Bolsonaro em Blumenau: tom menos pesado não desmancha imagem do radicalismo - Economia - O Sol Diário

Um ou outro20/05/2017 | 11h12Atualizada em 20/05/2017 | 11h47

Bolsonaro em Blumenau: tom menos pesado não desmancha imagem do radicalismo

Passagem do deputado federal do PSC na cidade nesta sexta-feira desencadeia múltiplas interpretações

Há quem valorize as bandeiras dele, há quem não suporte o tom. Tem o público que repete seus gestos e frases, tem pessoas que se sentem degradadas e segregadas por ele. É nesse cenário de divisão entre integral apoio e total rejeição que Jair Bolsonaro (PSC) chegou sexta-feira a Blumenau para palestrar sobre temas diversos em um evento aberto na Vila Germânica. E é dessa forma que o Santa te convida a entender essa visita: da mesma maneira que um fato possui inúmeros vieses, a presença desse personagem no Vale ganha múltiplas interpretações. Se você está entre os que consideram Bolsonaro um "mito", clique aqui e confira o texto sobre a admiração e a ovação que novamente acompanharam o deputado carioca. Caso você seja um daqueles que não se convence pelo discurso desse rosto do Partido Social Cristão, embarque no texto abaixo - ou seria à esquerda? Agora, se independente de lado, você pretende interpretar os acontecimentos e exercitar a consciência política, mergulhe em ambos. Boa leitura!

O fogo de palha

Deputado Jair Bolsonaro tenta alavancar apoio para sua difícil caminhada rumo à presidência em plena Vila Germânica, em Blumenau

Jair Bolsonaro em evento nesta sexta-feira no Parque Vila Germânica, em Blumenau Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

"Infeliz a nação que precisa de heróis", escreveu o dramaturgo Bertolt Brecht no longínquo ano de 1938. Setenta e nove anos depois, vale relembrar a frase do alemão para contextualizar a vinda a Blumenau daquele que se mostra o potencial sósia de Marina Silva: o deputado federal Jair Bolsonaro. A comparação não está no modo de pensar ou no comportamento político, obviamente – pois ele e Marina são totalmente opostos – mas dentro do cenário que se desenrola para 2018. Terceira colocada nas duas últimas corridas à Presidência, Marina se consolidou como a candidata que apenas faz cócegas, sem possibilidade de chegar em condições de vencer a disputa. O voto rebelde, de alguém que não quer A, nem B, mas se conforta no C. Ou seja, o mesmo que se prevê para Jair.

É fácil relacionar a palavra ¿herói¿ – citada no início desse texto – com o comportamento daqueles que colocaram os pés sexta-feira no Parque Vila Germânica. Na Blumenau em que três quartos da população optou pela direita em vez da esquerda em 2014, e que vê o seu paladino se desmanchar perante as denúncias e delações da JBS, sobra espaço para uma figura pseudo-notável. Aí é que está a brecha. No cenário em que no seu time ideológico a disputa é contra dinossauros políticos como Geraldo Alckmin, José Serra, ou mesmo Ronaldo Caiado, a luta é fácil. Diante da mesmice, com nomes martelados ano após ano e que mantêm discursos que de tão demagógicos tornam-se inaudíveis, o espaço para o crescimento de Bolsonaro apareceu. Mas nada além disso.

Ladeado por Rogério ¿Peninha¿ Mendonça e seu filho Eduardo Bolsonaro – integrantes da bancada da bala –, Jair prepara em Blumenau o terreno para campanha em meio à crise política nacional. Não se coloca como candidato por não querer ser alvo do STF, mas se contradiz em momentos que fala que o Brasil precisa de um capitão – Bolsonaro é capitão do Exército – e quando recebeu das mãos de um dos organizadores a faixa presidencial. Em suas falas, é possível perceber um tom menos pesado do que aquele utilizado um ou dois anos atrás. Nada, porém, que desmanche a imagem criada junto àqueles que não são seus seguidores: a do radicalismo, de defesa da ditadura militar, do sarcasmo às ideologias opostas e dos discursos preconceituosos e contundentes precedidos pelo bom e velho ¿não é bem assim¿ como forma de apaziguamento. O Jair modificado em razão dos planos para 2018, no fim das contas, não deixa de ser o Jair.

Nos embalos de uma sexta-feira à tarde, em horário comercial, as 3 mil pessoas presentes – conforme a Polícia Militar– mostram que em um momento de crise existencial política e rivalidades ideológicas entre o bem e o mal, o que o Brasil menos precisa é de alguém com fama de instigar e incitar isso. O conforto aos adeptos do bom senso é que qualquer outro candidato da direita que surgir, ofuscará o tal ¿mito¿ e será o responsável por apagar o fogo da palha. Bolsonaro, então, se contentará com seus 15%.

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