Aos olhos da plateia, Lula já era criminoso ou mártir antes da sentença de Sérgio Moro - Economia - O Sol Diário

Upiara Boschi12/07/2017 | 19h18Atualizada em 12/07/2017 | 20h14

Aos olhos da plateia, Lula já era criminoso ou mártir antes da sentença de Sérgio Moro

Decisão do juiz federal de Curitiba inicia contagem regressiva: o petista não poderá ser candidato a presidente novamente se magistrados do TRF-4 confirmarem a punição até agosto do ano que vem. Essa espera vai afetar os planos e projetos políticos em todas as esferas

O mais curioso na sentença do juiz Sérgio Moro condenando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a pouco mais de nove anos de prisão é que ela não muda em um milímetro as convicções da plateia sobre culpa ou inocência do petista. No ambiente conflagrado e judicializado da política brasileira, a decisão de Moro era considerada questão de tempo. Já havia sido digerida por quem defende Lula e era ansiosamente aguardada pelos que o culpam.

Nessa briga de torcidas, verdades e pós-verdades, o questionado apartamento tríplex no Guarujá (SP) que teria sido reformado pela empreiteira OAS a pedido do ex-presidente — suposto futuro beneficiário do imóvel — tornou-se uma questão menor. Importante era ver no julgamento de Sérgio Moro resultar em um Lula criminoso ou em um Lula mártir.

Agora, abre-se uma contagem regressiva para a decisão que realmente terá peso eleitoral: o recurso da defesa petista ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Troca-se Curitiba por Porto Alegre, sede da corte da região Sul, e uma sentença individual pela decisão de um colegiado de desembargadores federais. A decisão que pode tirar Lula da corrida presidencial de 2018 se for confirmada na capital gaúcha antes dos prazos de registro de candidatura. É pouco mais de um ano.

Nesse tempo, a militância petista deve agarrar-se em seu mártir enquanto o PT gesta nos bastidores um plano B, que pode até vir de fora do partido. Os adversários do lulismo — sejam tucanos Geraldo Alckmin ou João Dória, seja a recorrente Marina Silva (Rede), seja o franco-atirador Jair Bolsonaro ou qualquer possibilidade que surja nesse período — vão conviver com a dúvida de enfrentar ou não Lula e as chances eleitorais do ex-presidente condenado que lidera as pesquisas. Todo o cenário eleitoral de 2018 passa a girar em torno dos magistrados de Porto Alegre e a confirmação ou não da sentença de Moro. O clima vai piorar, mas não havia margem para ser diferente.

Espremida entre os cenários de julgamento da Lava-Jato, Santa Catarina vai acompanhar esse momento como espectador. Perdendo espaço no Estado eleição após eleição, os petistas catarinenses usarão o estandarte do mártir Lula para pregar a seus convertidos, de olho mais no legado do eleitor de esquerda local. Enquanto isso, as atuais alternativas reais de poder — PSD, PMDB, PSDB e PP — vão tocar seus projetos esperando que o cenário nacional não atrapalhe muito o jogo que estão acostumados a jogar.


 

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