Gilmar Mendes bate boca e questiona delação da JBS - Economia - O Sol Diário

Julgamento no STF22/06/2017 | 17h30Atualizada em 22/06/2017 | 18h13

Gilmar Mendes bate boca e questiona delação da JBS

Ministro afirmou que gravação entre Joesley Batista e Temer poderia vir a ser anulada posteriormente e discutiu com Barroso

Gilmar Mendes bate boca e questiona delação da JBS Nelson Jr./SCO/STF
Foto: Nelson Jr. / SCO/STF
Guilherme Mazui / RBS Brasília
Guilherme Mazui / RBS Brasília

guilherme.mazui@gruporbs.com.br

No julgamento sobre a delação da JBS, o ministro Gilmar Mendes voltou a distribuir críticas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e a protagonizar bate boca no plenário do STF. Desta vez, a contenda foi com Luís Roberto Barroso, sobre a possibilidade de revisão dos benefícios acordados pelo Ministério Público nas delações.

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A discussão teve como pano de fundo a gravação feita pelo empresário Joesley Batista da conversa com o presidente Michel Temer em março passado, no Palácio do Jaburu, usada no inquérito que investiga o peemedebista. Gilmar questionou a condição em que o diálogo foi gravado, fora de uma das ações controladas do acordo, o que poderia anular a prova.

— A Folha de S.Paulo sustenta que a gravação foi combinada previamente com o Ministério Público e que houve treinamento. Vamos dizer que se prove esse fato a posteriori — disse Gilmar, para irritação de Janot, que estava a uma cadeira de distância.

— O colaborador premiado não tem culpa, ele seguiu a autoridade pública — retrucou Barroso, para quem eventual irregularidade não poderia invalidar a delação como um todo.

— Essa é a questão que vai ser posta — insistiu Gilmar.

— Estou dizendo que já não concordo. Todo mundo sabe o caminho que isso vai tomar. Sou contra. Todo mundo sabe o que se quer fazer aqui e lá na frente — rebateu Barroso, dando a entender que haverá uma tentativa de aliviar Temer.

— Essa é a posição de vossa excelência, deixe os outros votarem. E respeite o voto dos outros — irritou-se Gilmar.

— Estou plenamente respeitando o voto dos outros. Agora, não pode ser: Ah, se vou perder, então, vou embora — afirmou Barroso.

O pugilismo verbal entre os ministros foi encerrado pela presidente da Corte, Cármen Lúcia.

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