendo-os cedidos à operação portuária. A administração será feita pela SC Par nos mesmos moldes já aplicados no Porto de Imbituba - essa mudança é um embrião da transformação da estatal em uma SC Portos. Outro projeto extingue a Diretoria de Governança Eletrônica da Secretaria de Administração, dando fim a sete cargos que custavam R$ 1,4 milhões anuais. O novo modelo terá um conselho composto por secretários estaduais. Há, ainda, a extinção da Codesc e da Cohab, também nas mãos de Marcos Vieira na Comissão de Finanças - há menos de duas semanas, neste caso.

No início do ano um líder pessedista brincava ao falar sobre o último ano de Colombo no governo estadual que ¿avião pousando não faz pirueta¿. O novo cenário talvez tenha a trazido a necessidade de algumas manobras mais ousadas.

Upiara Boschi: nunca é só caixa 2


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