Gilmar Mendes: sem reforma política, Supremo deverá proibir coligações partidárias - Economia - O Sol Diário

Justiça03/05/2017 | 12h44Atualizada em 03/05/2017 | 12h44

Gilmar Mendes: sem reforma política, Supremo deverá proibir coligações partidárias

Ministro afirmou que os recentes casos de corrupção envolvendo campanhas políticas têm mobilizado magistrados do STF e do TSE pela proibição

Gilmar Mendes: sem reforma política, Supremo deverá proibir coligações partidárias Carlos Humberto/SCO/STF
Foto: Carlos Humberto / SCO/STF
Agência Brasil
Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, afirmou, nesta quarta-feira (3), que caso o Congresso Nacional não aprove uma reforma política válida já para as próximas eleições, o Supremo Tribunal Federal (STF) será levado a proibir em breve as coligações partidárias.

Os recentes casos de corrupção envolvendo o financiamento das campanhas de partidos coligados, que estão sendo julgados tanto no TSE como no STF, têm mobilizado os ministros de ambas as Cortes a impulsionarem a proibição, segundo Gilmar Mendes.

— Isso vai certamente levar o Supremo, daqui a pouco, a reagir como reagiu em relação à doação corporativa, proibindo a doação de empresas privadas. Certamente isso vai levar o Supremo a, se não vier uma reforma política, a reagir também proibindo as coligações — disse o ministro.

Leia mais
Relator retira criminalização de Caixa 2 do parecer sobre a reforma política
Candidatos poderão disputar mais de um cargo na mesma eleição, prevê relator
Partidos apelam a dinheiro público para pagar multas do TSE

Pelo sistema que vigora atualmente, nas eleições proporcionais para a Câmara dos Deputados, por exemplo, o candidato de um partido que recebeu um grande número de votos pode fazer com que o candidato de outro partido menor, da mesma coligação, seja eleito com uma quantidade relativamente pequena de votos, devido ao chamado quociente eleitoral. Tal ponto vem sendo criticado por Gilmar Mendes por, segundo ele, gerar distorções no compartilhamento de recursos de campanha.

As declarações do ministro foram dadas após ter recebido, nesta quarta-feira (3), em seu gabinete no TSE, 29 deputados que integram a comissão de reforma política na Câmara, incluindo o presidente do colegiado, Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), e o relator da matéria, Vicente Cândido (PT-SP).

Questionado se daria tempo de aprovar uma reforma político-eleitoral antes de outubro, limite para que as mudanças sejam válidas para as eleições majoritárias do ano que vem, Vieira Lima respondeu: 

— Tem que dar. 

O deputado ainda ressaltou que o financiamento de campanha é o tema que tem impulsionado a urgência da proposta.

Continuidade do Caixa 2

O ministro Gilmar Mendes ressaltou que se não houver mudanças em relação ao financiamento de campanha, a insuficiência de recursos levará ao aumento das irregularidades, abrindo espaço inclusive para a participação, por exemplo, de organizações do tráfico de drogas na política.

— Vai ser uma eleição certamente muito judicializada e também policializada, por conta da inexistência de recursos públicos se não houver a mudança no sistema. Inexistência de recursos privados. Certamente vamos ter caixa 2, vamos ter dinheiro do crime. Certamente vai ser uma eleição policial e policialesca — disse ele, que citou o México como país que convive com esse tipo de problema.

Mendes voltou a afirmar que o Brasil necessita de um "Plano Real" no campo da política, que proporcione um "salto no plano civilizatório", capaz de levar o país a superar a corrupção sistêmica ligada às campanhas eleitorais, assim como foi superada a inflação crônica nos anos 1990.

José Dirceu

Perguntado sobre as declarações dadas na terça-feira (2) pelo procurador da República Daltan Dalagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, que questionou a decisão do Supremo de libertar o ex-ministro José Dirceu, Gilmar Mendes evitou responder.

— O que eu disse está no meu voto, que foi um voto histórico, pode anotar — disse o ministro.

Na tarde de terça-feira, a Segunda Turma do STF decidiu, por 3 votos a 2, pela revogação da ordem de prisão de Dirceu. Empatado, o julgamento acabou definido por Gilmar Mendes, último a votar.

Leia as últimas notícias de Política

*Agência Brasil

Siga O Sol Diário no Twitter

  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioHercílio Luz fica mais próximo do acesso e briga esquenta na outra semi https://t.co/oChe7OqIRrhá 7 horas Retweet
  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioConcórdia e Hercílio Luz ficam mais próximos do acesso à elite de SC https://t.co/KgVBHKWZmKhá 7 horas Retweet
O Sol Diário
Busca
clicRBS
Nova busca - outros