Rodrigo Faraco: o dia mais triste e as palavras mais difíceis de escrever sobre o acidente de avião da Chapecoense - Esporte - O Sol Diário

Luto29/11/2016 | 19h45Atualizada em 29/11/2016 | 19h45

Rodrigo Faraco: o dia mais triste e as palavras mais difíceis de escrever sobre o acidente de avião da Chapecoense

Rodrigo Faraco: o dia mais triste e as palavras mais difíceis de escrever sobre o acidente de avião da Chapecoense Daniel Conzi/Agencia RBS
Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

Foi o dia mais difícil. O jornalismo esportivo vive de contar histórias de superação, de alegrias, de conquistas. Foi o dia de contar a história de uma tragédia. Uma tragédia que atinge com força brutal uma cidade, toda uma região, um estado e todo um país. Que atingiu o esporte, o futebol, que carrega milhões de pessoas no mundo inteiro.

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O desastre tirou o orgulho Chapecoense de todos nós. Nos últimos dias, vivíamos a ansiedade de uma conquista inédita. Que vinha sendo e seria a história mais bela. A Chapecoense nos fazia estufar o peito com sua trajetória fantástica dos últimos anos. O desastre nos fez sentir a dor mais complicada de administrar.

Um grupo de grandes pessoas

A tragédia da Colômbia nos tirou grandes pessoas, grandes profissionais e grandes talentos. Desde jogadores, passando por dirigentes e colegas jornalistas. Sandro Pallaoro era o presidente do momento em Santa Catarina. Um visionário e um realizador. Pallaoro tinha a chama do fazer, do fazer o certo, do fazer o melhor, de fazer com paixão e sem vaidades. Era a liderança que surgia no futebol catarinense e mostrava a todos o caminha mais correto. Com ele os fiéis Maurinho e Cadu, que cuidavam com zelo e competência do futebol da Chapecoense.

O vazio na Federação

Polêmico sempre, Delfim Pádua Peixoto Filho vai deixar um buraco em termos de liderança e condução no futebol catarinense. Mesmo com todas as críticas que já foram feitas sobre a forma dele de conduzir a Federação e comandar os clubes, Delfim teve sempre o mérito de defender o futebol catarinense. Era uma espécie de porto seguro para muitos dirigentes de clubes, que se valiam dos conhecimentos e da experiência dele para pedir conselhos. Deixa uma grande interrogação sobre a condução e o futuro do futebol catarinense.

Cléber Santana

Era o símbolo máximo deste time, o meia que tinha escolhido o futebol catarinense para jogar nos últimos cinco anos. Sempre muito profissional, Cléber era também muito educado, além de jogar uma bola redonda. Quando a Chapecoense chegou à semifinal troquei com ele algumas mensagens de congratulações pela conquista. Me respondeu com alegria e o carinho de sempre. Lembro de ter tido a gentileza de Cléber Santana em três momentos especiais – dois em 2012 e um em 2013.

Em 2012, quando veio ao programa no estúdio da TVCOM para atender um convite porque era meu. Ficou conosco durante duas horas contando boas histórias. Depois me concedeu uma entrevista exclusiva quando saiu do Avaí para o Flamengo, explicando os porquês da negociação. Em 2013, mais uma vez me deu preferência quando acertou sua volta ao Avaí. Era um caráter acima da média. Vai fazer muita falta.

Nossos queridos colegas

O acidente se aproxima ainda mais de nós, porque perdemos colegas queridos que seguiam para a Colômbia para fazer a cobertura desta grande final. A começar pelos mais próximos. O cinegrafista Djalma Araújo era referência das imagens no esporte. Se havia uma grande cobertura, Djalma estava lá com uma competência ímpar.

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O repórter André Podiacki era uma dos mais completos do esporte em Santa Catarina. Era o repórter das matérias especiais no DC, do dia a dia, das missões mais complicadas. Estava num momento pessoal muito especial, em que vivia a alegria de todos os sorrisos e gentilezas. Esteve comigo em Londrina. Foi vizinho de viagem. Trocamos longas ideias e a visão dele era madura e diferenciada. 

Nosso técnico Bruninho era um garoto com brilho nos olhos e sorriso no rosto. Também esteve em Londrina há duas semanas. Fazia tudo com um encantamento de quem tinha uma competência natural de quem está se divertindo ao trabalhar. Giovane Klein tinha feito uma baita cobertura na semifinal. Foi destaque. Trabalhamos juntos no Catarinense 2016. Tive pouco contato com ele e com Laion Espíndula no dia a dia – os dois de Chapecó. Mas admirava muito o trabalho dos dois.

Foi ainda mais complicado conviver com os outros colegas na redação nesta terça com a dor da perda deles. Todos eles foram escolhidos para esta cobertura porque eram os melhores – eram muito bons no que faziam.

 
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