A rádio de Criciúma, Lula promete disputar a presidência ou ser "cabo eleitoral de um bom candidato" - Economia - O Sol Diário

Política28/07/2017 | 10h22Atualizada em 28/07/2017 | 16h20

A rádio de Criciúma, Lula promete disputar a presidência ou ser "cabo eleitoral de um bom candidato"

Ex-presidente também afirmou que pretende fazer caravanas pelo país e pediu eleições antecipadas

A rádio de Criciúma, Lula promete disputar a presidência ou ser "cabo eleitoral de um bom candidato" /
Ex-presidente também afirmou que pretende fazer caravanas pelo país e pediu eleições antecipadas. Foto: Reprodução

Em entrevista exclusiva à rádio Som Maior, de Criciúma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que vai viajar por todo o país para construir a candidatura do PT à presidência da República e que, se não puder disputar o cargo que já ocupou por duas vezes, será "cabo eleitoral de um bom candidato". O líder petista conversou por cerca de meia-hora com o jornalista Adelor Lessa, seguindo a estratégia de conceder entrevistas a rádios do interior do país.

Em sua fala, Lula criticou o governo do presidente Michel Temer (PMDB), defendeu a expansão do crédito para a retomada da economia, chamou de golpe o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e disse que o PT sofreu um "massacre". Ele também criticou o juiz Sérgio Moro, que o condenou a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso da suposta compra de um apartamento tríplex em Guarujá (SP).

Lula deu início à conversa falando dos planos de viajar pelo país para construir a candidatura presidencial do partido. Em 17 de agosto, ele inicia pela Bahia um roteiro de 21 dias por cidades do Nordeste. O petista prometeu vir a Santa Catarina em um roteiro pelas regiões Sul e Sudeste, ainda sem data.

— Sendo candidato ou não, nós vamos andar pelo país. Quero ver como que eles estão estragando o nosso país. Um país que nós fizemos crescer, conquistar auto-estima e que agora está numa decadência que eu não acredito. Todo dia quando eu deito, fico imaginando a situação em que eu deixei o Brasil e a situação em que o Brasil está hoje — afirmou o petista.

Questionado por Lessa sobre a política de alianças que o partido pretende praticar para 2018, Lula disse que as primeiras conversas devem ser no campo da esquerda e com os partidos que vêm se posicionando contra as reformas previdenciária e trabalhista tocadas pelo governo Temer, que classificou como "desmonte de conquistas". No entanto, ressaltou que é preciso observar o componente regional.

— Não é possível, num país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, você decidir em Brasília a política de alianças para os 27 estados — disse.

Lessa questionou o ex-presidente sobre os estragos à imagem do PT por conta dos escândalos de corrupção, mas Lula rebateu citando pesquisas que mostram a legenda ainda como a preferida entre os eleitores e que o colocam na liderança na corrida para a presidência.

— Fico pensando qual partido resistiria ao massacre que o PT sofreu. É como os Estados Unidos bombardeando o Vietnã. O problema é que o Vietnã venceu. Na pior das hipóteses, o PT tem 18% da preferência eleitoral, mais do que todos os outros partidos juntos. Eles não conseguiram destruir o PT e não conseguiram destruir o Lula — afirmou.

Ele também criticou o juiz Sérgio Moro, dizendo que foi condenado sem provas e sem que fossem levados em conta os depoimentos das testemunhas de defesa.

— Quando eu li a sentença, achei que ele ia me absolver e pedir desculpa. Mas a pressão para que ele me condenasse era muito forte. A ordem era condenar o Lula — afirmou o ex-presidente, que pode ser impedido de concorrer se a sentença de Moro for confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre.

Lessa também questionou a origem dos R$ 9 milhões bloqueados por determinação de Moro em contas de previdência privada em nome do petista. No momento mais tenso da entrevista, Lula disse que não precisa explicar o dinheiro, que seria fruto de 66 palestras realizadas no exterior após ter deixado a presidência.

  — O dinheiro entrou através do Banco Central. Não tenho dinheiro na Suíça. Depositei no Banco do Brasil. Eu e o Bill Clinton (ex-presidente dos Estados Unidos) éramos os mais importantes conferencistas desse começo de século. O que tem que explicar é por que o Moro bloqueou um dinheiro que estava em previdência privada — afirmou o presidente.

Lula também foi questionado sobre o futuro do presidente Temer. O petista acredita que ele ainda tem força política para barrar na Câmara dos Deputados a aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República por crime de corrupção — o que o afastaria do cargo para que fosse julgado. Ao mesmo tempo, Lula diz que deveria partir do peemedebista uma medida que antecipasse as eleições presidenciais:

— O importante é olhar um pouco o Brasil e não para as pessoas. Eu acho que o Temer não deveria continuar na presidência porque ele é resultado de um golpe. Eu até tinha dito para uns companheiros esses dias que o melhor que poderia acontecer é o Temer pessoalmente editar uma medida provisória ou emenda constitucional convocando eleições diretas o mais rápido possível para que povo pudesse escolher livremente quem vai governar o Brasil. Aí o povo escolhe e assume a responsabilidade. É muito melhor o povo escolher e errar ou escolher e acertar do que a gente ter um presidente que não foi eleito pelo povo.

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