Augusto Ittner: O propósito da partida dos heróis de Chapecó - Esporte - O Sol Diário

Força, Chape05/12/2016 | 09h38

Augusto Ittner: O propósito da partida dos heróis de Chapecó

Vídeo que mostra torcidas organizadas entrando juntas na Arena Condá aponta o que se espera do futebol daqui para frente

Augusto Ittner: O propósito da partida dos heróis de Chapecó Reprodução/WhatsApp
Torcidas do Marcílio Dias, Brusque, Figueirense, Avaí, Joinville, Chapecoense e Inter de Lages chegando juntas à Arena Condá. Foto: Reprodução / WhatsApp



Quando sofremos um acidente de carro, aprendemos a ter mais cautela no trânsito. Quando fazemos alguma grande besteira no trabalho, aprendemos a tomar mais cuidado antes de tomar decisões. Quando se perde alguém que se ama, aprendemos a dar mais valor a detalhes e àqueles que ainda estão entre nós.

Esse texto é o primeiro que escrevo após a tragédia com o voo da Chapecoense, porque precisava entender algumas coisas antes de digitar qualquer letra que fosse em um teclado: qual será a consequência do desastre de terça-feira passada? Qual será a resposta para o momento mais triste do esporte brasileiro?

Comecei a entender algumas coisas já na quarta-feira, com a cerimônia na Colômbia e a solidariedade de uma torcida que dois dias antes era rival, e que naquele momento deixava de lado a paixão pelo seu clube para entoar a música de outro.

As mensagens de apoio tanto no Brasil quanto no exterior, o aumento de sócios da Chapecoense de 9 mil para 22 mil e diversas outras pequenas atitudes fizeram com que eu captasse ainda mais a mensagem. Mas faltava alguma coisa. Não sabia qual.

Até que no meio da tarde de sábado recebo um vídeo no WhatsApp que mostrava integrantes de torcidas organizadas de Santa Catarina chegando juntos à Arena Condá para o velório coletivo. Ali eu entendi a mensagem que a morte de 71 pessoas deixava para o esporte, porque entre lágrimas e mais lágrimas, o futebol deixava de ser o mediador de brigas históricas para dar lugar à solidariedade e à tolerância.

E é isso que os heróis que partiram na terça-feira querem. Ver, de onde quer que estejam, que suas partidas tiveram um propósito que transcende à questão futebolística e dá lugar à humanidade.

O desastre fez e faz as pessoas pensarem. E isso precisa ser a consequência daqui para frente. Ver que a bola rolando e todo o seu espetacular contexto são muito maiores do que briguinhas toscas em que os envolvidos nem sequer sabem o motivo do confronto.

Aí sim teremos a nossa resposta, sem que o momento de luto seja apenas um cessar fogo temporário entre aqueles que estimulam confusões dentro e fora dos estádios.

Força, Chape.

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