Raimundo Colombo: "Interrupção do governo Temer é uma aventura" - Economia - O Sol Diário

Upiara Boschi01/08/2017 | 18h07Atualizada em 01/08/2017 | 18h10

Raimundo Colombo: "Interrupção do governo Temer é uma aventura"

Antes de evento com prefeitos, governador falou sobre novos financiamentos, sobre sua defesa em relação às delações de JBS e Odebrecht. E, claro, sobre as estratégias para as eleições de 2018 e o futuro dos dois principais partidos da coalização governista

Raimundo Colombo: "Interrupção do governo Temer é uma aventura" Júlio Cavalheiro / Secom, Divulgação/Secom, Divulgação
Foto: Júlio Cavalheiro / Secom, Divulgação / Secom, Divulgação

Na tarde desta terça-feira, o governador Raimundo Colombo (PSD) participou da assinatura dos contratos que vão garantir R$ 56,8 milhões a 18 municípios catarinenses através do convênio Badesc Cidades. Em meio a prefeitos das cidades beneficiadas e deputados estaduais, Colombo mostrou otimismo em relação à melhora da economia no segundo semestre e exaltou o modelo de repasses de recursos para as prefeituras.

Antes do evento, conversei com o governador sobre a situação de presidente Michel Temer, sobre a expectativa pela aprovação dos financiamentos que vão custear uma nova edição do Fundo de Desenvolvimentos dos Municípios, sobre sua defesa em relação às delações de JBS e Odebrecht. E, claro, sobre as estratégias para as eleições de 2018 e o futuro dos dois principais partidos da coalização governista — PSD e PMDB.

Leia a íntegra da conversa.

O senhor acha que a Câmara dos Deputados deveria aceitar a denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB)?
Sinceramente, pensando no Brasil, acho que qualquer interrupção agora é uma aventura. Nós não temos um processo natural que desdobre numa ação que mantenha o equilíbrio. Pensando no Brasil, com a responsabilidade de quem tem que administrar um Estado, pagar as contas no final do mês, não deixar o desemprego aumentar, todas essas preocupações do nosso dia a dia, acho que nesse momento, com os elementos que temos, acredito que a melhor solução seria deixar a eleição de 2018 fazer as projeções disso. Pelas informações que tenho, a Câmara não deverá aceitar.

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O senhor foi colega de partido do deputado federal Rodrigo Maia quando era do DEM. Entregaria a ele a presidência da República?
Ele é um querido amigo, a gente tem uma relação muito próxima, uma convivência. Mas acho que nesse momento a melhor solução, com as informações que a gente tem, é manter o presidente Temer. Acho que ele (Maia) pensa o mesmo.

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O senhor está otimista em relação aos financiamentos que vão garantir o novo Fundam? Existe preocupação de que não saia?
Absolutamente nenhuma. Eu conversei com o presidente do BNDES, com o ministro Henrique Meirelles (da Fazenda), com o presidente Temer, com a Secretaria do Tesouro Nacional. A tramitação é burocrática. Acho que no final de agosto a gente assina. Depende só da gente. Eu estava numa reunião agora tratando exatamente da burocracia. Não tenho dúvida, porque é um bom recurso para o Estado, é dinheiro com carência, juro baixo.

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Não cria um peso excessivo a ser cobrado do próximo governador?
Não. Tem anos de carência, a dívida é alongada. A dívida hoje é muito melhor do que há cinco anos. Não há concentração de pagamentos. Nós pagamos agora em julho aquele empréstimo internacional (com o Bank of America, contraído em 2013 para quitar dívida com União de juro maior), que é pago a cada seis meses. Vamos renegociar a dívida com o BNDES alogando conforme aquela lei federal (aprovada no final de 2016), isso ainda não foi feito. Nós estamos pagando as novas taxas da dívida (troca do índice de correção acertado na renegociação da dívida com a União). Então, a situação fiscal é muito melhor.

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Como o senhor avalia o momento político estadual, especialmente após o PMDB definir o deputado federal Mauro Mariani como pré-candidato a governador?
Acho que o momento é esse. Cada partido tem sua estratégia, vai definir e lutar por ela. Cada partido vai procurar se fortalecer. Uma das questões que vai acontecer é ir se afunilando. Isso é natural. Sempre foi assim, em todas as eleições. Qualquer discussão de aliança vai ser feita ano que vem, lá perto das eleições. Primeiro é preciso ver o que vai ser feito com a lei eleitoral. Brasília assusta a cada vez que a gente vai lá. Estive lá quinta-feira e a conversa maior é que a prioridade é o distritão (modelo de votação em que os candidatos a deputado e vereador mais votados são eleitos, sem influência da votação de partidos ou coligações). Isso muda profundamente. Fragiliza ainda mais o modelo político. Enfraquece o processo presidencialista, porque não vai ter partido, você vai ter que compor com um por um (cada parlamentar). Os 16 mais votados (para deputado federal em SC), os 40 mais votados (para a Assembleia Legislativa), independente de partido ou coligação. Se isso for verdadeiro, já tem uma recomposição total para ser construída. Agora o trabalho é mais de cada candidato e esperar.

O senhor se sentiria mais confortável em uma aliança com o PMDB ou com o PP, como defende Gelson Merisio (PSD), pré-candidato do seu partido ao governo?
Não é questão de ser confortável. Tem que aguardar e ver. Claro que nós temos uma aliança, se ela fosse repetida (seria mais fácil). Mas é possível também que cada um tenha seu candidato. Entendo que é necessário aguardar o processo eleitoral e o que vai acontecer em nível nacional. A eleição mais importante e que vai polarizar é a de presidente da República.

O senhor já conversou com o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) sobre a data de renúncia do cargo de governador para disputar o Senado em 2018?
Não, não falei.

Em princípio, seria abril, data-limite da legislação eleitoral?
Sim, abril.

Possibilidade de sair antes?
Nunca discuti e acho que isso é para ser tratado depois. No meio de uma crise econômica e administrativa como essa, eu estou concentrado em conseguir manter o equilíbrio fiscal e financeiro, tocar todas as obras. Vou deixar para tratar do processo político mais à frente.

No final de semana a revista Época citou novamente seu nome no contexto das delações da JBS, embora sem fatos novos. Como o senhor está acompanhando esse caso e também o inquérito aberto por causa das delações da Odebrecht (o governador é acusado por executivos de ambas as empresas de ter recebidos propinas em campanhas eleitorais para facilitar a venda da estatal Casan, que não foi efetivada)?
Fiquei muito seguro com as provas que nós conseguimos levantar. Deixam muito transparentes todas as ações de governo. É muito esclarecedor e serviu como um conforto importantíssimo para mim. A mesma coisa dizem nossos advogados, que acharam muito robusta a nossa defesa e muito fortes os nossos argumentos. Espero que isso tenha um impacto positivo. Estou muito otimista. Conseguimos mostrar e comprovar tudo que foi feito, resgatar origens e procedimentos. Dá para ver ali uma narrativa muito verdadeira, muito honesta e muito esclarecedora. Estou muito tranquilo. Claro que foi uma fase muito dura, a gente sofreu muito, sofre ainda. Sinceramente, depois de tudo que conseguimos reunir de material, graças a Deus tudo estava de forma oficial na Procuradoria e nos órgãos que fizeram essas negociações¿

O senhor fala sobre registros de encontros, reuniões?
Tudo. Os encontros, as narrativas, os documentos. É uma defesa muito positiva e muito tranquilizadora.


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