Delfim, o onipresente presidente da Fundação Catarinense de Futebol - Esporte - O Sol Diário

Luto30/11/2016 | 09h57

Delfim, o onipresente presidente da Fundação Catarinense de Futebol

Imagem do cartola da FCF está nas imagens de quadros pendurados nas paredes da sede e na memória dos colegas de trabalho

Delfim, o onipresente presidente da Fundação Catarinense de Futebol Pamyle Brugnago/Agencia RBS
Foto: Pamyle Brugnago / Agencia RBS

Não é preciso entrar no prédio da sede da Federação Catarinense de Futebol (FCF), em Balneário Camboriú, para saber que ali não é apenas a casa do futebol do Estado, mas também a do presidente da entidade e vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Do lado de fora, o nome, em letras garrafais, de Delfim de Pádua Peixoto Filho, 75 anos, mostra que o imponente itajaiense estava, até então, há três décadas no comando do órgão. Com pulso firme, é ele quem coordena o futebol catarinense desde 1985.

Dentro do prédio, há quadros com a fotografia oficial do Dr. Delfim, como era chamado por todos. Nas salas da FCF funcionários ostentam retratos tirados ao lado do comandante, prova do quanto era benquisto pela equipe.

— Ele era espetacular. Um companheiro de trabalho e amigo pessoal há mais de 10 anos. Era um grande homem e profissional exemplar. Estamos todos em choque — disse com olhos marejados o vice-presidente e amigo pessoal de Delfim, Ericsson Luef, enquanto recebia o carinho de colegas e amigos, que não paravam de chegar ontem na sede da FCF após a confirmação de que o amigo estava no voo que tirou pelo menos 71 vidas.

Outro grande companheiro de Delfim — e parceiro de viagens pelo Estado —, o motorista da federação e hoje também árbitro no Estado, Eli Alves, se aproximou do presidente. Diz ter encontrado na figura, de barba branca e sobrancelhas escuras e marcantes, um pai.

— Ele me contava muitas histórias, sempre falante. Aqui na federação ele era o último a ir embora. Ele pedia para eu fazer um café e a gente ficava conversando até acabar — lembra.

Foi o motorista que viu Delfim pela última vez, antes do embarque junto da delegação da Chapecoense na segunda-feira, convite vindo do presidente do clube do Oeste, Sandro Pallaoro. O motorista deixou o presidente da FCF em um hotel no domingo, após acompanhar a premiação do campeão e vice do Campeonato Catarinense da Série B, em Tubarão.

— Eu dei tchau e disse boa viagem. Agora não consigo acreditar que ele se foi — cita ainda em choque.

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Perfil forte

Polêmico e poderoso, o advogado, ex-vereador, ex-deputado e gestor, mas também marido, pai e avô, Delfim de Pádua Peixoto Filho colecionou amigos e desafetos em suas decisões ao longo da carreira no mundo do futebol.

No final do ano passado, a forte figura do futebol catarinense divulgou uma carta em que acusava um golpe na eleição de sucessão da CBF. Delfim — que já foi investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Contas do Estado (TCE) à frente da FCF — era forte opositor de Marco Polo Del Nero, atual presidente da confederação nacional.


Nome de Delfim aparece em um grande letreiro da sede da Federação

Família não se pronunciou sobre o acidente

A família de Delfim preferiu não se pronunciar sobre o acidente. A viúva, Ilka, e a filha, Bianka Peixoto, estavam em viagem ao Uruguai quando souberam da queda da aeronave. Abalado, Delfim Peixoto Neto, o Delfinzinho, não conversou com a imprensa. A família se reúne no Brasil antes de fazer o reconhecimento do corpo. Ainda não há previsão de translado, velório ou sepultamento.

Na rua onde Delfim morava, no Centro de Balneário Camboriú, o silêncio impera. Os vizinhos de prédio que apenas o viam entrar e sair da garagem afirmam que o cartola não costumava caminhar pela calçada do bairro.

Luto no Litoral

As prefeituras de Itajaí, cidade natal de Delfim, e de Balneário Camboriú, onde reside a família, decretaram três dias de luto em homenagem ao dirigente. Em nota oficial, o prefeito de Itajaí, Jandir Bellini, exaltou a vida social do itajaiense e a influência de Delfim no esporte local.

O prefeito de Balneário Camboriú Edson Renato Dias, o Piriquito, também se solidarizou com os familiares e amigos das vítimas e afirmou que Delfim era "uma pessoa que se empenhou incansavelmente pelo futebol do Estado e do país e um apaixonado por nossa Balneário Camboriú."

A diretoria da FCF decretou luto oficial de 30 dias na entidade.

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JORNAL DE SANTA CATARINA - BALNEÁRIO CAMBORIÚ

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