Um em cada três catarinenses tem contas em atraso, revela Serasa - Economia - O Sol Diário

Finanças pessoais11/07/2017 | 06h01Atualizada em 11/07/2017 | 08h47

Um em cada três catarinenses tem contas em atraso, revela Serasa

Número de pessoas com dívidas em atraso superior a 90 dias no Estado chega a 1,8 milhão, o que representa 35,5% da população

Um em cada três catarinenses tem contas em atraso, revela Serasa Omar Freitas/Agencia RBS
Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Um em cada três catarinenses está com pelo menos uma conta em atraso. É o que revela o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, divulgado na semana passada. Enquanto o país registrou em maio a marca histórica de 61 milhões de inadimplentes, o Estado somou 1,8 milhão, o que representa 35,5% da população com mais de 18 anos.

De acordo com o economista da SerasaLuiz Rabi, desde 2012 não era extraído um índice tão expressivo em torno da inadimplência. Em maio do ano passado, eram 59,5 milhões de pessoas na lista. Como justificativa para o cenário, o especialista aponta o desemprego e a recessão econômica.

– Basicamente são dois fatores: o superendividamento e as condições macroeconômicas. Diferentemente de 2012, dessa vez foram a crise e o desemprego os vilões. Então os consumidores não estão devendo porque deram o passo maior do que a perna, mas porque foram atingidos pela recessão. Essas pessoas tiveram acesso menor ao crédito. Primeiro pela inflação, que corrói o salário, e depois pelo desemprego – explica.

O estudo também revela que a maioria dos inadimplentes (19,4%) brasileiros tem idade entre 41 e 50 anos. Os homens representam 50,9% desse montante. A classe social mais atingida é a que recebe entre um e dois salários mínimos, que representa 39,1% do total. A maioria dos 61 milhões dos devedores no país possui apenas uma dívida (37,3%) de, em média, R$ 4,5 mil. 

Estado tem o quarto melhor índice do país

Quando comparado a outros Estados, SC ainda tem destaque positivo: na região Sul, tem o segundo melhor índice (só perdendo por 0,2% para o Rio Grande do Sul), enquanto no contexto nacional tem a quarta melhor projeção (atrás somente da Paraíba, com 33% de inadimplentes, e de Goiás, com 35,4%, além dos gaúchos). Mas se analisados em números absolutos, o indicador é considerado alto por especialistas. Afinal, mais de um terço da população tem pelo menos uma conta atrasada.

O ingresso e a manutenção do nome nos cadastros de proteção, além de restringir diretamente o acesso ao crédito, também contribui para que a pontuação (ou score) de crédito do consumidor seja baixo. Nesses sistemas, oferecidos pelo Serasa e pelo Boa Vista SCPC, por exemplo, cada pessoa é pontuada de acordo com a análise de uma série de fatores, como pagamentos de contas em dia, histórico de dívidas negativadas, relacionamento financeiro com empresas e dados cadastrais atualizados. Quanto mais baixo o score, maiores são as chances de o cidadão não honrar seus compromissos financeiros ou ter acesso facilitado ao crédito.

Especialistas apontam que falta educação financeira

A previsão é de que o número de inadimplentes só volte a diminuir em 2018, não sem antes estabilizar ao longo deste semestre, principalmente puxado pela queda da inflação. Ainda no primeiro semestre, 80% dos brasileiros cortaram gastos, principalmente com alimentação fora de casa, roupas, calçados e acessórios devido à recessão econômica, de acordo com pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional e Dirigentes Lojistas. Para a especialista em planejamento financeiro pessoal Annalisa Blando Dal Zotto, esse índice só irá baixar quando houver uma mudança definitiva de mentalidade das pessoas em relação ao uso do dinheiro – e não somente em períodos de crise, como indica o levantamento.

– A inadimplência é fruto da falta de educação financeira. Geralmente, as pessoas se endividam porque usam o cartão de crédito de forma equivocada ou acham que o limite do cheque especial não é dívida, sendo que, na verdade, é uma das mais caras. Ao mesmo tempo, o Brasil é um dos países que cobra os juros mais altos – analisa.

Entendimento semelhante tem a conselheira do Conselho Regional de Contabilidade em Santa Catarina Marlise Alves Teixeira. Ela destaca que a situação de inadimplência não deve ser considerada normal e que, para viver bem, é necessário sair do que chama de "enrosco financeiro".

– Estar com o nome sujo significa ¿andar para trás¿, pois os juros são altíssimos e cobrados mensalmente. O que era um pequeno valor pode se transformar em montantes volumosos. Assim, é necessário, depois da tomada de consciência, decidir parar e sair da situação. É uma decisão – pontua.

Leia também:

Concursos públicos oferecem mais de 1,2 mil vagas em Santa Catarina

Cerca de 40 milhões de brasileiros podem ter o celular bloqueado

Mais de 150 mil catarinenses têm direito à restituição do 2º lote do IR

Siga O Sol Diário no Twitter

  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioJogadores do Avaí aplaudem Kozlinski, que é abraçado por Douglas no vestiário https://t.co/kLUNE32gDmhá 30 minutosRetweet
  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioJudson destaca pegada do Avaí e quer de novo a "força da arquibancada"  https://t.co/JqjrVVa1pUhá 1 horaRetweet
O Sol Diário
Busca