Apesar de vitórias da base aliada, sucessão de Temer é tema das conversas nos bastidores - Economia - O Sol Diário

Terremoto no Poder23/05/2017 | 21h27Atualizada em 24/05/2017 | 08h56

Apesar de vitórias da base aliada, sucessão de Temer é tema das conversas nos bastidores

Deputados que apoiam o presidente prometem retirar cargos de quem não votar com governo, mas há número menor de parlamentares dispostos a defender o Planalto e seus projetos

Apesar de vitórias da base aliada, sucessão de Temer é tema das conversas nos bastidores Alessandro Dantas/AGPT
Sessão para leitura de relatória da reforma trabalhista terminou em confusão no Senado Foto: Alessandro Dantas / AGPT
Guilherme Mazui / RBS Brasília e Fábio Schaffner / Brasília

guilherme.mazui@gruporbs.com.br;fabio.schaffner@zerohora.com.br

Com estratégia jurídica errática e sob forte rejeição popular, o presidente Michel Temer se apega com força ao seu bastião: o Congresso. Ao tempo em que já se fala abertamente em cenário pós-Temer, o Planalto tenta retomar a agenda legislativa para demonstrar condições de tocar as reformas e evitar a paralisia institucional. A volta das atividades na Câmara e no Senado, porém, mostrou que haverá muito trabalho pela frente. É cada vez mais difícil encontrar parlamentares dispostos a defender o governo.

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Uma das vozes solitárias a afiançar apoio a Temer, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) mal esperou a sessão abrir e postou-se frente à tribuna nesta terça-feira. Estava pronto a rebater qualquer discurso da oposição que fustigasse o presidente. Um dia após o governo acenar com cargos em troca de apoio no Congresso, Perondi diz que o Planalto inverteu a tática. Segundo ele, a ideia é usar as próximas votações como um mapa para identificar o tamanho atual da base aliada. E punir com a perda de cargos quem votar contra o governo.

— O Diário Oficial vai funcionar — ameaçou.

Quem faz coro é Carlos Marun (PMDB-MS), deputado estridente que cresceu na Casa graças à devoção ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem inclusive visitou na prisão:

— Tem gente que apoia impeachment, mas esquece de passar na Casa Civil e entregar os cargos.

No primeiro teste, durante discussão da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o governo obteve vitória simbólica, a despeito do ambiente beligerante. Após a base aliada derrotar por dois votos de diferença um parecer que visava evitar a leitura do relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO) partiram para a agressão física em meio a gritos de "Fora, Temer".

Houve tumulto e os seguranças intervieram para que a confusão não se tornasse generalizada. A sessão foi suspensa e a imprensa, retirada da sala. Embora tenha apresentado parecer favorável à reforma, Ferraço defende a saída do PSDB do governo:

— Há um debate que não está concluído. Algumas lideranças, como eu, defendem que o partido deve deixar o governo e entregar os ministérios.

Ferraço age em sintonia com a bancada tucana na Câmara, mais jovem e agressiva no discurso para abandonar Temer. Os senadores, porém, tentam apaziguar os ânimos. Seguem a linha traçada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Junto a outros influentes arquitetos da política nacional, como o também ex-presidente José Sarney e o ex-ministro Nelson Jobim, Fernando Henrique descarta a possibilidade de renúncia de Temer ou até mesmo um impeachment.

Em contrapartida, o grupo avalia que o presidente não escapará da cassação em julgamento previsto para 6 de junho no Tribunal Superior Eleitoral. Nessa perspectiva, o trio trabalha para construir um sucessor palatável, que se comprometa com a votação das reformas trabalhista e da Previdência e não provoque cisão na aliança PSDB-PMDB.

A ideia, diante da saída de Temer, é eleger por via indireta alguém alinhado a esse pragmatismo político. Ou seja, manter os dois partidos no poder e conduzir o país até as eleições de 2018, enquanto constroem um candidato competitivo para enfrentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por enquanto, os nomes mais cotados para a transição são o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o do próprio Jobim e o do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O comportamento de deputados e senadores da base aliada seguiu exatamente esse roteiro. Enquanto Romero Jucá (PMDB-RR) tomava as rédeas do Senado, dando como lido o relatório da reforma trabalhista após a troca de insultos na CAE, na Câmara quem subia à tribuna discursava em favor da retomada das votações.

A ordem vinda do Planalto, para que os líderes partidários defendessem Temer, foi solenemente ignorada. Nem mesmo o líder do PSDB, senador Paulo Bauer (SC), quis se comprometer:

— Todos vão se defender no Judiciário. Não estamos defendendo nem o nosso presidente (Aécio Neves, senador afastado que deixou a presidência do PSDB). Mantemos o compromisso com as reformas.

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