Depoimento de Lula a Moro deixa cenário para 2018 ainda indefinido - Economia - O Sol Diário

De olho no Planalto11/05/2017 | 22h00Atualizada em 11/05/2017 | 22h20

Depoimento de Lula a Moro deixa cenário para 2018 ainda indefinido

Tom usado por Lula em audiência com Moro faz parte de estratégia eleitoral. Siglas aguardam sentença para decidir sobre suas candidaturas

Depoimento de Lula a Moro deixa cenário para 2018 ainda indefinido Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Depois de deixar sede da Justiça Federal, petista participou de ato com apoiadores na quarta-feira Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula
Guilherme Mazui / RBS Brasília
Guilherme Mazui / RBS Brasília

guilherme.mazui@gruporbs.com.br

Ao se apresentar ao juiz Sergio Moro como "vítima da maior caçada jurídica" a um político brasileiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu o tom da sua narrativa até 2018. O petista busca se blindar do desgaste por eventuais condenações no primeiro grau e criar constrangimento entre desembargadores para retardar decisões em segunda instância, capazes de tornar inelegível o atual líder nas pesquisas. A dúvida sobre a presença — ou não — de Lula na corrida ao Planalto é o principal entrave para a costura de alianças entre os maiores partidos do país.

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Nas falas oficiais da arena política, as avaliações sobre as cinco horas do primeiro depoimento do petista a Moro em Curitiba, na ação penal do triplex no Guarujá (SP), ficaram no clima de Gre-Nal que permeia a Lava-Jato. Nos bastidores, as análises viram réu e magistrado em situação de tensão. O juiz deparou com contradições pontuais do ex-presidente, cujas respostas procuraram consolidar a versão de que as provas mostram que ele não recebeu qualquer vantagem indevida da construtora OAS.

— Todo esse tempo de investigação e ninguém trouxe uma prova de que o tal do triplex era do presidente Lula — destacou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Na oposição, houve reconhecimento da habilidade retórica do petista e sobraram críticas às negativas diante das perguntas dentro do processo, considerado pelo senador José Medeiros (PSD-MT) o "mais simples" entre as ações penais que acusam Lula.

— Pode se resumir o depoimento em "uhum", "não", "não sei", "não vi" e "não tava lá". E, quando tava lá, jogou a culpa para dona Marisa — disse Medeiros.

Superado o depoimento, a expectativa gira em torno da sentença de Moro. Petistas garantem que, mesmo em caso de condenação de primeira instância, Lula será candidato, movimento considerado fundamental para reverter a tendência da bancada do partido encolher na Câmara. No caso gaúcho, por exemplo, as projeções indicam a chance de repetir os sete deputados federais se o ex-presidente tentar o terceiro mandato. Do contrário, pode cair para três ou quatro cadeiras.

— O PT será competitivo de qualquer forma, mas ficará ainda mais com Lula — afirma Pepe Vargas (PT-RS).

Entre os tucanos, adversários históricos do PT, a presença de Lula no pleito levará o discurso mais ao centro ou à direita, medindo o desempenho da plataforma conservadora de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), em alta nas pesquisas de intenção de voto. No embate com o petista, a perspectiva é de alta no nível de radicalização.

— O PSDB será competitivo. Monitoramos o cenário para formarmos uma grande aliança para vencer a eleição — afirma Paulo Bauer (SC), líder tucano no Senado.

Com Geraldo Alckmin e João Doria como presidenciáveis, o PSDB já conversa para ter na chapa PP, PR, PSD, PTB, PRB e o PMDB de Michel Temer, com dificuldade para viabilizar candidato próprio. Contudo, tucanos avaliam que Lula pode dificultar a grande coalizão, por rachar as bancadas de médios partidos, a exemplo de PP, PSD, PR, PTB e PSB.

— O PSB já vive uma divisão, com grupo no governo Temer e outro fora dele. Pelas críticas à corrupção, fica difícil apoiar o Lula no primeiro turno. Se ele não concorrer, cria espaço para tentativa de candidatura socialista — projeta o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

O racha nas legendas atingiria o PMDB, inclusive na ala que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff. No Norte e no Nordeste, regiões nas quais Lula é muito popular, senadores como Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE), Edison Lobão (MA), Garibaldi Alves (RN) e Jader Barbalho (PA) mantêm perspectiva de dividir o palanque com o petista.

De olho nos votos de centro e de esquerda, Marina Silva e Ciro Gomes, presidenciáveis da Rede e do PDT, aguardam a definição da situação do ex-presidente para encaminhar suas estratégias. Com Lula no páreo, Ciro corre o risco de enfrentar pressão para desistir da candidatura ao Planalto, em nome da unidade da esquerda.

— Se Lula concorrer à Presidência, a candidatura do Ciro pode perder força. Se ele ficar de fora, Ciro pode surfar — resume o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS).


 

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