"Em primeiro lugar estão as famílias", diz presidente que tem missão de reconstruir a Chape - Esporte - O Sol Diário

Entrevista24/12/2016 | 07h10Atualizada em 24/12/2016 | 07h10

"Em primeiro lugar estão as famílias", diz presidente que tem missão de reconstruir a Chape

Eleito presidente da Chapecoense, Plínio De Nes Filho falou com o DC

"Em primeiro lugar estão as famílias", diz presidente que tem missão de reconstruir a Chape NORBERTO DUARTE/AFP
Foto: NORBERTO DUARTE / AFP
darci debona

Eleito presidente da Chapecoense há pouco mais de uma semana, Plínio David De Nes Filho se viu na responsabilidade de liderar a reconstrução do clube após a tragédia com o avião da LaMia, que matou 71 pessoas. Por pouco, ele mesmo não estava no voo. Alguns compromissos fizeram ele, o prefeito Luciano Buligon e o presidente da Assembleia Legislativa, Gelson Merisio, a programarem a viagem para o dia seguinte.

Ele herdou o gosto pela Chapecoense do seu pai, Plínio Arlindo De Nes, que foi colaborador desde a fundação do clube em 1973. Plínio David, o Maninho, também passou a ajudar e, inclusive, foi buscar em Estrela o volante Janga, campeão estadual em 1977. Foi vice-presidente de futebol no primeiro Brasileirão da equipe, em 1978.

Como diretor e depois presidente da Chapecó Alimentos, foi patrocinador do voleibol de Chapecó, de Gustavo Kuerten, de Cristhian Fittipaldi e da Portuguesa, vice-campeã brasileira de 1996.

Era presidente do Conselho Deliberativo e seria reeleito para o cargo, caso não ocorresse o acidente. Ivan Tozzo, que era vice-presidente do clube e que assumiu interinamente após o acidente, disse que gostaria de permanecer no mesmo cargo em virtude de suas empresas. Outro cotado para o cargo, Gelson Dalla Costa também alegou que compromissos de sua empresa acabariam atrapalhando a gestão.

Aos 70 anos, Plínio David encarou o desafio. Mesmo antes de ser eleito, já voou para São Paulo e contratou o diretor de futebol Rui Costa e o técnico Vagner Mancini. Nesta semana, participou do primeiro sorteio da história da Chapecoense na Taça Libertadores, no Paraguai. 

Confira a entrevista dele ao Diário Catarinense.

Quais os motivos que o levaram a ser presidente da Chapecoense?
Me colocar à disposição da Chape, um clube pelo qual a gente lutou toda a vida, como tantas pessoas da nossa comunidade, e pelo momento que ela vive. Conhecendo todos os fatos que ocorriam na Chape, pelas pessoas do Sandro, do Maurinho, do Cadu, do Jandir, do Folle, da comissão técnica, dos jogadores, todos. Eu pensei que poderia ser muito útil nesse momento juntamente com todos os demais. Esses são os motivos pelos quais aceitei. Será uma travessia bastante emocional.

Qual será o principal desafio?
São três os objetivos iniciais. Em primeiro lugar estão as famílias; em segundo, o futebol; em terceiro, o financeiro. Estes são os maiores desafios. Todos os demais são importantes e terão sua atenção e melhorias quando necessário, mas estes são fundamentalmente de curto prazo.

Como está fazendo para superar a perda dos amigos e, ao mesmo tempo, ser um líder na reconstrução do time?
É muito difícil, mas estou sempre pensando neles, e com a certeza de que eles gostariam que eu estivesse fazendo esse papel. Quero fazer um trabalho digno, que os represente nesse período que a gente vai estar à frente da Chapecoense.

O que fez com que não estivesse no voo da LaMia? Acredita em destino?
Nós tínhamos compromissos na segunda e na terça-feira. Na terça, inclusive, com o nosso prefeito Luciano Buligon. Nós viajaríamos na terça à tarde com destino a Bogotá e depois nos encontraríamos com eles em Medellín. Mas por causa do destino eu permaneci e, quem sabe, permaneci para cumprir uma missão que eles passaram para mim e para a toda nossa equipe de trabalho.

O que representa a Chapecoense na Libertadores?
É um passo importante, totalmente diferente dos demais que vivemos até aqui. Representa a internacionalização do clube. Temos de fazer uma boa apresentação, digna, como sempre foram as apresentações do nosso clube.

Como dar conta dessa projeção mundial do clube?
Entendendo como ela é. Ela veio motivada por uma tragédia e não gostaríamos disso. Preferiríamos ficar do tamanho que sempre tivemos, traçando objetivos e, paulatinamente, alcançando essas metas. Mas, ocorrendo essa projeção, temos que ser bastante ativos, bastante competentes e nos cercarmos de pessoas que possam contribuir da melhor maneira possível para que a Chapecoense continue da grandeza que ela é.

A Chapecoense está recebendo os auxílios prometidos?
Aquilo que foi prometido pelas instituições e pelas pessoas, sim. Estamos recebendo. Ainda não contamos muito com os valores no caixa, mas temos certeza de que as pessoas vão cumprir com suas promessas. Estamos trabalhando para ampliarmos essas arrecadações e esperamos ter condições de proporcionar ao torcedor da Chape um grande clube para 2017.

O que a torcida pode esperar da Chapecoense em 2017?
Muito trabalho, muita dedicação, muita objetividade, muito comprometimento de todos nós: diretores, comissão técnica e jogadores que chegarão à nossa casa. Para a torcida, temos que pedir um pouco de paciência para que as coisas aconteçam normalmente. Não se monta um time novo e se espera um resultado em um mês. Pediria uma especial atenção à nossa torcida para que se mantenham unidos, independentemente de resultados nos próximos dois meses.

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